SERRA DA ROCINHA – (Linda de Matar)

6 de agosto de 2010

(Nem com um destes, dá para encara a Rocinha)

 

                      Quem passou mais de trinta anos a voar por estes céus, e sobreviveu, volta com ganas í  condição de humanóide bí­pede rasteiro. Estas ganas, ao evoluí­rem de atitudes para condutas, incorporam involuntariamente boas doses de sadomasoquismo. Estamos falando do prazer de rodar de carro, pelas estradas de Pindorama. Uma das caracterí­sticas do Gigante pela própria natureza, são as distâncias. Tanto que de São Paulo para o norte, 500 quilí´metros é   passeio; as viagens começam a partir daí­. Voar sem o MANAV (Manual de Navegação), equivale a rodar sem o Guia Rodoviário 4Rodas, da Abril. Assim no céu, como na terra, temos um sistema bem traçado e balizado de vias. Lá em cima as Aerovias; cá em baixo as Rodovias. Os percalços aéreos, nos deslocamentos, se apresentam como eventuais turbulências e/ou tempestades. Já no plano do chão, os graus de dificuldade são incontáveis. A começar por um clima relativamente hostil, somado í  incompetência cumulativa das chamadas autoridades do setor. Milhares e milhares de quilí´metros de estradas em ruí­nas, somados a traiçoeiras armadilhas. Acabamos de cair numa delas, com grande risco para a máquina e as pessoas. Praticamente sem volta!  

                      Foi na Serra da Rocinha, segmento da Serra Geral, na divisa RS (São José dos Ausentes)/SC (Timbé do Sul). Compromissos sociais de famí­lia nos levam, com frequência, a São Miguel D™Oeste no extremo oeste catarino. Metade do percurso pelo eixo da estratégica transversal BR-285, desenhada a partir da BR-101 (SC) até í  fronteiriça São Borja (RS). Uma variante convidativa, não fosse   o traiçoeiro trecho da Rocinha. A gente desliza por uma região paradisí­aca = Vacaria = Bom Jesus = São José dos Ausentes. Uma senhora 285. Asfalto, sinalização horizontal e vertical impecáveis; plantaçíµes de maçãs e pêras em formação militar, muitos tambos bem equipados, de lado a lado. De repente, não mais que de repente, o mundo acaba!… Ao se aproximar da serra, o aviso é seco e simplório: Trecho Interrompido. Desvio í  Direita. O que se segue (aproximadamente 40 Km) consome de duas a três horas, de verdadeiro pesadelo. Sem condiçíµes de parar, ou voltar. Com chuva, nem pensar! Pedra brutas soltas, daquelas que são cuspidas contra o outro, nos raros cruzamentos. Curvas fechadí­ssimas. Mal (ou bem?) comparando, a Rocinha converte a Serra do Rio do Rastro (pavimentada e iluminada) numa reta plana. Desrespeito, desprezo, escárnio pela vida humana, além do desgaste inevitável dos veí­culos. O que faltou naquele aviso = A d v e r t ê n c i a-

 

(1)               “ Desvio não pavimentado de 40 km, com alto grau de dificuldades.  

(2)                 Não recomendado trânsito com mau tempo (chuva).  

(3)                 Devido a ausência de refúgios, a decisão de prosseguir fica por sua conta e risco.  

(4)                 Alternativa: Retornar a Bom Jesus e procurar outra via.

 

 grlacerd@terra.com.br


Publicado em:






Veja Também





Links Patrocinados