EDITORIAL – Um enfoque turí­stico para o Parque Itapeva

21 de janeiro de 2011

 Mais uma vez a comunidade de Torres se obrigara a torcer para que haja de uma vez por todas, sintonia entre os interesses locais sobre o Parque Estadual Itapeva e os interesses do governo do RS, que insiste em tratar a área somente como uma unidade de Conservação. O descaso dos últimos governos sobre o Camping localizado dentro do parque é uma prova cabal disto. Trata-se de um dos equipamentos para acampamento mais bem localizados do Brasil, que além de esquecido, foi visto como um entrave aos objetivos preservacionistas da área.      Por outro lado, o Parque Itapeva, após oito anos da decretação de sua existência formal, não fez absolutamente nada de prático no sentido de ao menos legalizar sua situação. Apenas 3% dos donos das terras locais foram pagos pela compra compulsória exigida pelo Estado. A érea sequer recebeu cerca para evitar invasíµes e os invasores da área norte da unidade, localizados na área sul do municí­pio, estão sendo tratados como fantoches pelos atuais gestores do local. Dizem os representantes do Estado que é de responsabilidade da prefeitura municipal resolver os problemas das invasíµes, mas não se apresentam como parceiros financeiros para tal feito. Enquanto isto, quem mora dentro do parque ou na área em lití­gio não tem permissão nem para reformar suas casas, ou plantar algo em seus terrenos desapropriados por decreto.

A cidade de Torres vive basicamente do Turismo e do Veranismo. í‰ de se esperar que a sociedade local lute para que o Parque seja um equipamento turí­stico, além de, é claro, ser uma área de preservação com regramentos rí­gidos.  A comunidade na maioria apóia a existência do parque, mas demanda açíµes mais profissionais do Estado do RS para que, definitivamente, o parque se torne um diferencial competitivo turí­stico para ser incorporado aos vários outros existentes.   Alguns arautos do desenvolvimento da Construção Civil que não medem consequencias ainda insistem em colocar areia na idéia do Parque, mas sabem que será difí­cil desfazer a atitude da sociedade gaúcha apoiada por Torres em preservar uma área do ecossistema local para que turistas possam no futuro no mí­nimo saber como era naturalmente a costa do RS, além de poderem usufruir o local através de passeios dirigidos acompanhados por técnicos ambientais.

Já o Estado do Rio Grande do Sul não tem mostrado que se importa com o desenvolvimento do Turismo por aqui. Um exemplo claro é o orçamento da secretaria do RS em relação ao mesmo orçamento da secretaria de Turismo do Estado vizinho de Santa Catarina. Os catarinenses contam com dez vezes mais verbas para fomentar a atividade, o que de certa forma explica o marasmo que as demandas de turismo do RS se encaixam, sistematicamente. Mas o problema do Parque Itapeva acaba sendo um problema de gestão das governadorias. Enquanto a secretaria de Estado de Turismo não tiver responsabilidades e metas formais sobre a unidade de conservação, não podemos esperar que gestores do Meio Ambiente assim o façam, seria uma utopia irresponsável. E o camping localizado dentro do Itapeva acaba sofrendo as conseqí¼ências desta falta de visão gerencial.

Os moradores de Torres estão no seu direito de reclamar dos governantes do RS soluçíµes para o parque. Não adianta deixar ecologistas radicais que preferem que a área seja proibida para a entrada de humanos abram suas bases de militância e briguem com o outro lado radical, que vê no parque um entrave ao desenvolvimento do Turismo da cidade. O meio termo mostra com clareza que o local pode ser mais um diferencial turí­stico de Torres que se juntará ao Parque da Guarita, ao Rio Mampituba, í  Lagoa do Violão e ao Morro do farol, além das outras várias praias e locais naturalmente bonito que possuí­mos.  

 Os moradores de Torres brigam afinal por direitos legí­timos de cidadãos que aqui moram e daqui sobrevivem: Querem uma alternativa de desenvolvimento das praias do sul que compense a interrupção abrupta feita pela área do parque em sua ligação com o centro da cidade e querem que simplesmente o parque definitivamente funcione e seja, afinal, considerado por turistas como um equipamento a mais oferecido pela cidade, mesmo sendo um parque de preservação.


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