EDITORIAL – Vamos organizar esta Suruba!

5 de março de 2011

 

O ato animalesco protagonizado pelo funcionário público, que atropelou conscientemente ciclistas em Porto Alegre, acende um sinal de alerta í s autoridades para que, definitivamente, se reúnam para que haja a inclusão das bicicletas no Código de Trânsito brasileiro.   E pode-se aproveitar a deixa para revisar o próprio Código, que atualmente mais parece um texto de lei que protege o Estado de seus cidadãos, ao invés de proteger os próprios cidadãos das mazelas do trânsito, inclusive as mazelas causadas pelo próprio Estado, se não vejamos.  

Atualmente a lei permite, por exemplo, que um motorista seja multado e receba pontos na carteira de motorista por não estar utilizando o cinto de segurança. Vejam. Não é porque o motorista não tenha disponí­vel em seu carro o acessório, é por não utilizar o cinto mesmo. Trata-se da obrigação que o Estado exige para que seus cidadãos protejam a si próprios. Se houvesse campanhas de conscientização da utilização do cinto, inclusive ridicularizando os que não o utilizam, poder-se-ia ser totalmente favoráveis í  postura do Estado. Mas não é. Trata-se da proteção das contas públicas e do próprio Estado, tão somente, já que está obrigado a atender pelo SUS os acidentados e pagar indenizaçíµes aos mortos ou aleijados por acidentes.  

No mesmo paí­s, na mesma cidade brasileira, que um cidadão pode ser multado por não utilizar cinto e segurança, inclusive em municí­pios onde a velocidade média de trafego é menor que 20 km/Hora, o mesmo cidadão brasileiro pode passar na frente de uma autoridade policial na contramão em uma avenida perigosa de uma grande cidade sem poder sequer ser abordado pelo guarda, desde que seja de bicicleta. Este cidadão incauto pode até causar acidentes sérios a terceiros por sua imprudência em cima de sua bike, mas não há lei que o puna. E isto acontece durante todo o dia em várias cidades brasileiras. Adultos, além de andarem em suas bicicletas sem respeitar nenhuma regra de bom senso nas ruas, ensinam seus filhos para assim agirem: Parece que de bicicleta pode tudo!  

No mesmo paí­s onde o motorista pode ser multado por não se proteger ao não utilizar cinto de segurança em ruas de cidade que a velocidade é pí­fia, o mesmo cidadão entra em um í´nibus municipal, em alguns casos até em í´nibus intermunicipais, e se obriga a viajar em pé. Motoristas travam, correm, travam de novo, etc. E o passageiro que se dane.    

Sabemos que não existe vontade polí­tica para que a bicicleta seja incluí­da como um veí­culo formal no sistema de trânsito brasileiro. Os legisladores, em escritórios com ar condicionado perfeito, com seus carros disponibilizados gratuitamente para suas funçíµes, estacionados em garagens seguras e com seus motoristas disponí­veis, enxergam a bicicleta como uma mazela para suas vidas e suas empreitadas no trânsito,quando passam por elas nas ruas em seus carros climatizados, com vidros fumês, sentados no banco de trás. Mas lá na Vila, onde pedem votos, apóiam que seus eleitores utilizem suas bicicletas para irem trabalhar, levar seus filhos para a escola, ir ao supermercado, justamente porque não possuem dinheiro para terem seus automóveis. E é por isto que as leis que modernizam nosso código de trânsito ultimamente só se preocupam com a vida í­ntima do cidadão. Diariamente assistimos leis esdrúxulas, que obrigam que cães utilizem cintos de segurança, que as cadeiras para crianças tenham de ser verdadeiras naves espaciais com cédula de segurança total. Mas no ambiente coletivo, onde as leis deveriam mais se preocupar, assistimos uma inércia total, como se o trânsito no Brasil não tivesse se transformado em uma verdadeira Suruba, onde temos que cuidar para não sermos atacados, mas a promiscuidade entre nossos pares nos obriga que sejamos espertos para atacar o outro em nome de nossa vontade imediata.

 A entrada da classe média- baixa na economia tem aumentado diariamente o número de carros nas ruas. A idéia falsa que o automóvel é um siní´nimo de status aumenta esta tendência. A falta de visão ambiental das autoridades, que compram carros í  diesel para as secretarias e ministérios das áreas ambientais trabalharem, além de não ajudar para que cidadão utilize menos seus carros insurge para que, ao contrário, eles troquem suas bicicletas ou transporte coletivo por mais carros e mais carros. Isto projeta que esta verdadeira Suruba que se transformou o trânsito no Brasil aumente ainda mais seu conceito. Então, sugere-se que a sociedade exija das autoridades polí­ticas que pelo menos organizem esta Suruba.    


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