EDITORIAL – Ociosidade a ser combatida

17 de abril de 2011

Nesta próxima semana teremos mais uma edição do Festival Internacional de Balonismo de Torres. O evento de certa forma completa a safra de turismo sistêmico na cidade que inicia em dezembro, mas inaugura por outro lado o perí­odo de ociosidade da capacidade instalada para o Turismo de Torres. São hotéis que fecham, outros que trabalham com capacidade limitada; são restaurantes que passam a funcionar somente aos finais de semana por falta de clientes, dentre outras causas. A cidade projetada para receber até 300 mil pessoas de forma confortável passa a funcionar com uma população média que não chega a 40 mil. E a falta de emprego começa a rondar os lares das famí­lias torrenses. Muitas pessoas ficam durante nove meses sem emprego. Os adultos já se acostumaram, mas e os jovens?  

Várias açíµes em todos os sentidos já foram tomadas por autoridades públicas e privadas para minimizar a falta de emprego em Torres. Atualmente a cidade está gozando da alta empregabilidade na Construção Civil local, que emprega profissionais operacionais, mas que em contrapartida oferece ganhos mensais que chegam a até R$ 4 mil, um salário alto até para profissionais locais formados em faculdades. Um servente de obra pode receber R$ 1 mil por mês, caso queira trabalhar no pesado, o que sugere boas perspectivas para a empregabilidade de pessoas com menos instrução. Um projeto de ativação do setor de confecção já mostra resultados, embora pequenos. O fomento í  indústria moveleira também já responde, mas não gera o número de empregos necessários para suprir a alta sazonalidade no Turismo de Torres.    

Portanto, há de se programar uma ação em parceria entre as autoridades públicas e o setor hoteleiro e restauranteiro para que a ociosidade da atividade turí­stica de verão seja diminuí­da. E o mais importante, que a capacidade ociosa de nosso principal setor, o Turismo, seja utilizada, em nome do combate ao desperdí­cio. O setor de serviços e produtos para o suprimento de visitantes na cidade ainda é, e parece que sempre será, a principal atividade geradora de divisas da cidade, única forma de haver crescimento sustentável, pois aumenta a moeda circulante na sociedade e fomenta naturalmente o aumento de recolhimento de impostos, por conta da entrada de novas empresas que querem usufruir deste plus de renda local.    

Torres forma anualmente jovens no segundo grau e na faculdade. Muitos vão estudar fora e se obrigam a ficar em cidades grandes por conta da falta de oportunidade de emprego e de empreendedorismo locais. Mas os que aqui estudam e moram na fase de formação profissional são os que mais correm os riscos de sofrerem as consequencias de falta do que fazer na cidade por eles querenciada e onde seu familiar mora.  A ociosidade na cabeça de jovens não é uma forma didática dos mesmos projetarem de forma otimista e produtiva seus futuros. Também não é saudável para uma população, ver em um concurso público a salvação de seu futuro profissional: o motivo saudável para í queles que querem fazer concurso deveria ser a vontade de servir sua cidade, não a motivação de sobrevivência quase que absoluta.  

 A única forma de qualquer coisa crescer é baseada no resultado de uma conta simples. Os recursos que entram devem ser sempre maiores do que os recursos que saem.    Isto serve para os lares, para as empresas e para as cidades também. Gerar emprego público em um local nunca ajudará que ele cresça, somente poderá distribuir um pouco melhor a renda, o que í s vezes acontece o contrário, porque os concursos são abertos para qualquer brasileiro. Para Torres crescer para valer de forma consistente é necessário acelerar o número de turistas que visitam a cidade nos meses de inverno, em estaçíµes temperadas e até no verão. E para aumentar o turismo de inverno em um lugar de beira de praia não podemos achar que ,de uma hora para a outra, as pessoas vão deixar de ir passear na Serra ou no Campo no inverno para vir tomar banho de mar em Torres. Pode-se aumentar um pouco a freqí¼ência de gente passeando aqui no inverso, mas nunca se  chegará í  necessidade de empregabilidade local.  Precisamos trazer para Torres o chamado Turismo de Negócios e o Turismo de Eventos Técnicos.   Temos ruas largas, clima ameno, hotéis para todos os gostos e bolsos e estrutura de esgoto, de gastronomia e de atendimento básico de saúde e segurança para isto.  

 Cabe ao trade do turismo junto com a prefeitura que projetem um plano de ação para que saibamos que todo o dia terá no mí­nimo uma pessoa trabalhando sem parar para trazer eventos para a cidade durante o inverno. Desta forma ativaremos somente as estruturas atuais existentes, e, de lambuja, formaremos mais e melhores profissionais para trabalharem com mais qualidade nos meses de alta procura. E nossos filhos poderão   voltar a morar na cidade onde mora sua famí­lia.  


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