A atual modificação do Plano Diretor Urbano de Torres deve estar em fase final de elaboração, feita pela Prefeitura Municipal de Torres, para que, após, seja enviada para a Câmara Municipal da cidade para cumprir os legais ritos de passagem, como as Audiências Públicas, a fase de elaboração de emendas por parte das bancadas dos partidos na Casa Legislativa e, afinal, a fase das discussíµes e votaçíµes na mesma Câmara legislativa. Um cálculo superficial sugere que, se tudo correr bem, o novo Plano Diretor Urbano de Torres ficaria pronto para ser aplicado na cidade no mínimo em quatro meses após ser liberado pela municipalidade. E este cálculo sugere que a sociedade pressione a atual administração para que ela cumpra finalmente sua tarefa de encaminhar o novo documento revisado adiante, no sentido de que cumpra, então, suas etapas seguintes. Se não houver uma ação prática neste sentido, a cidade corre o risco de terminar mais um ano sem ter o documento mais importante para dar o horizonte necessário do desenvolvimento local. Consequentemente, dar aos empreendedores da construção civil, do Turismo, do Comércio e do pequeno mas já visível setor industrial local, a cartilha que regerá a decisão de investir ou não investir na cidade, razão de ser do Plano Diretor.
Uma cidade com o perfil de Torres necessita com muito mais intensidade de um plano de desenvolvimento atualizado e voltado í s vontades políticas e sociais do lugar. E o Plano Diretor Urbano é isto. Somos uma cidade fundamentalmente Turística, embora já tenhamos força e moeda corrente locais para nos conceituarmos como um município autí´nomo em seu portfólio de setores produtivos. Mas atualmente, se não crescermos sob o signo de ainda sermos uma cidade que depende do Turismo de Verão e do Turismo de Negócios como a força viva de produção local, corremos o risco de perdermos o trem da história que rege a competição acirrada deste setor, que é considerado em todo o mundo como um dos mais saudáveis para um lugar crescer, pois movimenta muito dinheiro, socializa a geração de empregos de forma liberal e natural, e ainda gera pouca poluição, se comparado com outros setores base de produção, como a Indústria Pesada ou a agroindústria. O comércio local, por sua vez, só aumentará seus empreendimentos se aumentar a entrada de dinheiro na cidade. Um lugar qualquer, cidade, Estado ou nação, só cresce quando o volume de moeda que entra na economia é maior do que o volume de moeda que sai da economia. Esta receita é simples, mas ainda não surgiu outra que a substitua.
Para que uma cidade turística como Torres cresça sob o signo de sua atividade principal, o Plano Diretor Urbano é a ferramenta básica que irá dar vida aos sonhos. Um construtor que quer ganhar dinheiro produzindo imóveis populares com alto impacto de vizinhança irá procurar cidades que permitam isto nas regras do jogo local. Um construtor que, ao contrário, quer ganhar dinheiro construindo imóveis voltados para veranistas mais endinheirados também irá buscar municípios que deixem claro que também querem isto no sistema de desenvolvimento local. E a regra do jogo tem que ser clara e absoluta sobre esta opção. Um veranista que quer veranear em um local estruturado, com ruas limpas, com esgoto, com um razoável plano viário de transporte e uma razoável lei que respeite sua intimidade optará por uma cidade que proporcione isto a ele, por lei. Já outro veranista que não se importa com estas regras, que quer simplesmente ter uma casa na praia para levar sua família no verão para passar as férias que custe pouco para ele, também vai escolher este lugar para comprar seu imóvel: trata-s de uma questão de opção…
O Plano Diretor Urbano é a cartilha que rege a forma que a sociedade local escolheu para viver, trabalhar e crescer. Se nosso Plano Diretor atual é datado do ano de 1995; se o documento já está para ser modificado desde 2005, e se os ministérios públicos estadual e federal atualmente se acham no direito de intervir nos planos de construção locais como está acontecendo, há um claro sinal que estamos sem norte. Urge que as autoridades finalmente pensem no estrago que este atraso está gerando no progresso local e encaminhem a finalização do Plano Diretor de Torres o mais breve possível. Ele deveria estar pronto até o final de dezembro de 2010.


