Prédio abandonado no Morro do Farol volta aos debates na Câmara de Torres

Desativado desde 2011, espaço da ex-escola Cenecista (foto) já teve diversas sugestões de uso... mas enquanto estrutura se deteriora, nada sai do papel,

27 de abril de 2018

Na sessão da Câmara dos Vereadores de Torres realizada no dia 23/04, o vereador Valmir Daitx Alexandre, o Pardal (PRB), dentre várias ideias elencadas em seu pronunciamento sugeriu que o prédio no Morro do Farol, onde por muito tempo funcionou o Colégio Cenecista em Torres, seja reformado para ser utilizado como uma unidade municipal pública de Creche (Escola de Educação Infantil) para crianças torrenses.

Para o vereador esta creche poderia servir para filhos e filhas de cidadãos locais que possuem carro para locomoção. “Foi-se o tempo que só iam para creches pública filhos de mães pobres que iam leva-los à escola de bicicleta”, afirmou Pardal. “Atualmente o serviço público é utilizado por famílias com bom poder aquisitivo e que consequentemente possuem veículos para levar e buscar seus filhos na escola infantil”, sentenciou o vereador ao sugerir que o espaço no Morro do Farol pode servir para este tipo de demanda das famílias por creche, abrindo espaço em outras na cidade para disponibilizar vagas e diminuir as filas atuais de espera pelo serviço.

 

Diversos usos ao espaço já foram sugeridos (mas nenhum saiu do papel)

 

A ideia de Pardal é só uma entre dezenas que já foram sugeridas para o espaço – sem entretanto nunca sair do papel. E a falta de iniciativas efetivamente transformadores para o prédio, desativado em 2011, fizeram do local um ‘elefante branco’ torrense. No início desta década, vários políticos torrenses fizeram esforço para que o prédio da antiga escola Colégio Cenecista (que desistiu de operar em Torres), servisse de local para uma unidade de Escola Técnica Federal (projeto em expansão à época), em parceria com o governo federal,. A  vinda da unidade educacional chegou a ser (equivocadamente) anunciada no ano de 2013, só que trapalhadas nas negociações (e a diminuição no ímpeto de concretização das mesmas Escolas Técnicas por todo Brasil) acabaram abortando a boa ideia.

Outras ideias sugeridas: o governo Nílvia Pereira chegou a sugerir que o espaço fosse cedido para a ULBRA Torres, para que a Universidade a transforme em um Centro de Extensão Comunitário. Em 2016, o ex-vereador Alessandro Bauer (PMDB) informava que, após visita ao Secretário de Cultura do Estado, apresentou uma sugestão para a criação do museu da história de Torres no local do antigo prédio no Morro do Farol. Mas nada saiu do terreno das sugestões.

Atualmente o prédio é uma ruína, que se deteriora ano após ano. Piso apodrecido, janelas quebradas, pichações, fezes humanas  e lixo são encontrados em seu interior. Abriga insistentes andarilhos, jovens errantes e consumidores de drogas que o invadem (em geral para dormir e se drogar). Consequentemente, a comunidade exige que alguma coisa seja feita no local.  Várias denúncias e pedidos de providências já foram feitos por vereadores de várias legislaturas (bem como por parte do próprio jornal A FOLHA) sobre a ociosidade do espaço, que se desmancha com o tempo por falta de manutenção e cuidados. A verdade é que, enquanto mais avança a deterioração, mais difícil (e oneroso) se torna fazer uma reforma no local.

 

Colônia de férias, casa noturna, escola… e abandono

 

O prédio hoje abandonado remete ao período do Estado Novo de Getúlio Vargas, sendo que seu primeiro uso se deu nos anos de 1937-38 – servindo como colônia de férias para um grupo escolar. Em 1979 o prédio onde ficava as instalações da antiga Escola Cenecista Durbam Ferrar Ferreira foi cedido pela Prefeitura de Torres ao CNEC (Campanha Nacional de Escolas da Comunidade). De acordo com a lei de cedência, caso houvesse  a extinção da escola, ou se a  mesma deixasse de  existir por período superior a um ano, a diretoria seria  responsável em devolver o imóvel ao Município.

E por décadas a Escola Cenecista por lá funcionou. Por algum tempo, simultaneamente ao funcionamento da escola, acomodou ainda a casa noturna Gimi’s Drink Bar – popular nos anos 90 e começo dos anos 2000. Em fevereiro de 2011 a escola Cenecista foi desativada. Porém, a diretoria não cumpriu o que estipulava a Lei, forçando assim a Administração Municipal a entrar com uma ação contra o  CNEC. Assim, em novembro de 2012 a prefeitura de Torres realizou a reiteração do prédio ao patrimônio municipal. Desde então, o poder público de Torres batalhou por usos ao local. Mas apesar dos esforços a instituição de ensino nunca veio para o prédio, que segue há cerca de 7 anos abandonado pelo poder público.


Publicado em: Educação






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