Empresa torrense dá exemplo de empreendedorismo e cuidados ambientais e coletivos

4 de dezembro de 2010

 

 

 

 

A empresa de reciclagem de materiais de Torres localizada no Campo Bonito Ferropel ocupa um espaço importante no cenário de açíµes produtivas da cidade. O ocupa espaço, principalmente, nas açíµes que protegem os moradores e a natureza da poluição, uma das maiores mazelas da humanidade moderna. Mesmo assim, não é esta a noção que a sociedade possui da atividade. Mesmo possuindo todas as licenças ambientais para operar conforme a legislação, alguns ainda classificam-na como empresa secundária e até menor em certos casos, o que se trata de erro de avaliação.  

í‰ que existia e ainda existe certo preconceito da população que habita os arredores da empresa e do povo em geral perante a atividade de reciclagem, mas um preconceito injusto e invertido, se comparada a verdadeira atividade da Ferropel relacionada com a reclamação preconceituosa, a qual sugere que o processo de trabalho da mesma é poluidor. Ao contrário, a atividade presta serviço altamente relevante para que a humanidade continue produzindo mercadorias de qualidade, com preços cada dia mais competitivos, ao mesmo tempo reaproveitando restos de processos produtivos e de consumo, colaborando sobremaneira para o chamado e tão manqueteando crescimento autosustentável de naçíµes, Estados e municí­pios.  

Atualmente a empresa pode ser considerada um exemplo positivo para a cidade de Torres. Além da famí­lia trabalhar junto ao empreendimento, a Ferropel gera em média mais de 30 empregos diretos, todos com carteira assinada, sem contar com o fomento e da renda de uma rede de catadores autí´nomos, que fornecem material recolhidos nas ruas para a empresa. Portanto, cumpre o dever de manter torrenses morando na cidade, principalmente os ligados í  atividade não turí­stica, busca das autoridades locais; e gera emprego que não depende da sazonalidade.

   

Alta participação na preservação ambiental

   

Mas o mais gratificante para a Ferropel conforme afirmam seus proprietários é o processo produtivo que ela está inserida e o resultado coletivo que esta atividade (muitas vezes preconcebida erradamente pelos observadores leigos) gera ao ambiente que as cidades se inserem. São toneladas e toneladas de produtos acabados mensalmente vendidos para empresas de primeira linha e importância no sistema de abastecimento ao consumo e exportação do paí­s, que fabricam, por exemplo, ferro, rodas de alumí­nio, embalagens de papelão e subprodutos plásticos, dentre outras mercadorias.  E com abastecimento originário do verdadeiro pulo do gato do processo da Ferropel: a captação. São centenas de caminhíµes cheios de restos de processos produzidos em Torres e região; restos de lixo reciclavel e restos de obras novas ou de reformas e demoliçíµes. Sem este serviço, a cidade de Torres teria mais alguns problemas: resolver como recolher os restos ou sucatas, achar onde colocar tudo isto, qual o destino que daria aos restos e, principalmente, o custo e os riscos ambientais que este tipo de sucata gera ao ambiente e í  segurança das famí­lias urbanas quando parados.  

Na empresa existem processos que transformam, após passarem por industrias e clientes conveniados, latas de refrigerante ou de cerveja em lingotes de alumí­nio, que serão comprados por indústrias que fabricam as rodas de liga leve, compradas a altos preços pelos mesmos consumidores que geraram o lixo inicial com as latas de bebidas; processos que transportam restos de ferro captados em demoliçíµes, geladeiras velhas, peças de veí­culos, dentre outras fontes de captação, para que empresas como a Gerdau, por exemplo, compradora de toda a produção de sucata de ferro da Ferropel, transforme esta sucata em barras de ferro para serem usadas nas obras que são construí­das, muitas delas, aqui em Torres, com o crescimento da construção civil notório nos últimos anos.  O material sai daqui limpando e protegendo a cidade, e é devolvido como matéria prima usada para a construção do desenvolvimento, após, alem disto, gerar emprego e renda com a atividade, como o exemplo torrense feito pela Ferropel.  

 Lá também se transforma resí­duos de papel, através de coleta de embalagem usadas de papelão, jornais velhos e outros produtos derivados, em fardos de papel pesados e compactos, que são vendidos para indústrias de fabricação de novas embalagens de papel, inclusive para consumo de massa como o tetrapak (que possui quatro camadas e é revestido com um plástico impermeabilizante). Captam-se também os restos de matéria plástica (que demoraria 100 anos ou mais para se degradar no ambiente se deixados nele) e, após ampla e trabalhosa separação, é transformado em fardos prensados de materiais vários classificados anteriormente, para que indústrias fabriquem mais outros subprodutos do plástico, economizando energia na fabricação da matéria prima e na retirada do petróleo do subsolo, além de evitar também a emissão dos gases na atmosfera que esses processos realizam.

   

Cuidados com a manipulação e com vizinhança

   

A empresa também se preocupa com a manipulação dos produtos quando separados e processados por seus colaboradores. Todos trabalham com luvas e em alguns casos com máscaras, mesmo que a empresa não processe lixou orgânico, somente materiais limpos. As carteiras são assinadas com as devidas leis trabalhistas para o setor, e a vizinhança sofre pouco, pois pouco tempo materiais ficam parados no local, por conta do alto giro entre a chegada de produtos na processadora e a necessidade do mercado. í‰ que nada fica esperando; existe mercado para quase tudo que é produzido, pois a Ferropel tem a experiência necessária para conseguir a colocação adequada para cada tipo de material, inclusive dando o destino adequado ao que por ventura não for reciclavel, exp, borrachas, louças, etc.    

Existe um plano da diretoria da Ferropel no sentido de expanssão da empresa visando comprar ou arrendar uma área maior. A idéia é transferir as operaçíµes de reciclagem da empresa, para que fique menos perto de famí­lias moradoras do bairro e visando também atender í s projeçíµes de crescimento dos negócios para breve.  

A empresa também preserva um sentimento de equipe e solidariedade í s demandas de trabalho entre todos que lá labutam. Os funcionários almoçam diariamente no local em um refeitório criado para isto. Além de possuí­rem trabalho, recebem comida caseira fresquinha, todos os dias.

   

Atividade está no DNA da famí­lia

   

Tudo começou com o Sr. Apolinário José de Oliveira, já falecido e que é aví´ da terceira geração que hoje já trabalha na empresa e pai do Sr Ademar Apolinario de Oliveira. Ele morava em Arroio do Sal, ainda no municí­pio de Torres, na década de 1950.  Caminhando na beira da praia em suas pescarias de subsistência e de lazer, ele intuiu que os cascos do marisco poderiam ser aproveitados em alguma coisa. Foi atrás e descobriu comprador, que utilizou em um primeiro momento para colocar junto em um sub-processo de fabricação de ração para animais. Na época, moradores zombavam da visão futurista de Apolinário.  

O fato ficou marcado por uma festa de São João que o idealista bancou naquela época para provar que sua visão tinha coerência. Ele, sem dizer nada a ninguém, fez uma fogueira, considerado a maior na região até então. Convidou os amigos e vendeu vinho e quentão para os freqí¼entadores da festa em volta da imensa fogueira. Após terminar a comemoração junina, ele mostrou que transformou a fogueira em um processo de fabricação da matéria prima que ele possuí­a mercado para a venda. í‰ que o comprador queria receber as conchas já queimadas e peneiradas, e pagava por isto. Pois a fogueira de São João do Senhor Apólinário fez isto: Divertiu os visitantes e ao mesmo temo produziu matéria prima para um processo, quando já possuí­a comprador. E ainda faturou adicionalmente no vinho e no quentão que vendeu aos festejadores, os mesmos que faziam chacota das idéias de Apolinário.

  Daí­ para frente, o empreendedor torrense do século passado se especializou em reutilização de materiais. Mudou-se para o centro de Torres e passou a captar ossos que eram vendidos para fábricas de pentes de cabelo (lembram os antigos?), e captar sucata de ferro para vender para reaproveitamento das indústrias de ferro. Ele colhia o material no lixão de Torres, há época localizado na Praia da Cal. Portanto, já havia um reciclamento do lixo na época, mesmo sendo encarado por todos como uma atividade secundária, hoje tão nobre pela nobreza em si da atitude.  

Seu filho Ademar, o atual diretor de marketing da Ferropel, largou sua profissão de servidor das Forças Armadas do Brasil para voltar para Torres e levar adiante os negócios de seu pai; mas levar adiante justamente importância que o trabalho trazia para a sociedade: Ganhar sustento e dinheiro ajudando o meio ambiente e evitando o desperdí­cio da sociedade. Hoje Ademar se orgulha do que faz. Diz a todos que leva adiante uma atitude iniciada com seu pai nos meados do século passado, e faz questão de que seus filhos ao menos entendam a nobreza da atividade. E recebeu mais que isto com esta educação engajada no bojo dos preceitos familiares. Hoje todos seus filhos optaram por trabalhar na Ferropel. Daniel, Viviane, Victor, Jean e Bruno trabalham de alguma forma ligada ao processo produtivo e reciclador da empresa. , assim como as noras Juliana, Ednéia e Jaqueline. A esposa de Ademar, Ledovina Matos Oliveira também passa o dia de certa forma envolvida na atividade do trabalho da famí­lia.  

Uma de suas filhas, além de incorporar o ideal da empresa, tem mostrado seu lado idealista como um todo. Viviane, a segunda do clã da terceira geração da famí­lia Oliveira foi até a semana passada presidente da Associação o bairro do Campo Bonito e se destacou na militância em nome dos moradores para pedir solução para os riscos que os cidadãos do bairro torrense correm diariamente por conta da falta de passarelas para pedestres na BR 101 duplicada naqueles distritos do entorno da estrada. Ela também se destacou como presidente do clube social local, quando conseguiu construir o ginásio com cancha poliesportiva sob sua gestão.Viviane hoje trabalha na área administrativa da Ferropel e possui planos para entrar mais a fundo na atividade da polí­tica, por insistência de moradores da região onde mora e milita e de familiares.

   

   

 


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