EDITORIAL – O Lula édiferente, sim

8 de novembro de 2011

Com a descoberta de um tumor na garganta do ex-presidente Lula, o Brasil de comoveu de ponta a ponta. O fato mostra que todos somos iguais e passí­veis dos males da saúde, independentemente do status social, econí´mico, cultural ou polí­tico. Mostra também que o ex-presidente foi e ainda é popular: a mí­dia e sua insistente pauta em todos os horários provou isto.

 

Mas o que chamou a atenção foi a reação polarizada perante o fato. Uma parte grande da população tratou a doença iminente do ex-presidente Lula como uma forma de manifestação polí­tica.   Nas redes sociais foi e ainda é corrente a exposição de campanhas sugerindo que Lula se trate de seu Câncer através do SUS.   E a reação ao ataque foi imediata. Varias manifestaçíµes condenaram a postura. Algumas de certa forma demonizando os que tratam o problema de uma forma polí­tica. A colunista de polí­tica de Zero Hora publicou em seu espaço um texto deixando clara sua opinião sobre o assunto: a que os que trataram o tema como forma de reivindicação polí­tica são pessoas insensí­veis, qualificando-as como menores de certa forma.   No dia seguinte a mesma colunista de um jeito submerso se desculpou com seus leitores, mostrando que o problema do SUS é o próprio SUS… E que o presidente Lula não tinha feito menos do que outros em sua cadeira.

 

Não é bem assim a questão… Assim como a mí­dia, corretamente, tratou o Câncer do presidente com peso de assunto principal, como ainda trata hoje, os opositores do ex-presidente também trataram o assunto como importante.   Ninguém quer que Lula morra de Câncer, se imagina; mas querem aproveitar para mostrar sua indignação pelo desrespeito (na opinião delas) que o próprio presidente tratou a forma de comunicar sua visão ao sistema quando era presidente. Lula não disse que o SUS era carente; disse que era exemplo de competência, para todos os brasileiros ouvir, mesmo quando os noticiários diários mostram e sempre mostraram mazelas que chegam a matar pessoas por falta de atendimento com problemas que seriam resolvidos com procedimentos fáceis, e só não os são por desrespeito dos governantes aos contribuintes.

 

O problema da Saúde Pública no Brasil é crí´nico, sério, complicado de resolver e já nasceu manco quando foi declarado na Constituição de 1988, que TODO o brasileiro tem direito a saúde integral, independente de seu status social.  O problema é tão sério, que qualquer pessoa que passa a ganhar um pouco mais, a primeira providência a tomar é a aquisição de um Plano de Saúde privado. Inclusive esta providência é assumida pelos próprios polí­ticos, que criam Planos Especiais para servidores dos Estados, de Municí­pios, de Assembléias Legislativas, de Câmaras Municiais, do Congresso Nacional, em uma clara assunção pública de que o sistema público não funciona.  

 

Lula iniciou sua militância lá em 1988, criticando o sistema, principalmente as diferenças que os chamados na época de Elites tinham em relação í  população mais pobre. Na época do iní­cio de seu trabalho polí­tico, provavelmente o ex-presidente era obrigado a utilizar o SUS em suas demandas de saúde. Agora ele foi promovido. E promovido pelo povo, com duas eleiçíµes ganhas e com 80% de aprovação.   Não é mais necessário ficar preso ao atendimento do SUS, já possui provavelmente há muito tempo um plano de saúde privado; e se não tivesse, possui dinheiro e amigos endinheirados que podem pagar seu tratamento com os melhores e mais caros médicos do paí­s.   í‰ assim porque ele é diferente.  Lula é diferente e é tratado como diferente consequentemente.

 

 Diferente por que foi promovido pela população, mas diferente porque justamente esta promoção foi baseada em certas promessas feita por ele para o sistema de Saúde que não foram cumpridas, longe disto. Portanto, é natural que existam votos de melhoras para o Lula, o que deve fazer parte da consciência de todas as pessoas, mas também é natural que haja cobrança polí­tica do fato. O próprio Lula provavelmente apoiaria as duas correntes se fosse levado í  debate as atitudes polarizadas com sua presença.    


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