EDITORIAL – O Estado entrando em nossas casas

16 de julho de 2010

O presidente Lula assinou nesta semana um projeto de lei ,de autoria do Poder executivo do Brasil,  que propíµe punir familiares ou profissionais que utilizam as chamadas palmadinhas para educar os filhos. Trata-se de mais uma inserção do Estado nos lares dos brasileiros, indiscriminadamente, e trata-se de mais uma forma de fazer polí­tica com discursos bonitos, mas que na verdade somente cria mais demandas por estruturas do Estado,  e cria mais uma lei que é praticamente impossí­vel de ser fiscalizada, como outras inúmeras em vigor. E abre, como todas as burocracias, espaço para que espertinhos e espertinhas consigam processar pessoas de bem utilizando uma lei para, afinal, conseguir dinheiro com o processos, como já acontece atualmente com muita outras leis brasileiras. Enfim, trata-se do aparelhamento do Estado para se tornar cada vez mais necessário, mas necessário por trabalhos de pouca eficiência.      

O que mais fica evidente nas correntes que defendem esta nova lei é a ânsia  nos seus ideais de buscar a cada dia entrar na vida das pessoas. A corrente entende que campanhas de esclarecimento social não funcionam nestes casos. Acham que as quatro paredes do lar devem também ter um olho do Estado, como um Big Brother. E esta mesma corrente, incrivelmente, não sugere a punição dos pais em situaçíµes onde fica extremamente evidente o desleixo dos mesmos. Por exemplo, quando menores são pegos na rua roubando, bebendo, se drogando e fazendo arruaças entre gangues, o Estado, através das leis, sequer sugere a punição dos pais pelas atrocidades cometidas por seus filhos na rua. Parece que os pais não têm o dever de zelar pelo bom comportamento dos filhos no ambiente coletivo. O Estado, nestes casos, se coloca com a responsabilidade sobre os menores, mostrando mais uma vez a ânsia de entrar nas vidas alheias demonstrada por esta corrente. Sugere casas de passagem, clí­nicas de reabilitação e presí­dios especiais para menores, e os pais de réus,  que são os verdadeiros culpados, por negligenciarem a educação dos filhos que colocaram no mundo por sua própria vontade, são colocados pelo Estado como ví­timas.   O Estado, neste caso, mostra que não existe culpado quando um menor se torna violento, criminoso, marginal í s leis. Eles são ví­timas das famí­lias e as famí­lias são vitimas do Estado negligente, colocando a mazela em uma situação de relativismo absoluto e de  trabalho infinito.  

A confusão maior que os defensores do crescimento do Estado submetem seus pares da sociedade é a do verdadeiro conceito de democracia. Democracia no Brasil está sendo tratada como dar direitos maiores do que deveres í  população mais pobre, mas necessitada e menos aculturada. Mas direitos financeiros, através de pacotes de bondades.    E, em troca, o Estado se acha no direito de entrar nas casas de seu povo. O cidadão é tratado como um empregado quase que escravo. Serviços são oferecidos goela abaixo, mas em troca o cidadão deve se comportar como o papai Estado exige…Isto é democracia ou ditadura disfarçada?

 Antes de entrar nas casas para influenciar, por lei, a educação dos brasileiros, o poder público deveria colocar na frente de suas prioridades as necessárias açíµes nas verdadeiras causas das mazelas causadas pela violência doméstica, onde as palmadinhas são apenas uma das formas existentes. Antes do Estado tratar da educação dos pais nas quatro paredes do lar, deveria proporcionar educação, saúde, segurança e vagas de emprego formal para a população. Antes de criar mais um ministério para trabalhar na intimidade dos lares, como sugere as crescentes entranças do poder central nas casas dos brasileiros, o Estado deveria tratar de racionalizar a despesa dos ministérios atuais e fazer sobrar dinheiro para as inúmeras demandas coletivas que a população necessita.Qualquer famí­lia mais bem educada abomina bater nos filhos como método de educação. Para os que batem sistematicamente e de forma violenta nos filhos, já existem inúmeras leis para penalizá-los, basta cumprir.  


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