Lei de Deus e Lei dos Homens

24 de dezembro de 2010

Uma associação que reúne agnósticos (que não acreditam na existência de Deus) fez campanha de sua crença em materiais publicitários diversos em Porto Alegre. A justiça proibiu a continuidade da campanha e a polemica se instalou. Mas se instalou sob um prisma conservador; se instalou questionando a sociedade se a mesma concordava com o direito que os  associados que não acreditam em Deus teriam em fazer suas manifestaçíµes. Mais uma vez a sociedade confunde o Direito dos Homens com o Direito chamado de Deus.

Mesmo sendo agnóstico, certamente o grupo protagonista da ideia de fazer apologia contra a existência de Deus possui seus próprios mistérios, suas próprias dúvidas… Eles são humanos como todos nós e levam consigo suas fraquezas, mesmo escondidas no fundo de suas almas. Ou será que eles são diferentes, não possuem fraquezas; não escondem nada de ninguém e vivem diariamente extrapolando suas verdades como absolutas? Certamente não, pois se assim o fossem, considerar-se-iam deuses, mesmo que fosse para eles mesmos, caindo em contradição í  própria causa.

 A justiça dos homens existe pra organizar a inter-relação entre os bilhíµes de humanos que existem no Planeta Terra. Busca sempre dar igualdade de direitos entre os pares, dificultando o preconceito e evitando que o oportunismo vença a coerência. A justiça erra. E, por errar, a sociedade se organiza politicamente para tentar melhorar as leis, deixando-as mais justas. Este é o verdadeiro papel da sociedade. Já a chamada justiça divina é outra. Em geral o que é proibido pela justiça dos homens é pecado na justiça divina, embora haja algumas exceçíµes. Por exemplo, existem religiíµes cristãs evangélicas que se posicionam peremptoriamente a favor da submissão total da mulher ao homem na famí­lia, embora as leis, principalmente dos paí­ses ocidentais, se coloquem contrárias a esta diferença, mais modernamente punindo os infratores, inclusive. Outras religiíµes são totalmente contra o divórcio, como a Católica, por exemplo, mas as leis nos mesmos paí­ses ocidentais, onde predomina a religião católica na maioria, está aberta por esta opção de sua sociedade, inclusive regulamentando a opção livre de seus seres. Este é o verdadeiro conceito de um Estado que se diz Laico (sem religião) como o Brasil: faz suas leis í  revelia dos dogmas de toda e qualquer religião.

Mas o movimento agnóstico não está satisfeito com isto. Ele quer rebaixar e desqualificar todas as religiíµes com campanhas de frases prontas e agressivas, sugerindo de forma absoluta a não existência de Deus. Mas trata-se da criação de outra nova religião esta opção. í‰ que fazer apologia a alguma coisa que se refere á fé ou a inexistência dela só pode se tratar de uma nova crença, mesmo que ela seja a descrença. Com certeza este modelo de posicionamento deverá criar dogmas como foram criados na Igreja Católica ou em outra igreja, cristã ou não cristã. E os exageros, se não forem os mesmos dos dogmas de religiíµes tradicionais serão piores, pois não são baseados em escritas filosóficas milenares como a maioria são, o que dá mais espaço ainda para questionamentos.

 A verdade divina é, afinal, aquela verdade somente nossa,  que é expressa em nosso dia-a-dia por expressíµes, omissíµes ou mentiras. Esta verdade não é cientí­fica, pelo menos até o Ser Humano criar um leitor de pensamentos e sentimentos alheios, o que será pouco crí­vel pela falta de provas. Os agnósticos, portanto, querem que as leis de Deus sejam referendadas pela sociedade, embora não devam querer que a mesma sociedade leia seus pensamentos, muitos deles dignos de prisão em flagrante, pela Lei dos Homens, se fossem interpretados. Podem e devem defender suas crenças, mesmo sendo elas baseadas na descrença absoluta. Mas desautorizar ou tentar desacreditar religiíµes através de ofensas não é o caminho. Trata-se de  postura que gera facilmente processos de danos e perda moral, uma atitude amplamente puní­vel pela lei dos homens. E esta não adianta nem rezar: tem de se chamar advogados para   evitar cumprir a penitência.  

 


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