EDITORIAL – Falta atitude empreendedora

28 de janeiro de 2011

                    A FOLHA publica nesta edição do jornal uma matéria cobrindo boa parte do mercado de trabalho de Torres. A constatação quase que certeira indica que não há na cidade uma cultura empreendedora em relação í  carreira e, afinal, em relação í  vida de boa parte dos jovens torrenses.     As pessoas não parecem se preocupar com o efetivo crescimento profissional. Na maioria, preocupam-se somente em conseguir um emprego com salários fixo, mesmo que seja baixo.

O tema não é privilégio de Torres, já que se constata algo parecido com isto por conta de muitas matéria e pesquisas divulgadas na mí­dia nos últimos meses. Por incrí­vel que pareça, existem muitas oportunidades de emprego bem remunerado na iniciativa privada em toda a nação, mas poucos jovens estão preparados para ocuparem as funçíµes, que demandam certa experiência técnica anterior. Mas uma cidade turí­stica como Torres não pode se acomodar perante esta situação.   O perfil do municí­pio quase exige que a maioria da população seja motivada desde pequena a se preparar para atender clientes exigentes em todos os setores do comércio e da atividade do turismo locais. O turista quando está na cidade está consumindo duas vezes quando compra em uma loja, se hospeda em um hotel, almoça ou janta em um restaurante ou consome algum serviço de turismo receptivo na cidade: consome o produto ou serviço propriamente dito e consome, mesmo sem se aperceber, a hospitalidade e a identidade da cidade que se encontra. E é este conceito que ele, turista, leva para casa quando retorna, conceito este que pode ou não fazer com que se torne um cliente cativo da cidade, e naturalmente do comércio e dos serviços oferecidos nela.

Já pecamos na educação pública e privada em geral do Brasil como um todo, que insiste em não abordar o ensino do segundo grau com um enfoque empreendedor, com enfoque de proporcionar vontade em seus alunos que sejam autí´nomos em suas vidas. A maioria do ensino ainda enfoca a relação trabalho e salários como uma forma simples de troca entre cidadãos e empresas, o que modernamente não se trata da realidade. Pessoas que caminham para uma autonomia real de vida devem saber que o comprometimento com suas escolhas profissionais são diferencias vitais que dividem uma boa carreira de uma carreira medí­ocre.    O paí­s insiste também em proporcionar mais horizontes profissionais na carreira pública, oferecendo salários muito mais altos para concursados com ensino superior e médio, além da estabilidade de emprego, que chega a ser covardia em uma competição de carreira na cabeça de jovens, que muitas vezes acabam escolhendo este viés por pura acomodação ou por falta de propostas melhores na iniciativa privada. E como não existe milagre, um Estado gordo em cargos de todos os ní­veis e que paga salários acima da média privada é obrigado a cobrar tributos muito altos do meio produtivo, o que gera menos competitividade e naturalmente diminui a possibilidade da oferta de salários mais altos para a população em geral pelos empresários, pequenos, medos e grandes, formando aí­ um ciclo vicioso perigoso para o progresso econí´mico e social.

 Voltado para a realidade da cidade de Torres e a constatação da falta de motivação profissional dos jovens locais, é de se esperar que as autoridades municipais e o meio empresarial demandem dos polí­ticos em Brasí­lia uma polí­tica pública para que a mesma aja nesta mazela. Fomentar ainda mais a preparação técnica ao estilo que o SENAC proporciona; subsidiar os pequenos empresários para que contratem jovens, talvez os isentando de tributos trabalhistas ou outros, e, acima de tudo, introduzir no ensino público cadeiras ou abordagens que fomentem o empreendedorismo pessoal são algumas polí­ticas que poderiam dar resultado em Torres.


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