OPINIíO DO LlEITOR – Pedofilia éprivilégio?
21 de junho de 2010
As declaraçíµes do arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Dadeus Grins, na 48 ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil repercutiu negativamente em diferentes segmentos, quando sustentou de forma generalizada que a sociedade é pedófila. Avalio que o padre foi infeliz quando generalizou em sua declaração. Para refletir sobre o assunto busquei a definição de sociedade e encontrei que: em sociologia, uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade.
Eu entendo que há alguns indivíduos na comunidade, com desvio de conduta e ética, que podem cometer atos pedófilos contra crianças e adolescentes. Entre esses, podem estar o professor, médico, pai, padrasto, irmão, padre, político, jornalista e, ou empresário. Mas não são todos, e sim partes destes segmentos.
Um indivíduo da sociedade não cientista ao declarar que toda sociedade é pedófila, certamente, não terá repercussão, mas vindo de um religioso cientista, com doutorado e mestrado, a declaração tem um valor muito significativo. Aprendi na vida acadêmica que devemos tomar cuidado ao fazermos generalizaçíµes. Feito que Dadeus não observou e acabou ofendendo todo mundo. Nasci na cidade de Viamão e conheço Dom Dadeus desde criança quando ele ainda morava no Seminário Maior de Viamão. Vigário simples, humilde, sensato, respeitado e um religioso com um rol de serviços sociais prestados para sociedade gaúcha. Porém, não posso generalizar afirmando que todos os sacerdotes têm as mesmas qualidades de Dom Dadeus, o que seria uma heresia.
No entanto, o que mais me surpreendeu foi a declaração que o arcebispo fez quando disse que pedofilia não é privilégio da Igreja. Desde quando pedofilia é privilégio de alguém? Segundo, o dicionário privilégio é uma vantagem concedida a uma ou mais pessoas contra a regra geral. Então, mais uma vez o sacerdote cometeu um deslize de grande envergadura ao tratar a pedofilia como privilégio, enquanto deveria dizer que é um pecado mortal. Será que não existe mais o pecado mortal?
Os seres humanos tendem a serem corporativistas e estão sempre buscando justificativas para sustentar a defesa dos atos não humanizados cometidos por integrantes de seus grupos, e para que essa justificativa tenha repercussão colocam todos numa vala comum.
Vilson Antonio Arruda “
Professor de Administração Rural na Escola Técnica de Agricultura de Viamão e graduando, no 4 º semestre, em Biologia na UFRGS.
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