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Torres, RS, 30 de Abril de 2017.

DEBATE NA RÁDIO MARISTELA: Candidatos discutem sobre rumos para mudanças em Torres
Sex, 09 de Setembro de 2016 15:22

 

Da esquerda para a direita: Carlos Souza (PP), Padre Leonir (comunicador da Maristela AM),

Marzinho (Psol) Alessandro Bauer (PMDB) e Márcio Gente Fina (SD) 

 

Por Fausto Júnior*

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Na manhã da última quinta-feira, dia 8, a rádio Maristela (com apoio do Jornal A FOLHA) realizou o primeiro dos dois debates planejados para acontecer nos estúdios da rádio torrense, emissora que consegue alcançar o centro e o interior do município e possui ouvintes interessados em cidadania  (como o Jornal A FOLHA). Os quatro candidatos a prefeito de Torres tiveram oportunidades de mostrar quais suas ideias para a cidade e quais são as críticas dos mesmos aos projetos e biografias dos seus oponentes.

Alessandro Bauer Pereira representou a coligação encabeçada por seu PMDB em parceria com PSDB, PSD e PR. Carlos Souza representou a coligação que repete a situação partidária do atual governo Nílvia, mas representando o PP - coligado com PDT (vice), PT, PTB, PPS (recém integrado) e Rede. Marcio Gente Fina representa o partido Solidariedade (SD), que está coligado com PEN (vice) e com PRB. Já Marzinho representa o PSOL, que tem chapa pura, sem coligações partidárias.

O debate foi bastante dinâmico. Houve perguntas de todos para todos, o que gerou vários blocos no programa -  coordenado pelo comunicador e Padre Leonir Alves. Mas o que ficou por tema de fundo foi a briga entre as quatro representações para tentar mostrar “quem representa a mudança” nos rumos da gestão pública torrense. É que as duas chapas de partidos menos tradicionais na política torrense (Solidariedade e PSOL) defenderam que são eles os portadores da novidade em Torres - conforme afirmaram Gente Fina (SD) e Marzinho (PSOL). Mas o PMDB de Alessandro se coloca também como a mudança, criticando o governo Nílvia (que governa Torres desde o começo de 2013) e lembrando que o PP, representado por Carlos Souza, faz parte do atual governo, assim como os outros partidos da coligação (que uniram-se ao PP). E até a candidatura de Carlos Sousa (PP) se coloca como “a mudança”. Carlos diz que, por ele ser empresário e seu vice, Fábio Amoretti, também não ser político, "a chapa representa a mudança para Torres”, mesmo tendo a mesma configuração partidária do governo de Nílvia Pereira (atual).

 

 DISCUSSÃO MAIOR EM TORNO DE PMDB E PP

 

As propostas de governança e as criticas sobre as políticas públicas acabaram ficando mais presentes entre a representação da chapa do PP (Carlos Sousa) e do PMDB (Alessandro Bauer). É que as perguntas feitas pelos oponentes dos partidos, que nunca estiveram no poder na cidade, acabaram sendo com intuito maior de mostrar que eles (novos partidos) eram a mudança, atacando as duas chapas dos partidos que se revezam no poder em Torres  (PMDB, que governou 8 anos com João Alberto, e PP, que esteve junto com Nílvia Pereira nestes últimos anos).

Carlos Souza defendeu sua candidatura tentando mostrar que, conforme afirma, “não representa a continuidade do governo Nílvia”. Ele tratou de projetar para frente suas indagações, tanto de perguntas quanto de respostas. Mas Alessandro discorda e afirma peremptoriamente “que o PP do candidato Carlos Sousa representa a continuidade do governo Nílvia”, o atual em Torres.

 

ESTACIONAMENTO ROTATIVO É TEMA DE EMBATE

 

 Carlos procurou perguntar para o candidato do Solidariedade (Márcio Gente Fina) sobre suas propostas para geração de emprego para Torres, por exemplo. Recebeu uma critica como resposta, onde Marcio Gente Fina acusa que o governo Nílvia têm expulsado empreendedores por falta de simples pagamento de alvarás; mas Carlos  aproveitou a deixa e mostrou que seu projeto para esta área de governo é o de “fomentar um distrito industrial para a cidade e trazer mais Turismo”, principalmente durante o ano.

Em embate com Alessandro, Carlos Souza perguntou sobre o Estacionamento Rotativo, alegando que o candidato do PMDB “não estava sendo claro em seus posicionamentos", alegando nas redes sociais que não quer o sistema, mas tendo dito que estudaria ele em novo formato em entrevista na rádio Maristela.

Alessandro manteve sua afirmação de que não vai implantar estacionamento em seu governo, se for eleito, assumindo que havia afirmado que estudos deveriam ser feitos, mas que a implantação não seria NESTE governo. Carlos Sousa aproveitou e disse que “a cidade está dividida perante a aprovação do Rotativo”, por isto acha que o sistema deve ser reavaliado.  No entanto, deixou claro que ele e seu partido foram "contra a forma feita da implantação pelo governo Nílvia”, mesmo após sua agremiação e a base apoiarem o sistema (em votação na Câmara).

 

"O MELHOR BALONISMO DE TODOS OS TEMPOS"

Já respondendo ao ataque de Alessandro, após o peemedebista afirmar que o PP esteve no governo Nílvia todo o tempo, e  acusar que o próprio candidato Carlos Souza não fez nada como secretario de Turismo (em 2013) - cargo que após foi preenchido pelos também pepistas Ataualpa Lumertz e Vivian Rocha (até há pouco tempo) -  Carlos Souza respondeu com firmeza. Ele disse que se responsabiliza pelos meses que esteve a frente da pasta: “Realizei o maior Festival de Balonismo, com quatro shows nacionais e economizando dinheiro perante os gastos do governo anterior” festejou Carlos. “Depois tivemos falta de verba do governo estadual e federal”,  disse o pepista,  acusando o PMDB de Alessandro  de não repassar recursos para Torres. Alessandro, seu oponente, não concordou e responsabilizou o PP por má gestão do Turismo, afirmando que  turismo é investimento nos pontos turísticos. “Turismo não é só balonismo”, disse Alessandro contra seu oponente Carlos, cobrando mais ações em infraestrutura do governo atual, onde o PP  faz parte do governo.

Sobre seu vice, o médico Fábio Amoretti, Carlos Souza (PP) recebeu ataques de Alessandro (PMDB) e de Marzinho (PSOL).  Carlos Souza respondeu que confia em seu vice, Fábio, mantendo sua afirmação pública de que “ninguém entende mais de Saúde Pública que um bom médico”.  Marzinho respondeu criticando esta “certeza” de Carlos. Para o candidato do PSOL, "Torres já teve duas gestões feitas por médicos e nenhuma delas foi positiva na Saúde”.  Já o oponente principal de Carlos, Alessandro, acha que Fábio Amoretti não vai ter tempo profissional para ser secretário da Saúde de Torres. “Não acredito que um médico cheio de compromissos vá largar sua profissão para ganhar R$ 6 mil como secretário”, questionou Alessandro, ao falar sobre Saúde com o pepista Carlos. “Vou contar com suas diretrizes e parceria”, respondeu Carlos a Alessandro.

 

VAGAS EM CRECHES E REDUÇÃO DE SECRETARIAS

 

O concorrente pelo PMDB, Alessandro Bauer, aproveitou a oportunidade de pergunta ao candidato do PSOL para atacar a falta de vagas em Creches da atual prefeitura - da qual seu oponente Carlos (PP) faz parte, insistiu sempre o peemedebista. É que Marzinho, em sua propaganda eleitoral, promete Creches em Torres das 7 horas da manhã até às 7 horas da noite.  Alessandro perguntou o que Marzinho achava do sistema atual.

Marzinho respondeu que acha que o governo atual trabalha com horário até às 5 horas da tarde nas creches, demonstrado, para ele, que as vagas são somente para “quem não trabalha ou é político”. Mas o candidato do PSOL disse que isto acontecia também no governo do PMDB, anterior ao atual. Alessandro fez a réplica lembrando que o sistema (de educação infantil) está na justiça e que o seu governo vai trabalhar para cumprir as metas do Plano Nacional de Educação - o que, para Alessandro, “não está sendo feita pelo atual governo, do PP e do PT, que está no poder”. Marzinho concordou, lembrando que, para ele, o sistema atual é ruim. afirmou. “Beira ao absurdo o fato de uma mãe, para ter vaga na creche, ter de buscar acionar o Ministério Público. Mas há 12 anos que isto é assim”, disse.

Alessandro também aproveitou sua pergunta para o candidato Marcio Gente Fina (SD), sobre as despesas com CCs na prefeitura, para apresentar seu plano. Na pergunta, o peemedebista criticou o atual governo de utilizar quase 54% o percentual do pessoal sobre a Folha de Pagamento, acusou o governo Nílvia (sempre vinculando o PP ao governo atual) de ter dobrado o número de CCs (Cargos de confiança) em relação ao governo anterior, do PMDB; e perguntou qual a estratégia do governo do Marcio (SD) para Torres.

Igualmente, Marcio respondeu criticando: mas criticando tanto o governo atual quanto o governo anterior (de João Alberto no PMDB, do qual Alessandro participou) por ter muitos CCs. Para Gente Fina “interesses partidários vem sendo sempre colocados acima de interesses da cidade”

Alessandro respondeu com a mesma afirmação. “Se tu achas que o governo anterior tinha muitos CCs, imagino o que tu achas do atual, que dobrou”, brincou o peemedebista. Alessandro, aí, afirmou mais uma vez que vai diminuir secretarias, aproveitar os recursos bons dos servidores de carreira e, principalmente, salientou que "não vai deixar que partidos e coligações tomem conta dos recursos da prefeitura com cargos”.

 

ACUSAÇÕES AO GOVERNO ATUAL E ANTERIOR

 

 No confronto direto com Carlos, o oposicionista vereador Alessandro se defendeu bem e atacou seu oponente do PP. Carlos Sousa chamou Alessandro de Político de Carreira e atacou o governo anterior de ser gerador de aumento de imposto. Alessandro respondeu afirmando que, para ele, ser vereador não se trata de ser político de carreira. Disse que aproveitou sua fase de vereança e avaliou as ações de vários outros municípios onde o PMDB administra, pegando bons exemplos para aplicar em seu Plano de Governo aqui em Torres.  Carlos criticou as condenações na justiça do ex-secretário de Turismo no governo João Alberto (do PMDB) e Alessandro atacou Carlos, ironizando sobre o processo na justiça contra o secretário do atual governo Nílvia,  governo que sofre ação pela contratação da banda Oba Oba Samba House de forma irregular (no réveillon 2013-2014).  Alessandro, nesta hora, acusou frontalmente o Partido Progressista “de ser a continuidade, de ser o 13 disfarçado de 11 (referência aos números das legendas do PT e PP, respectivamente)”.

Carlos respondeu, aceitando o fato do processo pela contratação da banda Oba Oba.  Mas criticou de volta, acusando o ex-governo do PMDB (2005/2012) de ter ações na justiça, inclusive com condenações  relacionadas a falhas parecidas com as acusações contra a contratação do Oba Oba pelo governo atual (no caso, superfaturamento). Alessandro respondeu que não se responsabiliza por processos anteriores.

 

SAÚDE E PARTICIPAÇÃO

 

Numas das perguntas diretas de Alessandro para Carlos Souza, o peemedebista criticou Fábio Amoretti (o vice da chapa do seu oponente do PP) de não participar das reuniões do Conselho de Saúde da cidade, conselho do qual o candidato Alessandro é membro e participante ativo, conforme afirma.

Carlos respondeu que Fábio Amoretti vai coordenar a estratégia de Saúde. Ele acha que o problema é de gestão. Mas diz que acha importante a participação dos Conselhos no processo de decisão, não sabendo bem o motivo de seu vice não estar indo às reuniões. Alessandro respondeu de forma confrontadora, dizendo que “não viu convicção na resposta de seu interlocutor”.

 

GENTE FINA COM PROPOSTA DE DIFERENCIAÇÃO

 

Em suas entradas nas perguntas e nas respostas, o candidato do Solidariedade Marcio Gente Fina não chegou a colocar algo de forma estruturada com plano de governo. O empresário também defendeu (como Carlos Souza) o fato de não ser político como "diferencial positivo" e muitas vezes procurou atacar as duas administrações de Torres: a atual, onde o PP de Carlos faz parte; e a anterior, na qual o PMDB de Alessandro administrou Torres por oito anos.

Num determinado momento, onde Marzinho e Marcio debatiam, ficou clara a vontade do candidato do Solidariedade (coligado com PEN e com PRB neste pleito), de mostrar para o ouvinte do debate da rádio Maristela que, para ele, o novo é sua proposta ou a do candidato do PSOL. “Na Educação eu quero mudar isto que está aí agora. Nem sei o que o governo do PMDB fez no seu tempo, mas eu vou implantar no mínimo mais duas escolas de primeiro grau em Torres, pois a cidade vizinha de Arroio do Sal está levando gente daqui para estudar lá” diz Gente Fina na conversa com Marzinho. “Tá na hora de melhorar, de deixar de ficar desfilando em carros comprados com o dinheiro público e trabalhar: buscar recursos e parcerias”, disse. “Nos últimos 12 eles não viram isto, os dois que administraram Torres”, acusou Marcio, do Solidariedade.

Em quase todos os outros momentos, o candidato do SD atacou as duas administrações. Atacou mais a atual, mas sempre deixou claro que sua mensagem era de criticar os últimos governos, onde PT, PP e PMDB estavam administrando (direta ou indiretamente). Em outro momento do debate, também em quadros onde ele e Marzinho do PSOL eram os protagonistas (faziam perguntas e davam respostas), Marcio criticou a política de fomento às indústrias em Torres de forma generalizada.  Perguntou a Marzinho o que ele faria para Indústrias. O candidato do PSOL respondeu que, para ele, nos últimos doze anos, a prefeitura tem se mostrado contra os empreendedores”. “É uma burocracia que não tem mais fim”, reclamou Marzinho. Foi quando Marcio Gente Fina aproveitou e criticou de forma generalizada, PMDB e PP, os oponentes principais. “Em nosso programa também temos projetos para aproximar o setor produtivo, mas os dois que já estavam não fizeram e não vão fazer, não fizerem pelo menos nos últimos vinte anos” acusou o candidato do Solidariedade.

 

MARZINHO SE DEFINE “UM INCONFORMADO”

 

Já o candidato do PSOL à eleição, utilizou bem o debate para colocar-se como uma opção que luta pelos eleitores que cansaram de promessas.  Ele, numa de suas participações perguntou ao candidato do PMDB, Alessandro Bauer, sobre a possibilidade de sair uma espécie de Polo Industrial na cidade. Alessandro respondeu criticando o governo atual de “não ter levando adiante a aprovação do Plano Diretor”. Para o peemedebista, a área onde se projeta um polo é na margem da BR 101, local onde ele tem a  ideia de fazer o fomento para que indústrias de fora venham para Torres. Marzinho, que é fabricante de móveis, criticou a atitude (que é plano do governo também de outros candidatos). “Um polo Industrial vai matar a pequena indústria de Torres” criticou.

Noutro momento do debate, Marzinho confrontou Carlos Souza sobre Mobilidade Urbana. Quando Carlos (PP) respondeu que irá concretizar a nova entrada na zona sul da cidade, saindo da Avenida Independência, Marzinho rechaçou: “Há cinquenta anos que os partidos tradicionais prometem esta nova entrada. Portanto, acho que se continuar assim terão de passar mais cinquenta anos”, satirizou o candidato do PSOL. Marzinho defende a tese de educação para todas as crianças durante todo o dia, para deixar que as mães possam trabalhar com segurança.

Na parte final do debate, o candidato do PSOL afirmou que tem plano para todas as áreas, e que se considera “um indignado como o ouvinte”, sugerindo que o povo está indignado.

 

 

OUTRO DEBATE OCORRE  NO DIA 29

 

Novo debate na Maristela ocorre no dia 29 de setembro, dois dias antes do pleito. Desta vez o aproveitamento foi bom: as acusações mais ferrenhas foram educadas e civilizadas, mas a questão que ficou no ar é que todos se colocam como atores da mudança. Cabe ao eleitor saber quem realmente ele vota e quem realmente ele acha que representa a mudança ou a continuidade, conforme seu gosto.

 

 

*Editado por Guile Rocha

 
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