Lí­deres de partidos afirmam mais uma vez que reformas polí­tica e tributária devem ser analisadas a partir de 2011”

25 de dezembro de 2010

As reformas polí­tica e a tributária são os principais assuntos que ficarão para a próxima legislatura na Câmara. í‰ o que dizem lí­deres partidários em um balanço da gestão que termina (2007-2011). O próximo Congresso (2011-2015), segundo eles, terá a tarefa de colocar esses temas em discussão já no iní­cio dos trabalhos. Ainda não houve consenso para esses assuntos. Eles devem ser a pauta número um e número dois da próxima legislatura, afirma o lí­der do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).    

Para o lí­der do PSol, deputado Ivan Valente (SP), a reforma polí­tica pode ser a saí­da para uma série de problemas. O atual financiamento privado de campanha, diz, é a raiz da corrupção. O lí­der do PV, deputado Edson Duarte (BA), também defende a revisão do atual modelo eleitoral, principalmente, na próxima gestão. Ele afirma que o atual beneficia os polí­ticos de maior poder econí´mico.  

Na opinião dos lí­deres, no entanto, o caminho para a reforma polí­tica já está pavimentado com a aprovação, neste ano, da Lei da Ficha Limpa. O projeto, aliás, foi destacado como uma das votaçíµes mais importantes da legislatura. A Ficha Limpa teve participação do povo brasileiro, de todos os setores, da igreja, dos advogados. Foi uma colaboração da sociedade via Congresso, acredita Henrique Eduardo Alves. Na Câmara, a proposta foi aprovada em maio.

   

Impostos

   

Em relação í  reforma tributária, a Câmara analisa o relatório do deputado Sandro Mabel (PR-GO), mas ainda não conseguiu votá-lo. Contrário ao texto em tramitação, Ivan Valente afirma que é preciso promover a justiça fiscal no Brasil. A incidência de tributos deveria ser sobre a propriedade e a riqueza, e não sobre o consumo e a renda. O sujeito mais rico paga o mesmo imposto que o cidadão médio quando compra uma dúzia de ovos, exemplifica. Ele lembra que a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou projeto do PSol (Projeto de Lei Complementar 277/08) para instituir o Imposto sobre Grandes Fortunas.  

A lista de pendências da Câmara inclui ainda temas pontuais, como a regulamentação do funcionamento dos meios de comunicação e os assuntos ambientais. O lí­der do PT, deputado Fernando Ferro (PE), considera urgente definir regras claras sobre a propriedade dos meios. Há envolvimento de pares dessa Câmara na concessão de rádio e televisão. O debate fica interditado por interesses empresariais e isso só vai mudar se a sociedade se envolver como fez com a Ficha Limpa.    

Meio ambiente – Para o deputado Edson Duarte, é o tema ambiental que carece de atenção na Câmara. Ele destaca que as propostas em pauta em geral flexibilizam a legislação ambiental, como o projeto de mudanças no Código Florestal (PL 1876/99), já aprovado por comissão especial.

 Por outro lado, as propostas verdadeiramente ambientais, ressalta Edson Duarte, costumam tramitar por mais de 15 anos. Foi o caso da Polí­tica Nacional de Resí­duos Sólidos (Lei 12.305/10), aprovada em março deste ano pela Câmara, que tramitou por quase duas décadas. A Câmara é bastante conservadora. O poder econí´mico acaba sendo influência forte. No Brasil, há uma visão de que o meio ambiente é adversário do desenvolvimento.


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