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Torres, RS, 30 de Abril de 2017.

Greve nas escolas: instituições da rede estadual de ensino têm diferentes condutas em Torres
Seg, 30 de Maio de 2016 16:57

 


Alunos da escola Marechal Deodoro fazem manifestação reivindicando melhorias na educação

 

Mesmo que todos desejem melhores condições de trabalho, mais investimentos em educação e reajuste salarial, nem todas as escolas da rede estadual de ensino de Torres aderiram à greve. 

 

Por Maiara Raupp
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A greve dos professores da rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul completou dez dias na quarta-feira (25) sem acordo entre a categoria e o governo do Estado. De acordo com o Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers), mais de 130 escolas gaúchas estão ocupadas por estudantes e professores que pedem melhores condições de trabalho, investimentos em educação e aumento salarial imediato. Ainda conforme o Cpers, cerca de 60% dos professores da rede aderiram a greve, iniciada no dia 16 de maio.

Segundo o secretário da Educação do estado, Vieira da Cunha, para um governo responsável, qualquer reajuste, mesmo que justo, é impossível devido à grave crise financeira enfrentada pelo Estado. “Como que aprovaremos um reajuste salarial, se não temos recursos suficientes para pagar nem a atual folha de pagamento? O que vem acarretando no parcelamento. É inviável, mesmo que seja justo e necessário” afirmou Vieira da Cunha.
O secretário salientou ainda que, em 2015, o governo do Estado fez o maior investimento em Educação da década, totalizando 33,7% da receita líquida. “Queremos demonstrar esses números para os estudantes e pretendemos que eles retomem as aulas o mais breve possível”, esclareceu Vieira a respeito das ocupações nos estabelecimentos de ensino. Uma nova mesa de negociações com o Cpers ficou agendada para a próxima terça-feira (31), às 9h.  

 

Greve nas escolas em Torres 

Torres possui dez escolas da rede estadual, sendo que suas condutas foram diferentes com relação a greve e a orientação do CPERS, mesmo que todos os professores desejem uma melhora na educação como um todo.  
Na Escola Estadual de Ensino Fundamental Manoel João Machado, em São Braz, um comunicado publicado na página do Facebook da escola deixa claro o estado de greve. “Atenção senhores pais e/ou responsáveis, em reunião realizada na sexta-feira (20/05), os professores e funcionários desta escola decidiram entrar em GREVE a partir do dia 24 de maio por tempo indeterminado. Entraremos em contato para novas informações”, declarou a nota. Já na Escola Estadual de Educação Básica Governador Jorge Lacerda as aulas estão ocorrendo normalmente segundo informações da secretaria da escola. “Apenas dois professores entraram em greve e segunda há a probabilidade de mais. Mas as aulas estão sendo realizadas, não comprometendo o andamento do ano letivo”, afirmou a secretaria.
Na Escola Estadual de Educação Básica Marechal Deodoro, em Vila São João, também apenas dois professores entraram em greve, mas os alunos estão fazendo manifestações reivindicando melhorias na educação. De acordo com a direção da escola, na manhã desta quarta-feira (25), alunos do ensino médio realizaram uma caminhada pelo bairro e na segunda-feira (30) realizarão uma assembleia com os pais para explicar o porquê desse manifesto e motivá-los a contribuir.
Na Escola Estadual de Ensino Fundamental José Quartiero, apenas um professor entrou em greve e as aulas estão ocorrendo normalmente. Já a Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Justino Alberto Tietboehl, a greve dos professores é parcial. Cerca de 20% dos professores a aderiram, mas as aulas estão ocorrendo normalmente, já que uns professores substituem os outros.
 
 
Escolas que não aderiram a greve são visitadas para se unirem à causa  

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No Marcílio Dias, alunos 'em greve' apoiam professores

Já no Instituto Estadual de Educação Marcílio Dias, cerca de 60% dos professores entraram em greve, mas a adesão está sendo maior dos alunos, que não estão comparecendo nas aulas. Conforme informações da secretaria da escola, há turmas que possuem apenas dois alunos, tornando impossível que as aulas ocorram com normalidade.
Na página da escola no Facebook, um aluno demonstrou seu descontentamento com a situação da educação e convidou os colegas para se unirem aos professores para protestar.  “No dia 19 de maio eu e mais três colegas do terceiro ano do ensino médio tivemos a ideia da semi ocupação do Instituto Marcílio Dias em forma de protesto contra as atitudes do governo em relação à educação. Ao longo do dia 19 e 20 fizemos uma enquete na escola e constatamos que a nossa ideia foi apoiada por nossos colegas. A semi ocupação da escola irá começar nessa segunda-feira (23) em período normal de funcionamento da escola, mas ao invés de aula os alunos irão desenvolver projetos e planejar os manifestos públicos. Quanto mais força tiver esse movimento, maior e mais rápido será a eficácia do mesmo, assim não interferindo gravemente no ano letivo da escola. A causa é justa e o apoio de pais e alunos é muito importante. Nessa segunda-feira serão confeccionados cartazes e faixas para colocarmos nos muros do colégio, debates e muito mais.Contamos com a participação de todos os alunos”, dizia o aluno.
De acordo com um professor da escola, cerca de 80 alunos estão acompanhando os professores em suas manifestações e assembleias, inclusive nas visitas às escolas que ainda não aderiram à greve. Na próxima segunda-feira (30), por exemplo, será cedido um espaço da tribuna da Câmara de Vereadores de Torres para explanação e reivindicação, onde os alunos participarão. E além disso, será realizado um grande ato em Porto Alegre, onde possivelmente muitos estarão presentes também”, afirmou o professor. Na quinta-feira (26) foi feito uma mobilização na Praça XV de novembro, no centro de Torres.

 

 
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