O Partido dos Trabalhadores (PT) conseguiu manter-se no poder por mais quatro anos com a eleição de Dilma Rousseff, que obteve um pouco mais da metade dos votos válidos, mostrando equilíbrio no pleito que se finalizou no último domingo (31). O Brasil elegeu como escolha a continuidade das políticas atuais do país, caracterizadas por pressuporem um Estado grande e com tributos pesados sobre a produção de pobres e ricos da Nação. A outra opção representada pelo candidato derrotado José Serra também colocava este perfil de Estado como base de governo. As promessas de campanha do opositor dificilmente poderiam ser sequer cogitadas com a diminuição do tamanho da nação, muito menos da diminuição da carga tributária.
Isto quer dizer que as disputas de poder no Brasil não estão questionando esta premissa. Somente a candidata Marina Silva (PV) no primeiro turno citou o desperdício do dinheiro público como tema a ser atacado. No mais, imagina-se que os mais de 30 Ministérios existentes no país e os exércitos de CCs que os mesmos recebem irão continuar fazendo parte da cultura de gestionar a Coisa Pública da nação. Significa também que Empresa Pública, além de ser uma realidade paa nós recebeu aval do povo para continuar a receber também loteamentos partidários e aval para estatizar novas áreas, ou até criar novas empresas públicas e criar mais vagas para companheiros partidários, como, por exemplo, a empresa que está sendo planejada para operar as descobertas e exploração no petróleo do Pré Sal.
A candidata eleita Dilma Rousseff afirmou em seu primeiro discurso após a vitória, ainda no domingo passado, que se considera uma pessoa que enxerga o trabalho do servidor público, seja de carreira como indicado, como "a que realiza a tarefa de SERVIR A NAí‡íƒO, ao invés de SE SERVIR DA NAí‡íƒO". No mesmo discurso a candidata eleita não se referiu como ela estaria enxergando a atual atitude empregada nos oito anos do governo Lula no Brasil frente a este conceito de gestão publica. Imagina-se, então, que o governo vindouro terá muitos desafios para enfrentar, pois atualmente o Estado Brasileiro está longe de poder ser considerado um Estado que está í disposição do povo. Ao contrário: com uma carga tributária que consome quase metade do que o Brasileiro médio produz e com a ineficácia que utiliza estes mesmos recursos para gerar melhorias para os brasileiros, o Estado brasileiro pode ser, sim, considerado um Estado que coloca sua nação a serviço dele (estado) com políticas altamente centralizadas da nação, tendo o povo de trabalhar cada vez mais para sustentar os projetos chamados de políticas públicas.Se não vejamos:
Quando temos um sistema de Saúde que tem matado pobres em filas do SUS e obriga a classe média a pagar valores estratosféricos por Planos de Saúde privados, justamente para não morrer, planos estes que, inclusive, são oferecidos como benefícios na maioria das cúpulas dos cargos públicos, e que já exige praticamente um ministério inteiro para regulamentar a saúde privada, transformando-a na prática coma mais um serviços estatizado, pois as filas já começam a aparecer inclusive na prestação de serviços destes planos pagos pelo povo, não podemos considerar que o Estado esteja a serviço da população. Ao contrário: todos pagam tributos pesados para manter algo que não funciona, portando é o Estado se servindo do povo
Quando temos um sistema de Educação onde a classe baixa convive com a necessária realidade do cada vez mais baixo rendimento escolar dos alunos conforme dados de rankings divulgados, e a classe media se obriga, então, a matricular seus filhos em caras escolas particulares, que também já se submetem í s regras públicas imprimidas sobre elas, não podemos dizer que o Estado está a serviço do povo. Mais uma vez o povo está servindo o estado pagando imposto alto e, ou não obtendo serviço adequando, ou tendo que repagar o que já o era de direito.
Quando a classe baixa nos grandes centros se obriga a pagar propina para milícias para se proteger das quadrilhas de traficantes e de assaltantes em suas vilas, e a classe média se obriga a se cercar em casa e colocar câmeras de vigilância e vigilantes em seus condomínios, não podemos dizer que os quase 50% de trabalho que o povo paga ao Estado está tendo retorno. Muito menos afirmar que o Estado está "a serviço do povo. Pagamos novamente para termos o que seria obrigação do Estado.
A mais simbólica constatação da inversão de valores que existe no Brasil, que atualmente TRABALHA PARA O ESTADO ao invés de o Estado trabalhar para o Brasil, é a média salarial do setor público, que está muito acima da media salarial do setor privado se olharmos as mesmas funçíµes, mesmo deixando de lado os marajás e suas mordomias inclusive pós- aposentadoria. Atualmente a média do salário público está quase o dobro da média privada, o que dá o recado para nossos jovens que o futuro está na carreira pública. Como um país quer crescer de forma auto-sustentável quando os talentos da nação fazem concursos para receberem os salários maiores, os benefícios e a estabilidade da carreira pública, ao invés de verem no empreendedorismo pessoal ou empresarial o horizonte mais promissor como sugere uma nação verdadeiramente progressista?
Se a nova presidenta do Brasil efetivamente enxerga a função pública como um serviço a ser prestado para o povo da nação, muita coisa ela deverá fazer e, consequentemente, terá de enfrentar corporaçíµes fortes organizadas e egoístas para isto. Não adianta termos um servidor que teoricamente se coloca í disposição do povo como funcionário público se o próprio Estado se coloca institucionalmente como um cliente dos serviços prestados e pagos pela população para sustentar suas manias e vícios corporativos.


