Mídia e violência
26 de fevereiro de 2011
Chegou a hora de questionarmos se a TV está simplesmente refletindo a violência que já existe no mundo, ou está incitando seus espectadores a mais violência? Pesquisas mundiais concluíram que o entretenimento violento gera comportamento violento. Os estudos de literatura sobre mídia e violência e seu impacto na saúde de crianças e adolescentes, verificaram que a violência veiculada nos meios de comunicação pode: facilitar o comportamento anti-social; a banalização pelos espectadores para a violência na vida real, pela exposição excessiva í violência na mídia e ampliar a percepção dos expectadores de viver em um mundo perigoso e mal, predispondo as pessoas a uma paranóia coletiva. Mas qual o verdadeiro impacto na personalidade da criança, no seu ambiente real, nas suas experiências com agressão, nas circunstâncias familiares e no contexto cultural?
Uma pesquisa realizada em 23 países, inclusive no Brasil, procurou investigar, através de questionários, como esse grupo percebe a violência na televisão. O resultado mostrou que a televisão é um meio sempre presente em todas as regiíµes pesquisadas, e que as crianças passam mais tempo em frente í TV do que usando qualquer outro meio de comunicação, ou realizando outra atividade, inclusive lição de casa. O estudo aponta também o fascínio que a violência exerce, freqí¼entemente relacionando heróis recompensados por suas açíµes agressivas ao lidarem com os problemas. Assim, a violência na televisão se torna atraente como um modelo para resolver os problemas da vida real, embora seja preciso considerar e investigar outros fatores como o ambiente real em que a criança vive experiência com agressão, circunstâncias familiares e contexto cultural.
Torna-se premente questionar os modelos que a sociedade brasileira em crise de valores éticos, sociais, morais e de qualidade nas inter-relaçíµes, tem oferecido aos jovens. Muitos não têm modelo de ser e agir no mundo, nem mesmo dentro de suas famílias. A velocidade e o excesso de informaçíµes através dos meios de comunicação tendem a saturar o aparelho psíquico, levando a reaçíµes defensivas, de indiferença, de insensibilidade e de esgotamento afetivo dos indivíduos diante do que se torna repetitivo: e exposição continua da violência. Não há como negar a influência das notícias no comportamento violento da população. A mídia, quando se apropria, divulga, espetaculariza, sensacionaliza ou banaliza os atos de violência: está induzindo ou estimulando o ato violento.
Neste contexto, ela pode se tornar uma das mais contundentes formas de se propagar e, em até certo ponto, exaltar a violência. í‰ necessário reavaliar o papel de apoio da sociedade como um todo (família, escola e comunidade), visto que ela pode ter um potencial maior de influência (censurando, reprimindo, orientando) sobre comportamento individual do que o aparelho de televisão. Alguns pais, que tradicionalmente exercem a maior influência sobre o uso que as crianças fazem da mídia, têm cada vez menos percepção do quanto e do que seus filhos vêem. Por outro lado, aqueles pais mais participativos, conseguem minimizar influências indesejáveis da mídia em seus filhos, proporcionado seu crescimento em condiçíµes seguras e um bom relacionamento na família, escola e amigos. Desta maneira, torna-se cada vez mais necessário a mediação de pais, profissionais de saúde e educação nesta exposição da mídia sobre a criança e o adolescente.


