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Torres, RS, 30 de Abril de 2017.

CULTURA EM TORRES: Um panorama geral na visão de especialistas
Qui, 25 de Agosto de 2016 11:51

FOTO: Território da Arte incentiva não só a arte mas o autoconhecimento por meio dela


Incentivadores da cultura local divulgam iniciativas e falam um pouco sobre a cultura da mais bela praia gaúcha
 

Por Maiara Raupp
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A cultura tem um papel importante para a população e para a cidade. Ela traz um conhecimento e uma riqueza indiscutível. Quando bem trabalhada, pode se tornar algo que faça parte da vida e do cotidiano da sociedade. Além disso, valoriza a cidade e traz retorno financeiro. Diante da importância da cultura para a sociedade, o jornal A Folha entrevistou alguns especialistas para saber o que acham das iniciativas do município nesse aspecto.
De acordo com o músico Jorge Herrmann, a cultura em Torres se manifesta em ações isoladas, sem uma sensação de uma unidade cultural. “São iniciativas, que pela sua persistência, se impuseram diante da inatividade do poder público municipal. Exemplos mais evidentes disso são os projetos levados pela comunidade do Ecos de Angola e pelos abnegados do Cineclube Torres”, destacou Jorge.
O artista falou ainda do Território da Arte, um espaço criado por ele para promoção da cultura. “É uma iniciativa no sentido de criar um espaço onde a reflexão a respeito da nossa realidade contemporânea possa ser feita a partir da força e da energia da arte. O espaço está funcionando há pouco tempo, e já é possível perceber a necessidade de muitas pessoas em se envolver com a sua própria sensibilidade. Estamos vivendo um tempo em que coisas essenciais parecem estar sendo desaprendidas, em meio a uma sociedade brutalizada pelo excesso de tecnologia. A arte questiona e desafia as pessoas a se perceberem. Este é o papel do Território da Arte”, explicou Jorge.
Para o italiano Tommaso Mottironi, idealizador do Cineclube Torres, a cultura em Torres vive um momento singular. “Por um lado existe na cidade uma grande vitalidade por parte de agentes culturais, grupos e artistas que promovem espetáculos, oficinas, encontros; se multiplicam os espaços com vocação cultural, particulares, mantidos com esforço financeiro de forma autossustentável dos próprios gestores, com apoio dos seus utilizadores, um público reduzido, mas fiel e constante. Do outro, se assiste a um imobilismo quase absoluto do poder público municipal que em quatro anos não conseguiu nenhuma realização significativa do ponto de vista cultural, isso apesar da nova lei que criou uma secretaria específica, embora compartilhada com o esporte”, afirmou Tommaso.
O especialista falou ainda que foram arrecadados centenas de milhões nestes anos e uma porcentagem ínfima foi investida em equipamentos e atividades culturais. “Nem foi tentada a participação a editais públicos, muitos deles direcionados exclusivamente a prefeituras e vinculados a políticas culturais específicas. O Fundo Municipal de Cultura, que deveria ser um marco de redistribuição de verbas para projetos, mesmo sendo em termos numéricos bem diminutos, foi fortemente penalizado com atrasos no seu primeiro edital e desde então ficou congelado com uma dotação orçamentária fictícia e enganadora. A realidade é que, contrariando a própria lei, não foi constituído como Fundo depositado em conta bancária, com identidade jurídica própria e vinculado para o fim de financiar projetos culturais, fica então refém da sempre escassa disponibilidade financeira de caixa, relegado a ser um mero numero contábil. O Conselho Municipal de Políticas Culturais, do qual participei, também naufragou pelo autismo e indisponibilidade do poder público de fornecer o necessário suporte para as importantes atividades de inventário e diagnóstico, os primeiros passos para a elaboração do necessário Plano Municipal de Cultura - uma exigência do Sistema Nacional de Cultura, inadiável para pensar o desenvolvimento cultural do município numa perspectiva democrática e aberta”, completou Tommaso.

 

 

Cineclube Torres completa anos


Um Cineclube tem o objetivo de proporcionar um momento de encontro, coletivo e socializante, com obras audiovisuais relevantes e capazes de estimular aspectos sensoriais e a reflexão. “Desde a escola vivenciei momentos de cineclubismo, visto como participação na organização coletiva de eventos cinematográficos e audiovisuais.
Durante muito tempo, com amigos em Torres, planejamos criar uma entidade que pudesse organizar, em caráter permanente e continuado, oportunidades de fruição cinematográfica, sem fins comerciais, mas unicamente culturais e de lazer. Devagar a ideia tomou forma e quase como uma brincadeira começamos com as primeiras exibições. A primeira foi no dia 20 de agosto de 2011. Portanto estamos com 5 anos de história. Desde então, com pelo menos um encontro semanal, excluindo os momentos nos quais nos foi negado, ou tornado indisponível, o espaço público municipal. A inspiração decisiva, como não poderia deixar de ser, talvez veio do próprio cinema, com o filme do Juan José Campanella “Clube da Lua” ( no original “Luna de Avellaneda”, de 2004), sobre um clube cultural e desportivo dos arredores de Buenos Aires”, contou Tommaso.
O especialista destacou ainda que o Cineclube é muito mais conhecido que o efetivo alcance em termos numéricos. “A opção cultural continua na cidade como uma escolha de uma minoria, bem identificada nos públicos de todas as atividades culturais promovidas e colocadas em ato no município. Mas oportunizar cultura é importante mesmo assim, porque é um serviço igualmente essencial para a cidade, assim como educação, segurança e saúde. É por isso que reclamamos junto ao poder público, que mesmo o orçamento da cultura reduzido, deve ser aplicado e usado para facilitar a produção e o acesso a estes bens imateriais”, garantiu Tommaso.
Com relação à importância do projeto para a população torrense, Tommaso disse que a comunidade passa um pouco ao lado do projeto. “A não ser pelo público escolar que atingimos em exibições temáticas isoladas ou em eventos como o do Festival de Cinema e Direitos Humanos, que nos possibilitam um diálogo com as camadas jovens da comunidade escolar de Torres - uma experiência direcionada ao desenvolvimento do espírito crítico e artístico do público alvo. Nas sessões habituais - realizadas nas segundas-feiras, às 20h, no Centro Municipal de Cultura - nosso público é na maioria oriunda da região metropolitana de Porto Alegre, alguns do interior do estado ou da serra gaúcha”, ressaltou ele.

 


Cineclube Torres voltará a funcionar?


O frio intenso foi só um dos motivos da parada do projeto. Conforme explicou Tommaso, a sala nunca teve aquecimento e mesmo assim não foi deixado de exibir os filmes em anos anteriores. “Só que, desde março deste ano, o ar condicionado da sala, que só servia para resfriamento do ar, deixou de funcionar por completo. Nós reinvindicamos verbalmente uma ação da parte do município para a substituição do equipamento por outro que conseguisse também aquecer o ambiente devido ao inverno rigoroso. Protocolamos um pedido formal sobre esta questão ainda em junho, mas que até esta data permanece sem resposta por parte da Secretaria da Cultura e do Esporte, da prefeita e da Câmara de Vereadores. Esta pressão junto ao poder público não está tendo qualquer resultado prático e, infelizmente, temos que dizer que esta luta não chegou a mobilizar outros agentes e promotores culturais. É uma pena, porque em breve, chegando o verão teremos uma sala praticamente inutilizável pelo calor”, desabafou Tommaso, acrescentando ainda que foi apontado no ofício enviado aos responsáveis uma solução para o problema. “Na eventual falta de verba disponível para o efeito, sugerimos a utilização da verba remanescente do Fundo Municipal de Cultura previsto para o 2015 (que soma cerca de R$ 70 mil reais) para providenciar a instalação de um novo sistema de ar condicionado, nos moldes indicados anteriormente, propiciando assim condições favoráveis ao uso do Centro Municipal de Cultura, beneficiando público e artistas de todas as áreas culturais (Música, Dança, Teatro, etc.), durante todo o ano”, completou.

Soluções para cultura local
 

 

Segundo Tommaso, uma das soluções para a cultura de Torres é pensar e colocar em prática estratégias de investimento e valorização da produção cultural no município, apoiando as atividades que já estão consolidadas e em execução, planejando e atuando diretamente em outras, com o objetivo de valorizar a cidade como destino turístico, que é uma das suas inegáveis vocações econômicas. “De fato é comprovado que a qualificação da oferta cultural de uma cidade é um fator importantíssimo para seu desenvolvimento turístico, mas não esquecendo também o enorme potencial de crescimento humano que a cultura proporciona”, finalizou Tommaso.

 


Musi&Tae promove a formação cultural das futuras gerações


Musi&Tae promove cultura e esporte com cerca de 70 crianças e adolescentes 

O projeto Musi&Thae, que  atende cerca de 70 crianças e adolescentes, é uma iniciativa desenvolvida gratuitamente por músicos torrenses e por um professor taekwondo. A ideia inicial, que era de formar uma orquestra popular de instrumentos baratos e posteriormente agregou aulas de taekwondo, foi aceita prontamente pela prefeita Nílvia Pereira e pela Secretaria de Cultura e Esporte. A iniciativa, que está tendo uma grande aceitação da comunidade, é subsidiada pelo Fundo Condica, cujo recurso é destinado para a compra de equipamentos e para os salários dos profissionais. 
De acordo com o mestre em música Luis Fernando Rayo, a participação dos jovens tem sido enorme. “Oferecemos gratuitamente aulas de música com vários instrumentos como escaleta, teclado, piano, violão, violino, baixo elétrico, violãocelo, bateria, percussão e flauta doce. O repertório varia entre erudito e música popular. As aulas estão sempre abertas para novos estudantes. Queremos incentivar a cultura local”, garantiu Luis.
O músico falou ainda que estão muito felizes com os convites que recebem para se apresentar em eventos. “Já participamos de muitos eventos importantes em Torres e na região, como a passagame da Tocha Olímpica, natal, balonismo, aniversário do município, e isso nos deixa muito contentes”, concluiu ele, deixando ainda o número do telefone caso algum aluno tenha interesse em iniciar as aulas. “Meu número é 8610-2765 e do professor Rogério 8648-4999. Só ligar e se informar. Aproveito a oportunidade para convidar a todos a prestigiar nossa próxima apresentação no dia 27 de agosto durante a abertura dos jogos escolares de Torres”, concluiu ele. 
Sobre a cultura de Torres, Luis Fernando garantiu que a área tem evoluído no município. “A cultura de Torres tem melhorado. Já tem cinema, que antes não tinha. Tem a Casa de Cultura que promove algumas iniciativas como shows e teatros. Mas com certeza acho que poderia evoluir mais. Seria bom se tivesse um teatro, uma concha acústica – para atividades culturais ao ar livre com acesso facilitado do público – um maior estímulo para que o público compareça", finalizou.

 

 

 

 

 
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