Primeiro debate mostra idealismos

9 de julho de 2010

O primeiro debate entre os candidatos ao governo do RS, promovido na segunda-feira pelo grupo RBS, através da rádio Gaúcha, acabou dando um pequeno e positivo sinal para os gaúchos eleitores que a discussão ficará bastante no ní­vel das idéias. A governadora Yeda Crusius não participou não se sabe o porquê, mas pode-se imaginar que ela estivesse temerosa pela possí­vel metralhadora giratória que, principalmente o PT e o Psol poderiam disparar contra ela em ataques pessoais, o que não ocorreu e imagina-se não ocorrerá pelo menos no primeiro momento da campanha, agora pra valer. Compareceram os candidatos José Fogaça (PMDB), Pedro Ruas (Psol) e Tarso Genro (PT). Os outros candidatos menos representativos permutaram suas participaçíµes por uma entrevista especí­fica na Rádio Gaúcha.  

Muito bem conduzido e protagonizado por perguntas dos colaboradores do grupo RBS em todo o RS, o debate mostrou claramente três linhas distintas de plano de governar o RS, colocadas de forma transparente pelos candidatos, o que projeta para os eleitores do Estado uma escolha muito próxima dos ideais pessoais e familiares, um atributo saudável no pleito. Os ataques aos partidos ficaram em ironias bem colocadas, principalmente pelo candidato do Psol, especificamente contra as coligaçíµes das duas alas conduzidas pelos seus dois oponentes, criticando ele as coligaçíµes usuais nas duas agremiaçíµes, tendo a vantagem de seu partido, o Psol, estar concorrendo sozinho no pleito, embora com pí­fias participaçíµes nas pesquisas de intenção de votos até agora.      

Em um lado bastante extremista, Pedro Ruas mostra que o projeto do Psol para governar o Estado pressupíµe medidas bastante radicais, tanto nas finanças públicas quanto nas polí­ticas das pastas, principalmente a econí´mica. O candidato promete questionar e não pagar a dí­vida do Estado para com a União, o que é bastante forte e juridicamente questionável; propíµe claramente o ataque aos empresários em prol do que chama os mais necessitados; não apóia o chamado agronegócio e abomina qualquer participação de empresas na gestão do Estado, mesmo através de PPPs ou de OCIPs e ONGs. Propíµe, portanto, uma diminuição de arrecadação para o Estado e um aumento das despesas diretas, colocando como receita para pagar este furo orçamentário o não pagamento das contas com o governo central, tendo o modelo apresentado pelo Psol também que naturalmente ter de aumentar significativamente a carga tributária do Estado para com as empresas e consequentemente para com os contribuintes.

Um lado mais aberto e liberal é mostrado pelo candidato José Fogaça. O cerne dos planos do candidato peemedebista é a descentralização do orçamento estadual, que partirá para uma maior regionalização das açíµes e planos do governo, que ficarão, conforme ele, mais próximos dos municí­pios, onde tudo acontece. Fogaça também propíµe a formatação de uma lei de responsabilidade ética, aprovada pela Assembléia legislativa, que dará mais autonomia e responsabilização para os gestores públicos, em todos os ní­veis. Ele disse que existem partidos que insistem em colocar dentro dos governos seus  CCs, por fazer parte das coligaçíµes, CCs que acabam desviando as funçíµes das pastas de coletivas para em prol de benefí­cios pessoais e de partidos. Para Fogaça esta lei corrigiria isto.  

Já o candidato Tarso Genro mostra claramente que defenderá acima de tudo a regionalização, no caso estadualização, do projeto do governo federal implementado pelo presidente Lula. Deixa claro que manterá no governo central as decisíµes dos programas disponí­veis para os Estados, onde os mesmos (os Estados) deverão, então, formatarem projetos que de adaptem í s idéias maiores, vindas do governo central, como ocorre hoje. A maior crí­tica do petista ao Estado do RS e dos governos anteriores e atuais é a falta de aproveitamento, como diz ele, dos programas federais que incluem verbas estaduais. Em sua visão os estados devem aproveitar ao máximo os projetos, mesmo que sejam de certa forma diferente dos ideais locais. Ele lembrou também que é criticado por fiscalizar demais como Ministro da Justiça, dizendo que continuará fiscalizando conforme sua experiência no ministério, mais voltada para a investigação policial do que em temas de justiça em geral.    

São três propostas distintas e o cardápio dos eleitores do RS está bastante balanceado de ideais para todos os gostos. E ainda existe o ideal da governadora Yeda Crusius, que por não participar no debate parece que defenderá com unhas e dentes o projeto atual do PSDB para o Rio Grande do Sul. Defenderá a descentralização, o equilí­brio das finanças e a opção por utilizar mais verbas públicas em investimento de infraestrutura, como tem feito, do que em programas e projetos que somente retroalimentem o Estado e seu tamanho e custo.

 O eleitor pode, portanto, decidir entre quatro propostas diferentes e bem identificáveis em suas diferenças. Mas a eleição está apenas iniciando sua faze de campanhas, e mais novidades devem aparecer pela frente. Cabe ao eleitor ficar atendo para os desvios de rotas que as quatro correntes poderão ter pela frente, o que mostre ou não a fidelidade aos ideais das candidaturas.  


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