Dependência quí­mica: uma doença

5 de fevereiro de 2011

A Organização Mundial de Saúde define alcoolismo e Dependência Quí­mica como doenças. Um indiví­duo está doente quando bebe inadequadamente ou se droga, apresentando em conseqí¼ência distúrbios orgânicos tais como falta de ânimo, variação de peso corporal, cansaço, diminuição na capacidade fí­sica, insí´nia ou sono irregular. Estes distúrbios são indí­cios da doença, a qual evolui e se agrava quando o indiví­duo continua a usar a droga, fato que freqí¼entemente leva-o a morte.  

 Um ponto, portanto, que gostaria de deixar bem claro é que, diferentemente de outras patologias, o distúrbio na utilização de substâncias quí­micas se manifesta inicialmente sob o ponto de vista psicológico e social, sendo somente mais tarde visí­vel o comprometimento fí­sico. Poder-se-ia dizer que existe um perfil psicológico do dependente quí­mico, entre os quais:   a pessoa que está tendo dificuldades tende a nega-las, ou seja a Dependência Quí­mica   é por excelência a doença da negação. Invariavelmente o dependente nega que tenha problemas ou que esteja vivendo mal, chegando mesmo a mentir e ser desonesto, para piorar mais as coisas, nega-se a receber ajuda. Há tendências a colocar a responsabilidade da sua situação em outra pessoa, como por exemplo: me drogo porque meus pais não me amam; bebo porque você me enche. Observa-se uma tendência í  racionalização, o que significa que o portador da doença tende a usar o próprio raciocí­nio para criar formas de manutenção do seu hábito de drogadição.    

Surgem então teorias mirabolantes ou relatos complicadí­ssimos que tem por objetivo justificar a utilização da droga. Exemplo: Eu não estava a fim de beber, mas encontrei um amigo que estava chateado, pois está desempregado há um tempão, e aí­ ele me chamou para tomar uma cervejinhae eu não podia negar, daí­ fomos í  um bar…. Finalmente uma caracterí­stica psicológica do DQ é a grandiosidade, que pode ser comparada a uma arrogância ou falta de humildade. Na verdade esta caracterí­stica surge como forma de defesa de uma personalidade que lá no fundinho já se sente adoecida, mas que ainda não sabe como melhorar.  

 Creio que o leitor já deve ter presenciado a afirmação clássica paro de me drogar na hora que eu quiser, sendo que para todos que cercam o dependente (menos para ele mesmo) já está evidente a impossibilidade de fazê-lo.   Enfim temos aí­ o perfil psicológico complicadí­ssimo de alguém que nega ter problemas e nega ser ajudado, coloca a culpa do seu mau estar nos outros (geralmente nas pessoas que lhe são mais queridas); tem desculpas mirabolantes. Já ouvi inúmeros familiares perguntando por que isso acontece exatamente comigo?!. Costumo lhes responder que ocorre da mesma forma, isto é, que ocorre com qualquer pessoa que adquire uma doença. Sim, uma doença, porque ninguém é dependente quí­mico porque quer. Não me lembro de ter ouvido alguém relatar ter feito um convite para tomar um drinque ou usar uma substância dizendo vamos usar uma droga para nos viciarmos.    

Existem fatores genéticos e ambientais que pré-dispíµem o indiví­duo í  dependência quí­mica. A personalidade do indiví­duo é moldada e influenciada, também,   pelas suas primeiras experiências de vida desde a infância, por exemplo na educação  ou na qualidade das relaçíµes parentais. Desta maneira, ele poderá fazer uso da droga como uma auto-medicação para aliviar suas tensíµes emocionais como angústias, ansiedades, medos e tristeza por uma intolerância na capacidade de sentir e viver seus afetos mais dolorosos,    se dispor de recursos emocionais precários para lidar com frustraçíµes e ansiedades inerentes í  vida, buscando na droga uma certa fuga e anestesia contra a dor emocional.

 Trata-se portanto de uma doença primária grave, crí´nica progressiva e de determinação fatal, que pode ser controlada. Mas que para isso aconteça é fundamental levar em conta todo o espectro de causas possí­veis e encarar de frente o problema.  


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