O BULLYING EM TORRES

25 de junho de 2010

 

Por Regina di Neve

   

O bullying chegou a Torres. Não, não se trata de um novo jogo ou alguma coisa parecida, mas sim de um terrí­vel comportamento que assola as escolas públicas e particulares e também os mais variados ambientes de trabalho.    

Bullying é o mesmo que perseguição, humilhação e achincalhação dos mais fracos e diferentes, e acontece todos os dias entre os jovens do ensino fundamental ao ensino médio.  Um hábito tão devastador que começa í s vezes com um simples apelido, por exemplo, e chega í s raias da agressão fí­sica. E em alguns casos é responsável pelas consultas í s clí­nicas psiquiátricas da cidade.  

 Segundo a psicopedagoga, Rejane Clezar, coordenadora da escola Mampituba, no bairro Salinas, o comportamento de desprezo com o semelhante, a prática do bullying, pode estar acontecendo silenciosamente e de várias formas. Seja através de apelidos ressaltando os defeitos das pessoas, seja ressaltando suas qualidades. Assim, um jovem que tem boas notas também pode sofrer perseguição. São os chamados Nerds.   Para que haja o bullying, tecnicamente falando, é necessário que haja a ví­tima, o agressor e fundamentalmente, o expectador. As medidas preventivas devem ser adotadas logo no princí­pio. O ato deve ser condenado duramente e o agressor deve ser encaminhado para acompanhamento e ser informado da coisa ruim que está praticando.  

 Em nossa escola, um simples apelido, ou um tropeção porque o colega colocou o pé no meio do caminho é severamente criticado e os autores são punidos ficando sem recreio ou sem algum passeio, por exemplo,, afirma a psicopedagoga. Porém, essas puniçíµes podem não ser suficientes, diz. í‰ necessário que o autor da agressão entenda que o que está fazendo não é bom, ele tem de se colocar no lugar do outro, por isso trabalhamos valores que vem de berço, exemplifica Rejane. Embora a escola seja um ambiente responsável pela educação formal, ela deve resgatar nessas crianças o valor que se adquire em famí­lia, o valor do respeito ao semelhante. Ela ensina que o professor tem de estar atento, pois os alunos podem promover bullying apenas quando o adulto não está prestando atenção ou não está presente, encerra.  

   

Mazela não é restrita í s classes sociais

   

O bullying não é prerrogativa das escolas públicas, embora a incidência seja maior, pois o ambiente público abriga pessoas de classes menos afortunadas e quanto maior ao infortúnio maior o humilhador; ou seja, se o indiví­duo é pobre, ele humilha o mais pobre ainda do que ele. Nas escolas particulares, o bullying acontece de forma menos agressiva. Porém, acontece. Segundo a direção da escola São Domingos, o assédio acontece sempre que entra um aluno novo. E não apenas no ensino médio onde os adolescentes são mais agressivos.   Ele acontece no jardim, pois as crianças são cruéis na primeira infância. Tudo tem de ser minuciosamente investigado para que se chegue ao agressor. Irmã Socorro, diretora da escola, avisa que cobra que seus professores tenham uma atitude de reprovação perante o bullying e que todos os casos sejam passados para discussão junto a direção. As açíµes preventivas acontecem através de muita conversa diretamente e individualmente e através de campanha interdisciplinar em formação humana e o Soe (serviço de orientação educacional na escola). Esse ano o tema da campanha na escola privada de Torres é Violência e Intolerância zero. A escola ensina ainda, que a sinceridade do jovem precisa encontrar proteção nos adultos que o cercam, por isso é necessário que se tenha uma relação de confiança com a turma e que se insista para que algum aluno seja o delator da infração para punir quem começou.  

 Nossa escola trata a conivência com uma pratica abominável, E isso passamos para todos os jovens, afirma Irmã Socorro. Ora, se um faz, toda a turma paga, e não parece justo aos olhos do jovem pagar por algo que não cometeu, diz. Isso nos ajuda a identificar o foco do bullying e a cortar suas ramificaçíµes, explica a irmã.  

   

Sinais de que a criança ou jovem está sofrendo bullying  

   

Para os profissionais que estudam esse fení´meno, nem todo xingamento é necessariamente bullying. Se a criança responde a uma ofensa, por exemplo, ela não está cometendo bullying e nem está sendo ví­tima, pois se sabe que trocas de ofensas acontecem em situaçíµes de conflito. E até mesmo uns sopapos e trocas de pontapés são considerados normais nas brigas, por mais que o jovem seja educado a não revidar e tudo mais. Então, os pais devem ficar atentos quando surgirem alguns dos seguintes sinais nos filhos:

 

 

·                 Começam a apresentar problemas para dormir.  

·                 Aparecem com hematomas ou roupas rasgadas em casa.  

·                 Começam a evitar a escola e inventam sempre que estão se sentindo mal.  

·                 Costumam evitar situaçíµes sociais e fogem de qualquer outro acontecimento escolar que não seja obrigatório.  

·                 Contam os dias que faltam para as aulas terminarem.  

·                 Podem se tornar extremamente irritados em casa com os pais e irmãos.  

·                 Pedem para trocar de escola constantemente.

 

Diante desses sinais, os pais devem se reportar í  escola, e se isso não resolver devem procurar ajuda de profissionais da saúde, pois o bullying é uma ameaça a integridade fí­sica e mental da criança.

   

Marcas para o resto da vida

   O bullying deixa marcas para o resto da vida, pois mexe com a auto-estiam dos jovens Quando uma criança é exposta a esse ambiente de agressão verbal e fí­sica, intencional e repetidamente, sem motivação aparente, particularmente na escola, ela pode se tornar um adulto desequilibrado. O termo vem do inglês e foi incorporado nas escolas no iní­cio dos anos 1990 por pesquisadores e psicólogos, não como um ato corriqueiro, mas sim como um fení´meno de perseguição com graves seqí¼elas nos alunos perseguidos. Porém, já vem de longa data. Desde a década de 1970 que o hábito de menosprezar o colega de turma, ou porque ele é gordo ou muito baixo, ou usa óculos, já era encrustrado nas salas de aula. Na verdade o bullying, deve ter se originado desde o iní­cio da criação, pois se trata de expor o semelhante a situaçíµes de constrangimento que baixam sua auto-estima, colocando em evidência o que de pior existe no ser humano: sua capacidade de destruição.   Essa é a opinião de vários especialistas em educação e também de pessoas que foram expostas ao bullying desde o jardim de infância.    

Tema da moda acaba em depoimentos na web

   

 No site You Tube, existem vários depoimentos que alertam para o bullying. Um deles, de Roberto Medeiros, é tão contundente que faz a gente pensar em como o hábito pode destruir uma vida. Ele narra sua jornada de dor e sofrimento que vivenciou por longos onze anos, justamente o perí­odo que passou na escola. Descreve em imagens e texto a rotina humilhatória a que era exposto, os apelidos que recebia, os cascudos que levava dos colegas de classe, e até mesmo de quando estava fora da escola.  Mostra como esses mesmos colegas o perseguiam para tirar-lhe os tênis e jogá-los nos fios elétricos da rua. E que tudo passava aos olhos dos adultos como sendo molecagem, coisas de crianças. Roberto conta que sua auto- estima foi muito afetada porque até mesmo quando ele tirava boas notas era ridicularizado, esmagado contra a parede até que algum adulto aparecesse. E sempre era avisado de que, se reclamasse, os castigos aumentariam. E se contasse para os pais, aí­, então, apanhava mais ainda. O tempo passou e ele ingressou na faculdade, mas as humilhaçíµes ainda aconteciam de forma mais suave, porém, aconteciam. Quando começou a trabalhar, casou e teve filhos, percebeu que era impotente para proteger seus filhos da mesma situação. Então ele explodiu, ficou violento e agressivo. Teve de pedir licença do trabalho para se tratar, mas nunca mais conseguiu trabalhar. Ele teve de se aposentar compulsoriamente sem salário aos quarenta anos.  Parecido com sua história, cada um de nós, também, deve ter passado por situação de humilhação, em algum momento de nossas vidas.   Por isso é importante estarmos atento a essas situaçíµes e impedir a todo custo que se torne uma prática aceitável nos lugares onde mais confiamos a vida de nossos jovens: a escola.

 

    Bullying utilizando a internet é um fení´meno sem rosto    

O cyber bullying acontece com os usuários de internet. Com a suposta vantagem de o agressor não ter rosto. O anonimato faz com que o agressor encontre facilidade em espalhar boatos e insultos virtuais sem ser visto, contaminando todas as pessoas que conhecem a ví­tima. Através das redes sociais, como Orkut e MSN, as calúnias, ofensas e imagens forjadas das ví­timas se espalham com muita rapidez.   Até mesmo nos jogos virtuais com Counter Strike, o agressor manda mensagem ofensiva pra a ví­tima com intuito de perturbar o jogo e impedindo-o de avançar no jogo e roubar as presas.   Os pais devem ensinar seus filhos que até mesmo a criação comunidades tipo eu odeio fulano de tal, mesmo que de gozação, deve ser considerada bullying.  E, acima de tudo, explicar sempre que tudo que se píµe na internet é de inteira responsabilidade do usuário. O acesso í  sites de relacionamento e blogs devem ser monitorados pelos pais.

   Os jovens devem acessar com suas maquinas em local de grande circulação aonde os pais possam dar uma espiadela pra ver o que está acontecendo, e ajudar a lidar com a situação. Os jovens devem evitar que suas fotos no Orkut sejam vistas por todos e evitar postar nomes completos, números de documento e telefones na internet, pois devem se lembrar que nem sempre quem está do outro lado é o que diz que é. Lembre-se que já foram relatados casos de pessoas que sofreram ameaças reais em jogos online e que viraram noticia policial. Quando se sentir afetado pelo cyber bullying, principalmente nos jogos, a pessoa deve reunir o maior número de provas e acessar o administrador do jogo ou game máster, relatando o acontecido. Eles vão tomar as providências e até mesmo  retirar do ar os agressores. Se isso não resolver, se o caso for muito ostensivo e grave, procure a delegacia de polí­cia com as provas em mãos para registrar um boletim de ocorrência. Na policia civil existem divisíµes de combate aos crimes virtuais.    


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