TORRES: Médicos do HNSN dão prazo para pagamento de honorários e ameaçam não assumir novos plantões

Em meio a pendência no pagamento dos salários atrasados de profissionais, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) concedeu efeito suspensivo parcial ao recurso apresentado pelo Estado e restabeleceu o prazo de 15 dias para a transição da gestão interventiva do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN), em Torres

16 de outubro de 2026

Médicos que atuam no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN), em Torres, notificaram extrajudicialmente os responsáveis pela administração e pelos pagamentos da instituição e estabeleceram até 20 de outubro para a quitação dos 50% restantes dos honorários referentes aos serviços prestados em agosto de 2026. Caso os valores não sejam pagos integralmente, os profissionais comunicam que, a partir de 21 de outubro, deixarão de assumir novos plantões e aceitar novas escalas enquanto persistir o atraso.

O documento foi assinado em 15 de outubro e encaminhado ao Instituto Brasileiro de Saúde, Ensino, Pesquisa e Extensão para o Desenvolvimento Humano (IBSaúde), à administração e à direção técnica do hospital, além da Hospitalize, empresa terceirizada responsável pela organização das escalas da emergência. O Governo do Estado, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), o Conselho Regional de Medicina (Cremers) e o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) também receberam cópias para conhecimento e eventuais providências.

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Conforme a notificação, os médicos receberam apenas metade da remuneração referente aos serviços prestados em agosto. O saldo restante está em atraso há aproximadamente 15 dias, conforme a situação individual de cada profissional. Os signatários afirmam que os valores correspondem a serviços efetivamente realizados e cobram o cumprimento integral das obrigações financeiras.

A manifestação ocorre em meio à instabilidade administrativa e financeira enfrentada pelo hospital, que também registra questionamentos relacionados aos pagamentos de trabalhadores e à gestão da instituição. No documento, os profissionais apontam que a continuidade da prestação de serviços sem a correspondente remuneração gera prejuízos financeiros e insegurança quanto ao pagamento de obrigações futuras.

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Possível impacto nas escalas

Segundo  salientado em matéria da Rádio Maristela, a notificação estabelece que, caso o pagamento não seja realizado até 20 de outubro, os médicos não assumirão novos plantões nem aceitarão novas escalas a partir do dia 21, enquanto permanecer o inadimplemento. A medida, segundo os signatários, busca resguardar os direitos dos profissionais diante da ausência de uma previsão segura para o recebimento dos valores pendentes.

Os médicos esclarecem, porém, que a comunicação não significa abandono de plantões em andamento nem interrupção imediata e intempestiva da assistência. O documento ressalva que eventuais obrigações contratuais específicas deverão ser avaliadas individualmente.

Os destinatários também são solicitados a organizar previamente a cobertura assistencial, incluindo a eventual substituição de profissionais, para evitar descontinuidade no atendimento e preservar a segurança dos pacientes.

Além da quitação do saldo de honorários, os signatários exigem confirmação formal dos valores pendentes, comprovação dos pagamentos individualizados e esclarecimentos sobre as medidas previstas para evitar novos atrasos. Caso não haja solução dentro do prazo, os profissionais afirmam que poderão recorrer a medidas administrativas, sindicais e judiciais para cobrar os valores devidos.

A notificação formaliza a cobrança dos honorários médicos e estabelece um prazo para a regularização dos pagamentos. O eventual não cumprimento poderá afetar a organização das futuras escalas, caso os profissionais mantenham a decisão comunicada no documento.

 

Justiça restabelece prazo de 15 dias para Estado assumir transição da gestão do hospital de Torres

Em meio a pendência no pagamento dos salários atrasados de profissionais, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) concedeu efeito suspensivo parcial ao recurso apresentado pelo Estado e restabeleceu o prazo de 15 dias para a transição da gestão interventiva do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes (HNSN), em Torres.

A decisão, confirmada pela promotora de Justiça Dinarmarcia Maciel de Oliveira na quinta-feira (15), mantém a obrigação de o governo estadual assegurar a continuidade dos atendimentos por meio de um plano de contingência, sob pena de multa diária.

Conforme a promotora, a decisão permite que o Estado organize a transição antes de assumir diretamente a administração do hospital. Nesse período, o governo poderá buscar uma empresa para assumir a gestão. Caso não consiga contratar uma instituição para essa finalidade, deverá assumir o comando do HNSN com equipe própria ou por meio de contratação emergencial.

O prazo de 15 dias era previsto no acordo construído entre o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e o Estado durante as tratativas para organizar a transição. O entendimento, no entanto, não havia sido homologado pelo juízo local, que determinou a assunção do hospital pelo governo estadual em prazo menor.

Segundo Dinarmarcia, a contagem do prazo depende da ciência formal da decisão pela parte a quem a determinação se destina. Por isso, até a manifestação da promotora na noite da quinta-feira (15), não era possível estabelecer a data exata para o encerramento do período de transição. Caso o Estado se desse por intimado ainda na sexta-feira, a contagem começaria no sábado (17).

 

Atendimento deve ser mantido

A promotora destacou que a população permanece assistida por meio de um plano de contingência regional e que o Estado deverá garantir a continuidade dos serviços hospitalares durante o processo de transição. O descumprimento das determinações judiciais poderá resultar na aplicação de multa e de outras medidas.

“Estaremos atentos para a observância da decisão do Tribunal de Justiça, e na parte que a liminar do juízo local permanece íntegra. Se for preciso, pediremos aplicação de multa e demais providências”, afirmou Dinarmarcia.

A representante do Ministério Público também avaliou que o prazo para organizar a transição corresponde ao objetivo discutido anteriormente com o governo estadual, permitindo que a administração seja estruturada sem deixar a população desassistida. Segundo ela, a expectativa é de que o interesse público prevaleça e que o hospital receba o atendimento necessário.

O novo desdobramento ocorre em meio à disputa judicial sobre a responsabilidade pela gestão do HNSN e às medidas para garantir a continuidade dos serviços prestados à população de Torres e região. Com a decisão do Tribunal de Justiça, o Estado terá um período para estruturar a transição, sem deixar de cumprir as obrigações relacionadas à assistência hospitalar.

 

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Publicado em: Saúde






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