EDITORIAL – Educação pí­fia, sociedade dominada

11 de fevereiro de 2011

O Rio Grande do Sul ficou na 11 ª posição no ranking elaborado pela ONG Todos Pela Educação publicada nesta semana passada, que leva em conta o percentual de alunos que chega ao Ensino Médio com mais idade que tecnicamente a didática exige. O mesmo levantamento mostra outras várias mazelas do ensino gaúcho, principalmente o da rede pública. Os alunos matriculados nas escolas gratuitas no Estado chegam ao ensino médio com seis vezes mais idade do que seus pares que freqí¼entam as escolas particulares e pagas. E mais. No Brasil como um todo, o sistema teve melhora em todo o território, quando no RS a produtividade está estagnada. Resumindo, o RS, que sempre se colocou na vanguarda do ensino no Brasil como exemplo positivo, atualmente saboreia estar na média nacional.  

O sistema avaliado leva em conta uma década, entre os anos de 1999 e 2009. Portanto, já engloba as polí­ticas públicas de transferência de renda de incentivo í  freqí¼ência de alunos na rede pública aplicadas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso em menos quantidade, e pelo presidente Lula, em seis anos de seu governo, entre 2003 e 2007, com a força financeira e polí­tica do Programa Bolsa famí­lia, que iniciou exigindo dos beneficiários o boletim de presença dos filhos das famí­lias em Sala de Aula. Portanto, não se pode reclamar de falta de incentivo ao estudo por parte do governo, que atualmente paga para que suas crianças de famí­lias de baixí­ssima renda estudem em colégios que lhes fornecem ainda alimentação durante as aulas, em alguns casos durante todo o dia.  No RS, o quadro é mais aflitivo, pois o incentivo público não mostrou eficácia numérica: nosso Estado esta estagnado durante esta década avaliada, em plena atividade da polí­tica pública de incentivo.    

O ensino no RS vem sendo amplamente dominado pela vontade do CPERGS. O sindicato mostrou nos últimos quatro anos, por exemplo, que consegue derrubar governos caso não seja feita a vontade exigida principalmente pela cúpula da entidade,  que originariamente nasceu para defender os professores públicos de atos da sociedade. Portanto, é de se pensar que a culpa desta pí­fia posição do RS em relação ao Brasil no quesito de idade média atingida por alunos ao chegarem ao ensino médio e também no ensino superior seja reflexo dos maus resultados desta relação de poder exagerado que o sindicato conquistou junto aos poderes constituí­dos, poder que tem conseguido atingir metas amplamente rechaçadas pela sociedade, como,  por exemplo, a não aplicação do sistema de Meritocracia, que avalia os professores por sua performance, atitude aplicada já em vários Estados federativos,  com resultados visivelmente positivos. E esse abortamento por parte do CPERGS acabou também abortando aumento para professores da base da pirâmide da educação, que constava no projeto do governo passado.

 Buscar aumento de salários para a classe de trabalhadores da Educação é obrigação do sindicato e até da sociedade. Sabe-se que a média salarial da categoria é baixa e necessita com certeza apoio de polí­ticas publicas para melhorar este quesito. Mas trabalhar utilizando seu poder para brecar movimentos estratégicos positivos da sociedade perante o sistema de ensino não se trata de uma ação nada didática e deveria envergonhar professores que participam destes movimentos corporativistas negativos. Está na hora da sociedade exigir de seus legisladores que, definitivamente, se imponham perante o CPERGS. Não se vota em polí­tico para que os mesmos se comportem com medo de enfrentarem situaçíµes que podem gerar conflito. Principalmente em itens fundamentais como Educação, Saúde e Segurança, as ideologias republicanas devem transpor í s pressíµes corporativistas.  


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