EDITORIAL – Privatizar? Por que não?

23 de outubro de 2010

A questão da privatização ou não privatização mais uma vez se torna ponto de discussão em campanha eleitoral. O assunto é colocado por ambas as partes como um tabu, o que na verdade se trata de ludibriar o povo ainda inculto do Brasil, sugerindo que o tema vende a nação, o que está longe se ser verdade. A palavra soberania é também utilizada como se privatizar ou não uma empresa tirasse soberania de um povo, o que chega a enojar, pois a estatização de uma empresa nada tem a ver com isto. Ao contrário, atualmente o Brasil é dono da Petrobrás e do Banco do Brasil, por exemplo, e opera com o preço de combustí­vel dos mais altos de todo o mundo tendo auto-suficiência em petróleo; e opera com uma das taxas de juros mais altas do planeta, mesmo sendo dono do banco que mais lucrou os últimos anos no paí­s. Isto é soberania ou é exploração?  

Poucos são os setores que modernamente ainda resistem í  máxima que diz que empresa estatizada trabalha melhor e transfere esta melhora ao povo.   Transporte público é um deles, que se mostra um pouco próximo í  teoria dos defensores da estatização pela teórica transferência do lucro (chamada pelos comunistas radicais de mais valia) aos preços ou ao melhor serviço no setor. A Carris em Porto Alegre é um dos poucos exemplos bom de empresa Estatal, que demonstra sempre ter melhor qualidade em todos os sentidos perante as outras não estatizadas operando com o mesmo preço. Mas se trata de um serviço direto realizado í s populaçíµes mais pobres, e mesmo assim as tarifas de transporte público da Capital dos gaúchos são consideradas ainda caras perante o poder aquisitivo dos mais pobres, o que sugere, então, que a estatização não é tão boa assim, pois se a Capital vendesse a companhia provavelmente os preços e serviços não seriam modificados, tal são as pressíµes de agencias reguladoras governamentais para definirem os aumentos, e os recursos auferidos pela venda poderiam reforçar o caixa de Porto Alegre que necessita de muita coisa para se desenvolver,  como captação e tratamento de esgoto, por exemplo, item que ainda é pí­fio frente aos desafios do desenvolvimento sustentado manqueteado pela maioria dos polí­ticos.  

Qual a vantagem do brasileiro de ser dono da Petrobrás se, na prática, o combustí­vel do Brasil ainda é um dos mais caros? Por que, então, o Brasil não se coloca somente dono das reservas de petróleo ( inclusive   as do   pré -sal) e vende para a iniciativa privada os recursos extraí­dos, podendo, então, vender a Petrobrás por trilhíµes de dólares e, por exemplo, resolver o problema de esgotamento sanitário, ou do afunilamento e má conservação do modal de transporte da nação  que a deixa pouco competitiva no mercado internacional?  

Qual a vantagem de você, ai, leitor, ser dono do Banco do Brasil se pagas as taxas de juros mais altas do mudo e recebes um serviço deste banco muito aquém de instituiçíµes financeiras modernas, enfrentando filas, pagando tarifas acima de suas possibilidades e se obrigando muitas vezes a receber seu salário nestas instituiçíµes somente porque trabalhas em um órgão público,  e a lei corporativista obriga que a Folha de pagamento seja executada em ˜bancos Oficiais para melhorar ainda mais o fluxo de dinheiro do banco que é nosso, mas que acaba correndo para o lucro da instituição, que por sua vez não repassa nada para o contribuinte que outros bancos não possam também repassar?  

 A FOLHA é totalmente a favor da privatização da maioria as empresas do Brasil. Local de empresa é na mão da iniciativa privada. Local de patrimí´nio parado para a especulação capitalista é para estar na mão de capitalistas e não na mão de polí­ticos que, além de não saberem bem operar as empresas, muitas vezes a utilizam para obterem vantagens pessoais tiradas delas. Local de funcionário público é na prestação e serviços públicos í  sociedade nas éreas de Educação, Saúde, Infraestrutura, Segurança, Fiscalização e Projetos Sociais, não para vender petróleo ou dinheiro utilizando saudavelmente as regras de mercado, que não repassam aos contribuintes vantagem alguma.  

Na verdade este monstro desenhado para os brasileiros sobre a privatização de empresas é comandado por funcionários das estatais e polí­ticos dinheiristas, que temem perderem seus empregos quando as mesmas foram vendidas í  iniciativa privado, ou temem perderem fontes de financiamento de campanha. Consequentemente mentem que a estatização rouba da nação suas riquezas minerais e naturais, o que nunca aconteceria, pois o que é nosso é nosso, independentemente da empresa que explora; colocam a palavra Soberania em jogo para gerar medo, quando a verdadeira soberania de um povo é a liberdade de ele saber que os recursos pagos por ele em impostos estão sendo transferidos para serviços sociais e de infraestrutura, o que está longe de acontecer no Brasil. E, afinal, colocam o tema em debates eleitorais, buscando conquistar votos através de um medo que ninguém deveria de ter, somente os funcionários acomodados na lei de estabilidade, que sabem que, se o chefe for privado, seu emprego estará em risco, além de polí­ticos com visão dinheirista no horizonte.

 As naçíµes mais desenvolvidas do mundo praticamente não possuem mais empresas Estatais. Preservam as reservas naturais com muito afinco, cobrando o máximo possí­vel por produtos extraí­dos dela, mas trabalham efetivamente, na polí­tica, em servir seu povo não de brincar de ser empresário capitalista selvagem com o dinheiro da população.  


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