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Torres, RS, 30 de Abril de 2017.

MARCA NEGATIVA: Hoteis em Torres ficaram com quartos desocupados no Réveillon
Qui, 12 de Janeiro de 2017 23:15

 

Na imagem, hotel A Furninha (que teve movimento muito abaixo do esperado no Réveillon) e hotel Encantos Torres (d)

 

Por Fausto Júnior

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O período da virada de ano em Torres movimentou as ruas e as praias da cidade como sempre movimenta, mas, após avaliação preliminar feita por A FOLHA - no setor de hotelaria local e da região do Litoral Norte gaúcho - a conclusão que se chega é que a crise econômica e política (brasileira e gaúcha) definitivamente chegou ao setor de turismo de verão. Um panorama diferente do ano de 2016, quando as visitas em massa dos argentinos salvaram a tendência de baixa do movimento que já havia à época.

 

TURISMO POPULAR BAIXOU PELA METADE 

 

Conforme informou para a reportagem do jornal o agora ex-vereador Jaílton Miguel, o Nego, que também é empresário do trade do turismo da cidade - há 20 anos trabalhando com o chamado Turismo Popular (pessoas das classes mais baixas e que viajam em excursões) - “o movimento neste período de virada do ano ficou 50% do movimento do mesmo período do réveillon de 2015/2016”.  No entanto, o mesmo empresário, dono da Pousada Jéssica, ao avaliar as projeções e usar sua experiência neste setor da hotelaria popular, acaba apostando numa reação do movimento até a metade de março. “No verão passado o veraneio durou 40 dias, neste ano pode durar até 70 dias, pois o carnaval termina no início de março”, explica o ex-vereador Nego. “Acredito que esta queda forte neste início de verão possa ser recuperada com esta esticada de temporada”, aposta o empresário.

 

HOTÉIS FICARAM OCIOSOS NO DIA 31

 

A FOLHA também conversou com alguns empresários de hotéis da cidade, além de ouvir informalmente outros vários hoteleiros ao longo destas duas semanas que se passaram entre o período do pré-réveillon e esta edição do jornal (quinta-feira, 12). Conforme Danilo Raupp, diretor proprietário do hotel A Furninha, o movimento ficou abaixo do ano passado. “Foi a pior virada de ano dos últimos 20 anos”, reclamou o hoteleiro. Ele lamenta o fato de todos os hotéis da orla ficarem com quartos sobrando no dia da virada, o que nunca havia acontecido, pelo menos desta forma generalizada. Outro fato que prova a baixa do movimento elencada pelo empresário é a baixa das tarifas. “Tivemos que operar durante o réveillon com tarifas normais, quando em anos anteriores elas são bem maiores no pacote que inclui a virada de ano”, explica, se referindo sempre à categoria dos hotéis, com a qual ele mantém contato.  

 Para Danilo, o problema se explica por três fatores: 1) Somente 60% dos argentinos estão efetivamente chegando à cidade em relação ao ano passado. Para Danilo, isso ocorre “por conta da crise econômica que se instala também naquele país, muito parecida com a crise brasileira e gaúcha"; 3) A crise brasileira pegou todos do país e gera diminuição natural do movimento; 3) Os gaúchos, clientes mais expressivos da hotelaria local, estão sofrendo pelo parcelamento de salários dos servidores do Estado do RS e do não pagamento do 13º Salário dos mesmos servidores. Para Danilo “este problema gera encolhimento de movimento para todos, pois, além de pegar toda a categoria de servidor público estadual, a falta da circulação desta quantia de moeda no Estado prejudica vários outros setores que dependem, direta ou indiretamente, desta massa salarial afetada pela crise nos cofres do governo RS”.

Para o mesmo empresário (proprietário do Hotel A Furninha), a preocupação da classe hoteleira de beira de praia é com o mês de fevereiro. “ Janeiro está lotando em geral, mas o que preocupa é fevereiro, historicamente um mês ruim para o veraneio gaúcho”. Ele lamenta, ainda,  que Torres não colabora quando se fala em obrigações da prefeitura. “ Além da cidade estar atirada no que diz respeito à  manutenção dos equipamento de beira de praia ( lixeiras, calçadas, iluminação), parece que o lugar virou   terra de ninguém, o que denigre a imagem local para os turistas e veranistas, além de incomodar como sempre os comerciantes”, encerra o empresário hoteleiro.

 

CÂMBIO DEFINE PODER DE COMPRA DOS ARGENTINOS

 

Outro diretor da hotelaria Torrense, Euclides Rodrigues, o Kidinho – que é dono de uma pousada na beira da Praia Grande - também lamenta a baixa do movimento, para ele acontecida em todos os estabelecimentos de hotelaria da cidade. “Vários hotéis de beira de praia ficaram ociosos em até 20% (no período de Réveillon)”, diz o hoteleiro.  Para ele, o problema de Torres é estrutural e vem de vários anos. “O coletivo da cidade esta sendo trabalhado para que Torres seja um local muito popular, o que tem afetado o movimento da hotelaria local", explica Kidinho, que continua: “Além disto, a cidade se mantém sem nenhum instrumento que a defina como uma cidade que planeja o Turismo, e estamos cada vez mais sentindo as consequências desta falta de visão”.

 Mas neste ano, conforme avalia o mesmo hoteleiro, a presença dos argentinos, que nos salvou no ano anterior, está se comportando conforme o poder aquisitivo da moeda dos visitantes, refletido pelo câmbio. “No ano passado eles tinham a relação do dólar que era de quatro reais para um dólar, já neste ano o câmbio está em três reais para um dólar, o que diminui em quase 30% o poder aquisitivo dos Hermanos”, avalia o hoteleiro torrense.  

 

  PRESIDENTE DO SHRBS SUGERE MAIS MÍDIA 

 

Para Ivone Ferraz, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes Bares e Similares do Litoral Norte (SHRBS), a região se comportou da mesma forma que Torres em princípio. “Foi um réveillon atípico em relação aos anos anteriores. Tivemos quase a 90 % de ocupação, mas só com 60% de pacotes fechados. Quem chegou a 100% foi de última hora”, reclama Ivone. Os motivos alegados pela presidente do sindicato dos hoteleiros foram os seguintes: 1 - Não houve feriadão no réveillon; 2 - Aumento expressivo dos preços neste período. “Penso que deve ser um alerta para os valores de diárias que alguns estabelecimentos estão cobrando, assim como foi um alerta para mostrar que temos de nos preparar melhor coletivamente, através de mídia e outros atrativos adicionais”, aconselhou a sindicalista.

 Os argentinos corresponderam a 30% do movimento de réveillon, invertendo para 70% nestes primeiros dias na ocupação da hotelaria. Mas Ivone Ferraz avalia que Florianópolis é a cidade que está conseguindo rentabilizar as vantagens do câmbio para a vinda dos argentinos para o sul do Brasil, no Verão. “Até o jornal argentino La Nacion fez reportagem de capa mostrando as vantagens do povo de lá aproveitar o Câmbio favorável e gastar bem viajando para lugares paradisíacos, mas mostrando como cenário a cidade de Florianópolis”, exemplifica Ivone. “Acho que Torres poderiam aproveitar este tipo de estratégia e colocar a cidade nas páginas de jornal e outras mídias, pois o argentino lê e confia muito em mídias tradicionais e nossas belezas também são paradisíacas”, sugere a sindicalista Ivone Ferraz.

Quanto às expectativas para o futuro, a presidente do SHRBS LN vê com otimismo as próximas semanas. “O veraneio está indo normal e nada de expressivo pode reconhecer uma efetiva queda. E vale lembrar que nosso oceano está mais quente, que o verão vai ser longo e com temperaturas altas e que o dólar alto favorece viagens curtas e econômicas”, projeta a otimista sindicalista. 

 
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