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Torres, RS, 26 de Abril de 2017.

Da greve (que virá) a situação das maiores escolas estaduais em Torres
Sex, 10 de Março de 2017 17:58

Ainda não se sabe exatamente como vai ser a adesão dos professores da rede estadual de Torres na greve. De qualquer forma, as direções seguem trabalhando para planejar o ano letivo e levar adiante o conhecimento transmitido nas salas de aula. Na imagem, começo das aulas no colégio Jorge Lacerda

 

Por Otávio Hoffmann

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As dez escolas da rede estadual de ensino de Torres voltaram às aulas na última segunda-feira, 6 de março. Em meio às expectativas para o ano letivo, professores aprovaram greve, em Assembleia Geral em Porto Alegre, por tempo indeterminado a partir do dia 15 de março (próxima quarta-feira). Esta paralisação também ocorre em outros estados, convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Entre os principais motivos do movimento estão os pacotes de medidas dos governos Temer e Sartori, e o questionamento as reformas da Previdência, trabalhista e Ensino Médio.

 

Situação das maiores escolas estaduais em Torres

 

Ainda não se sabe se todos os professores de Torres vão entrar em greve. Sabe-se que, caso isso ocorra, mais de 4 mil alunos deixarão de frequentar a escola e ficarão sem nada para fazer, em casa ou na rua. De qualquer forma, as direções seguem trabalhando para planejar o ano letivo e levar adiante o conhecimento transmitido nas salas de aula.

No Instituto Estadual de Educação Marcílio Dias, escola com o maior número de alunos em Torres, com mais de 1,2 mil estudantes, o diretor Ricardo Santos teve que readequar algumas salas de aula devido a reformas estruturais em 12 destas, além da cozinha e do refeitório. Mesmo assim, Santos se orgulha ao dizer que a procura pela escola é muito grande.

“Se tivéssemos mais duas ou três salas de aula, eu teria mais alunos, porque tem muita procura. As pessoas sabem que nosso ensino é bom e querem estudar aqui”, afirma o diretor com sorriso no rosto.

Espaço para mais alunos é também um dos problemas da escola, que tem em média 37 alunos em cada turma, quando o ideal é um máximo de 30. Isso faz com que os estudantes também sofram muito com o calor. As salas de aula tem apenas um ventilador. “A Coordenadoria (Regional da Educação) faz um cálculo pela metragem de sala. Aqui, o ideal seria 30 alunos por sala. Com esforço, nós conseguimos dar conta”, alega Santos.

Este ideal é atingido em outra escola estadual de Torres, a Escola Estadual de Educação Básica Governador Jorge Lacerda, que também possui mais de mil alunos. Segundo as supervisoras Nereia Pacheco e Cristiane Vieira, a média por turma é de 30 alunos. Além disso, destacam a interdisciplinaridade - com mostra de trabalhos, projeto literário e também a semana Farroupilha - como pontos positivos da escola. “É importante para que os alunos tenham vontade de vir à escola, de aprender”, diz Nereia, que afirmou também que neste ano essas atividades serão feitas com mais frequência, a fim de engajar os alunos.

Já Ricardo Santos, diretor do Marcílio Dias, que assumiu a direção da escola em outubro do ano passado, demonstra motivação para inovar no ensino da escola, tentando coisas novas, mesmo sem saber se vai dar certo. “Quero colocar a escola em um patamar de destaque, principalmente no ensino médio, com Enem e vestibular. O nosso foco, apesar de estar também na educação básica, deve ser o ensino médio”. Além disso, o diretor já estuda a ampliação dos cursos técnicos, que hoje oferece o Curso em Edificações.

Otimista, Santos vê com bons olhos a reforma do Ensino Médio, tão polêmica e pauta da greve estadual que está por vir. Ainda que esteja em fase inicial de discussão entre a Coordenadoria e as escolas, ele se diz favorável a mudanças. “Tudo que é para melhorar é válido. A única dúvida é como essa mudança vai ocorrer em nossas escolas. Mas para isso ainda há tempo”.

 

Expectativas

 

A participação dos pais é também algo necessário nas escolas. Por isso Tatiane Felau, mãe de dois alunos do Marcílio Dias, acompanha de perto o desempenho dos filhos. “Eu procuro acompanhar, saber das notas. Mas eles são tranquilos, não dão trabalho”, disse ela enquanto esperava o mais novo, do 6º ano. Seu filho mais velho, Nicolas, está no 9º ano. Mesmo assim, já pensa em fazer arquitetura quando sair da escola. Mas quando perguntado se gosta de estudar, ele é sincero. “Eu não gosto muito de estudar, mas sou esforçado, tenho boas notas”, afirma o garoto, que espera que esse ano seja de boas notas para passar ao ensino médio.

O que se imagina é que nem Nicolas, nem outros alunos, esperam virar o ano mais uma vez estudando, como foi feito ano passado por causa de greve. Mais uma vez se aproxima um momento de paralisação nas escolas. Com isso, milhares de estudantes ficarão ociosos, à mercê dos malefícios da rua e da falta de estudos.

Sabe-se que superar os salários atrasados e, consequentemente, o desânimo dos professores, é o principal desafio. Mesmo assim, pelo relato dos seus profissionais, as maiores escolas de Torres apresentam boa estrutura, quadro de professores completo e planos para melhorar a educação cada vez mais. Se a greve não atrapalhar muito, isso deve ser possível. 

 

 
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