Conhece-te a ti Mesmo

5 de março de 2011

Para algumas pessoas a consciência emocional pode ser esmagadora, enquanto para outras mal existe, e, diferenças a parte, a vida emocional é mais rica para os que se observam mais. Algumas pessoas têm maior ou menor sensibilidade emocional, ou seja, maior ou menor tolerância a sentir angústia, sentimentos desagradáveis. Para lidar com eles, podem lançar mão de mecanismos defensivos de congelamento ou um alheamento contra o risco de afloramento destes sentimentos ameaçadores e desagradáveis. Para estas pessoas, a menor provocação (frustração) pode desencadear vendavais emocionais a ponto de se desorganizarem ou em outros momentos, quando mais defensivas, mal experimentam qualquer sensação, mesmo nas circunstâncias mais angustiantes.  

 A vida pode se tornar incolor, sem graça, empobrecida de afeto, entediante, maçante, vazia, pela incapacidade destas pessoas se afetarem, vibrarem, se emocionarem com as experiências cotidianas. Este esfriamento emocional causado pela estrutura rí­gida defensiva exemplifica o que chamamos na psicanálise de alexitimia, do grego a (ausência), lexis (palavra) e thymós (emoção). Faltam a estas pessoas palavras para descrever ou identificar seus sentimentos. Na verdade, parecem faltar-lhes sentimentos, embora isso talvez se deva mais í  sua incapacidade de manifestar emoção do que uma completa ausência dela.  

  Essas pessoas foram inicialmente consideradas pela psicanálise como intratáveis, já que não comunicavam seus afetos, fantasias, em suma, nenhuma vida interior. Mas de lá pra cá, a psicanálise veio desenvolvendo um novo método especifico para tratar este perfil de paciente, considerado hoje psicossomático ( as emoçíµes inconscientes, por não encontrarem escoamento via palavra,   buscam uma expressão, uma saí­da, não verbal, na via corporal, através de somatizaçíµes; adoecimento fí­sico).Tais pessoas têm dificuldade para discriminar emoçíµes e distinguir entre emoção e sensação fí­sica, de modo que descrevem problemas estomacais, palpitaçíµes, suores, como simples eventos independentes fí­sicos, e não saberiam que estariam, por exemplo, ansiosos. Não é que os alexití­micos não sintam (podem e geralmente sentem, sofrem via corporal, através de queixas fí­sicas que encobrem alguma emoção reprimida não sentida e verbalizada), mas não sabem o que   sentem, não conseguem identificar, nomear, falta-lhes autoconsciência (podendo ser desenvolvida, construí­da com psicoterapia, ou análise). Evitam a todo custo experimentar seus sentimentos, pois isto causaria uma sensação de desmoronamento, devido a uma fragilidade de seu próprio psiquismo (Eu).

   A confusão básica sobre os sentimentos muitas vezes parece levá-los a queixar-se de vagos problemas médicos (exemplo: estou com problema de nervos), quando na verdade sofrem de angústia emocional. O indiví­duo toma como fí­sica a dor que no fundo é emocional.      


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