O VALE SAGRADO DO MAMPITUBA

"Agora, como membro do Conselho de Política Cultural de Passo de Torres, conseguimos aprovar um primeiro dossiê sobre o Vale do Mampituba, onde Torres tem papel especial."

15 de abril de 2021

Fiz minha vida profissional no Governo Federal, em Brasília, como Planejador do Desenvolvimento Regional, tendo sobre esta questão da escala regional do espaço um olhar muito atento. Desde que aqui cheguei, em 2003, estimulo e participo de várias discussões sobre o tema. Agora, como membro do Conselho de Política Cultural de Passo de Torres, conseguimos aprovar um primeiro dossiê sobre o Vale do Mampituba, onde Torres tem papel especial. Trata-se de um levantamento das características e potencialidades dos dezoito municípios do Vale do Rio Mampituba devendo ser distribuído, oportunamente, a todos os Prefeitos. Pela importância do tema, transcrevo a sua Apresentação.  Acho mais animador do que escrever, mais uma vez, sobre a penosa etapa que estamos vivendo em nosso país.

 

APRESENTAÇÃO

 

LENIN LANDA – Presidente CMPC – Passo de Torres -2021

 

Esta publicação atendeu a uma ideia cevada no Conselho de Política Cultural de Passo de Torres nos últimos meses, quando foi se desenhando a necessidade de uma referência regional para o planejamento de ações culturais no município. Primeiro pensou-se no Eixo Torres – Passo de Torres mas, à medida que acompanhávamos os debates na Casa do Poeta do Vale do Mampituba, sediada no Passo, e a visão de escritores locais sobre a importância de se valorizar todo o Vale do Mampituba, fomos percebendo a necessidade de se identificar melhor os elementos político-administrativos e culturais das cidades situadas no curso do Rio Mampituba e seus afluentes. Muito contribui para isso a inauguração do Monumento ao Açorita Pescador, inaugurado em 2020, obrigando-nos a perceber os estreitos laços do litoral sul do país, onde nos situamos, com os açorianos que o ocuparam, de Laguna em Santa Catarina até o município de Rio Grande no Rio Grande do Sul, passando pela forte presença de 60 casais açorianos na fundação de Porto Alegre. Esse fato nos remeteu a várias cidades aqui no entorno. Depois fomos percebendo, também, a importância de outros grupos que por aqui aportaram, como os tropeiros gaúchos, sob a liderança pioneira de Cristovam Pereira de Abreu, na primeira metade do século XVIII. Vieram, com o tempo – e continuam a chegar – outros grupos étnicos e culturais que vão se somando à fértil experiência humana na região. É notório, entretanto, que, até em decorrência das variações geográficas – serra, vale e litoral – os distintos municípios foram se desenvolvendo sem grande articulação, nem com o Rio, nem com as comunidades que os ocupavam. Mais recentemente, por exemplo, somaram-se a esta variedade, cidades como Três Cachoeiras, à margem da BR 101, inteiramente voltadas aos interesses desta rodovia. Isso tudo levou-nos a inspirar a montagem deste primeiro dossiê dos municípios que integram o Vale do Mampituba com o objetivo de ir criando, pela informação e eventual mobilização cultural, um estado de espírito propriamente regional. Para tal desafio ofereceu-se Débora Fernandes, ex Diretora de Cultura de Torres e autora do importante TORRES EM CRÔNICAS (Casa do Poeta de Torres, 2019), que o cumpriu.  Este é um passo decisivo para a valorização desta vasta área no sul do país, a qual deverá compor um dos mais promissores polígonos, senão o mais, de desenvolvimento do turismo doméstico. Estamos, na verdade, empolgando, no Vale, três grandes e consagrados polos turísticos, a saber, a Serra Gaúcha, com epicentro em Gramado (RS) – mas que se estende até São Francisco de Paula, onde nasce o Rio Mampituba – , os Grandes  Cânions, com a capital em Praia Grande (SC), que se espraiam sobre as terras férteis de São João do Sul, Mampituba, Santa Rosa e Sombrio, para só falar nas mais próximas, e o litoral, onde desponta a centenária Torres, como a mais bela praia do Rio Grande do Sul. Sobre este último círculo, já bastante integrado, somam-se outros mais, igualmente banhados por afluentes do Mampituba e potencialmente passíveis de incorporação mais efetiva ao futuro PLANO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DO VALE SAGRADO DO MAMPITUBA, como Araranguá, Turvo, Ermo e Jacinto Machado, todos com fartos atrativos turísticos dignos de menção.

Este dossiê, fadado a cumprir o destino de chamar a atenção sobre nossa Região como um todo revela um conjunto de 18 municípios, 10 deles em Santa Catarina e 8 no Rio Grande do Sul com elevado potencial de renda e invejáveis índices de IDH, oferecendo-se como um ponto de partida para novas pesquisas sobre o potencial turístico, histórico e cultural de seus municípios. Além de informações básicas dos respectivos municípios o dossiê incorpora informações sobre a história, lendas e autores. Neste sentido, é pensamento deste Conselho apoiar a realização do IV FAROL LITERÁRIO DE TORRES E REGIÃO, um evento cultural já consagrado e que reúne anualmente, desde 2017, escritores de várias partes do Brasil na vizinha cidade, trazendo-o para uma realização simultânea em Torres e Passo de Torres. Para tanto, estamos estimulando os realizadores do evento, dentre eles Joaquim Moncks e Paulo Timm, membros deste Conselho de Cultura, a se mobilizarem de forma a lançar em fins de agosto do corrente ano a I COLETÂNEA DE ESCRITORES DO VALE DO MAMPITUBA. Tal evento poderia coincidir com a I FESTA DO LIVRO DO PASSO DE TORRES, frustrada pela pandemia no ano que passou.

 

 




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