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Torres, RS, 30 de Abril de 2017.

Evento discutiu Planejamento Estratégico de Torres e Arroio do Sal
Qua, 25 de Maio de 2016 22:06

 

 

 

 Encontro promovido pelo Corede LN apontou dados estatísticos de Torres e região, bem como abriu espaço para sugestões para o desenvolvimento regional

 

Por Guile Rocha

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Análise Situacional do Diagnóstico Técnico nos municípios de Torres e Arroio do Sal. Esta foi o complicado nome da pauta tratada em encontro promovido pelo Conselho Regional de Desenvolvimento do Litoral Norte (Corede LN) na tarde da última terça-feira (17), no Centro Municipal de Cultura de Torres. Apesar de ser aberto para a população em geral, pouca gente se fez presente na reunião (cerca de 20 pessoas, e isso incluindo as autoridades municipais). O mesmo tipo de reunião está sendo promovida pelo Corede pelas outras cidades do Litoral Norte - num instrumento em busca do desenvolvimento regional (vinculado ao governo do RS).

Foi um encontro que focou em dois pontos principais: 1) A apresentação de dados estatísticos relacionados ao Litoral Norte - e mais especificamente a Torres e Arroio do Sal; 2) O debate entre os representantes do Corede LN e os cidadãos presentes, buscando levantar demandas e trocar informações sobre as cidades tema do encontro.

 

Tocha Olímpica e Plano Municipal do Turismo

 

Representando a Secretaria Municipal do Turismo, Denver Reginato, abriu o evento. Antes do começo da exposição dos dados, tabulados pelo Corede LN, o secretário interino da pasta aproveitou a oportunidade para lembrar da passagem da Tocha Olímpica por Torres, ato que acontecerá no dia 09 de julho. Um vídeo sobre o revezamento da tocha foi exibido aos participantes, destacando a emoção e grande repercussão popular da passagem da tocha por diversos lugares da Grã-Bretanha (até chegar em Londres para as Olimpíadas de 2012). " Estamos preparando um roteiro bacana para o revezamento da tocha - com atividades esportivas e paralelas. Ainda não sabemos quem serão as pessoas que carregarão a tocha aqui na cidade, mas esperamos que seja um momento inesquecível. No dia 09 de julho, Torres estará nos olhos do mundo", destacou o Secretario Municipal do Turismo.

A formatação de uma comissão para trabalhar o plano municipal do Turismo também foi destacada por Denver Reginato, que apresentou a equipe técnica responsável por definir as diretrizes e os métodos para o plano (formada por 3 servidoras do quadro da prefeitura). "Temos 40% de nossa economia gerada via Turismo, e por isso esperamos que este plano seja formatado em conjunto com o trade turístico e a comunidade torrense. O objetivo é que haja inventários e uma definição melhor do que se espera do turismo por aqui", ressaltou Maria do Carmo Conforti, turismóloga e uma das servidoras responsáveis pelo plano.

 

Dados e estatísticas sobre Torres e o litoral

 

A seguir, quem assumiu a reunião foi o Tiago Rublescki, da Latus Consultoria, empresa parceira do Corede no levantamento dos dados e planejamento estratégico sobre as diferentes regiões do estado.  Amparado pela  presidenta do Corede/LN,Lilian Agraso Alves, Thiago apresentou diversas informações sobre a nossa região - como o caráter sazonal das cidades litorânea, a abundância de lagoas e recursos hídricos, a boa malha rodoviária - e citou alguns dados marcantes "O Corede LN é o que mais cresce no estado, e não apenas demograficamente. É marcante também a presença de pessoas idosas na região - uma vez que essa população de mais de 65 anos cresce consideravelmente mais no Litoral Norte do que na média do RS", destacou Tiago.

Após, foi divulgado um levantamento com estatísticas referentes as diversas áreas pertinentes a comunidade do Litoral Norte. Estas estatísticas foram tabuladas por instituições como o IBGE e Fundação de Economia e Estatística (FEE), e algumas informações foram complementadas pelos participantes do evento. A FOLHA destacou alguns destes dados, separados por assuntos:

 

SAÚDE - Conforme dados de 2009, temos no Litoral Norte uma média de 2,5 médicos para cada 1 mil pacientes. 9 municípios possuem índices maior do que o estado nos índices de mortalidade infantil (mas na média, o litoral tem média melhor que o estado). Em relação a Torres, tratava-se do segundo município com mais estabelecimentos de saúde (45, perdendo apenas para Osório, com 69). Hoje, em 2016, provavelmente o número de estabelecimentos é maior ainda. Torres tem também a segunda maior expectativa de vida entre os municípios do Litoral Norte.

 

MEIO AMBIENTE - Há 3 comitês de bacias no Litoral (Do Rio Tramandaí, do Mampituba e do Litoral Médio). Dos 21 municípios da região, apenas 6 possuem legislação específica sobre estudo de impacto ambiental. Em Torres e Arroio do Sal foram destacados registros de desastres naturais, ciclones vendavais e inundações bruscas.

 

SANEAMENTO - Conforme o Senso de 2010, apenas 62% dos DPP do Litoral Norte estão ligados a rede de esgoto (numero menor que a média do RS). Torres é um dos municípios com maior rede coletora e tratamento de esgoto na região. A poluição orgânica, causada pelo despejo de esgotos domésticos sem tratamento nos cursos d'água, vem colaborando para a degradação dos recursos hídricos no COREDE Litoral (e no Estado como um todo)

 

EQUIDADE - Conforme dados do Senso de 2010, Torres e Arroio do Sal possuem o mesmo índice de GINI (0,47) - sendo que, quando mais perto de 0, menos desigual é o local. Pelo levantamento, a cidade de Imbé aumentou muito a desigualdade, sendo o mais desigual junto com Capivari (0,68). Já Caraá  era o município menos desigual (0.39). Já m relação ao IDHM (que mede longevidade, renda e educação), Torres possuí o terceiro melhor índice entre os municípios do Litoral Norte, enquanto Arroio do Sal tinha o sexto melhor. O Índice de Desenvolvimento Socioeconômico - IDESE (Dados de 2013) do Corede Litoral está entre os mais baixos do Estado (23ª posição entre os 28 Coredes) e menor do que o RS (0.747).

 

EDUCAÇÃO - Segundo dados de 2010,  15 dos 23 municípios do Litoral tem mais da metade da população com menos do que o ensino fundamental completo (Torres não está entre estes municípios, mas Arroio do Sal sim). Das cidades da região, Torres está em primeiro lugar relação a quantidade de população com ensino médio completo Nossa média (Litoral Norte) de analfabetismo menor do que a média brasileira, mas maior que a média do RS. Arroio do Sal tinha taxa de analfabetismo de apenas 3,9%(quinto lugar), enquanto Torres possuía quase 10% de pessoas analfabetas.

 

SEGURANÇA - Segundo dados levantados por delegacias em 2014, a média de roubos e furtos no Litoral Norte vem subindo desde 2012, e  estatisticamente (casos por mil habitantes) só perde para a Região Metropolitana de Porto Alegre. Arroio do Sal é a segunda  cidade com maior quantidade furtos e roubos do litoral (58,4 por mil habitantes). Já quanto aos homicídios, a média registrada no Litoral Norte (2,9 por mil habitantes) era maior que a média do RS (2,2 por mil habitantes)

 

ECONOMIA - Entre os 21 municípios da região, Torres possuí o 3° maior PIB,  enquanto Arroio do Sal tem o 12° (Dados de 2010).  O Corede LN tinha 1,8% de participação na economia do RS, e a cidade de Osório possuí 24% da indústria da região (incluindo construção civil). "O crescimento grande na construção civil dos últimos 10 anos deve dar um incremento na posição econômica de Torres e Arroio do Sal dos últimos 5 anos", apontou um dos participantes (dados que ainda não estão tabulados estatisticamente).

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Roda de conversa: críticas e sugestões para melhorar A REGIÃO

 

Após a apresentação dos dados estatísticos do Litoral Norte, foi formada uma roda de conversa entre os participantes e os representantes do Corede LN, com o objetivo elencar críticas e sugestões referentes a diversas áreas de interesse da região. Num bate papo informal - mas importante - várias ideias foram apresentadas.

A área mais debatida acabou sendo o Turismo local. Entre outros pontos, foi destacado que falta fomentar um debate integrado entre os participantes do trade turístico, bem como a  necessidade da formulação de um calendário de eventos também integrado entre os municípios da região. "Falta interesse pela discussão. Política partidária muito forte, atrapalha união entre as cidades", indicou a empresária Clarissa Raupp. Maiores investimentos da iniciativa privada local - bem como a necessidade da atração de investidores de outras cidades para cá, trazendo equipamentos (como parques aquáticos e de aventura, por exemplo)  que qualifiquem o Turismo de Torres e região - foram outras sugestões apontadas.  

Outra temática bem debatida acabou sendo o formato do Festival do Balonismo, que poderia mudar segundo apontaram alguns participantes.  "Trouxemos 51 balões para Torres, mas porque não focar na estrutura para o balonismo? Os grandes shows e a feira comercial são importantes, mas  investimento em estrutura (para o Balonismo) em primeiro lugar. E a questão da saúde? está sendo pensada de forma integrada com os eventos turísticos?" indagou uma das participantes.

A falta de efetivação das políticas públicas apontadas em conferências municipais - pela prefeitura de Torres - também foi apontada como problema. E na mesma perspectiva, os representantes da prefeitura levantaram  questão de uma participação mais efetiva dos Conselhos Municipais para fiscalização das demandas sociais (ressaltando-se, entretanto, a atuação mais ativa dos conselhos de Saúde e Meio Ambiente na cidade). "Na atual gestão, só se usou conselho de turismo (de Torres) quando queria se gerir algum fundo. Aqui em Torres o Secretário é o presidente do conselho, mas isto está errado, pois os conselhos deveriam ser fiscalizadores", indicou um participante. O Fator político foi apontado como barreira também - uma vez que políticas públicas, as vezes, não são aplicadas por terem sido elaboradas em uma gestão passada, de diferente partido político - o que dificulta o planejamento .

 

Saúde, Área Rural e Questões Diversas

 

Presentes no encontro, 2 representantes Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, de Torres, apontaram problemas de estrutura na área hospitalar de Torres - como problema no serviço de pré-natal e falta de obstetras. "Temos apenas 5 leitos de UTI mas somos o único hospital que faz hemodialise na região. Temos uma UTI de 10 leitos prontas mas não podemos acessar (por questão burocrática do Governo). Além disso, é necessário que haja conscientização para usar adequadamente serviços de saúde do SUS por algumas pessoas (irresponsáveis). Por exemplo, recentemente tivemos 51% de ausência nos exames de mamografia - mas o profissional estava lá, esperando para fazer a consulta. Não há necessidade de um novo hospital regional, temos é que qualificar e equipar os que temos", informou a enfermeira que representava o Hospital de Torres.

Na área rural, o representante da Emater, Jânio Pintos, alertou para a falta emissão de notas fiscais para o arroz produzido em Torres. "O Sul de SC acaba registrando, pois a alíquota de ICMS mais baixo por lá. Isso acaba criando evasão de divisas para Torres", disse Jânio, destacando para o pessoal do Corede LN que a banana, o maracujá, o tomate, milho verde e pecuária familiar são os principais itens do setor primário na cidade.

Outras questões diversas foram apontadas pelos participantes: Buscar acessibilidade para idosos;  Investir na questão dos agentes da saúde (e na saúde preventiva, consequentemente);  Buscar sanar a falta de policiamento efetivo (em Arroio do Sal) e a falta de vagas em creches (em Torres). Afinal, a reunião terminou com muitas ideias, que ajudarão o Corede LN na construção de um planejamento estratégico para a região

 

 

 
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