EDITORIAL – Engolindo… í  seco!

21 de maio de 2011

Os acontecimentos do ano de 2011 envolvendo decisíµes das autoridades do Governo Federal têm demonstrado um poder acima do admissí­vel da Coisa Pública perante a população em geral.   Desde a eleição de Dilma Roussef, a população se obrigou a engolir medidas cabalmente provadas que estão na  contramão dos interesses privados,  sem enxergar no horizonte sequer posicionamentos ou movimentos organizados que pudessem dar uma chance de reverter as atitudes do governo federal e do Congresso Nacional.  

 A oposição polí­tica no Brasil também nunca se mostrou tão frágil. A própria campanha do principal adversário da presidente eleita mostrava que as plataformas do partido opositor e suas coligaçíµes eram muito similares í s do governo atual, que já está a oito anos no poder.   E após o pleito o que se vê é a materialização desta dissonância entre os discursos oposicionistas institucionais e suas reais pregaçíµes no dia-a-dia da polí­tica. O DEM, um doa maiores partidos do Brasil, está desmoronado; o PSDB dividido entre vontades e interesses de caciques já há vários anos; e o PMDB e o PDT caminhando coligados com o poder, seja lá qual for sua bandeira.    

O resultado desta fragilização da força da democracia é este que vemos. Salários de parlamentares duplicados por eles mesmos sem nenhum questionamento da presidente da República, embora com altos í­ndices de crí­ticas feitas pela mí­dia e pelas redes sociais da internet; ministros em posiçíµes estratégicas do alto governo com questionamentos abertos e públicos sobre como aumentou em quatro anos dezenas de vezes de se patrimí´nio, sem posicionamentos radicais do congresso Nacional; a escolha e eleição de polí­ticos envolvidos em processos por mau uso de verbas e posiçíµes de poder para serem presidentes de comissíµes importantes no Congresso Nacional, como a comissão de ética e a Comissão de Finanças, sem nenhum questionamento feito pela presidência da República, dentre outras. O reencaminhamento do Senador José Sarney í  presidência do Senado é um exemplo pragmático destas ingerências generalizadas ocasionadas pelo excesso de poder dos polí­ticos que fazem parte da base do governo. Ele passou um ano respondendo de forma evasiva í s acusaçíµes (provadas) de má administração da casa e de tráfico de influência no mesmo Senado, mas foi reeleito como se nada tivesse acontecido.  

A questão não é tão importante pelas mazelas diretas que traz í  administração pública como um todo. Mazelas como maior engessamento do orçamento, falta de credibilidade da população perante o governo e o Congresso, já bastante aviltada, dentre outras,  são importantes e devem ser combatidas. Mas a principal e mais perigosa questão que esta demonstração de poder exacerbado projeta   para o paí­s é a falta total da possibilidade da sociedade fazer valer a democracia;   a falta de força da voz do povo e a inoperância total perante poder da mí­dia investigativa, que denuncia mazelas e pessoas envolvidas em irregularidades dentro do poder público, sem nenhuma resposta dos que estão no poder no sentido de reverter situaçíµes ou punir os responsáveis. Se a sociedade não possui poder para fazer valer sua vontade, somente uma revolução mais violenta pode devolver o poder í  população, o que de se evitar a qualquer custo.

 A Reforme Polí­tica é a mais eminente ação que a sociedade deve exigir que entre em debate e, logo, seja implementada. Com a possibilidade dos acordos atuais entre agremiaçíµes e caciques dos partidos polí­ticos, não se poderá projetar nada no horizonte que evite que o Brasil seja administrado com mão de ferro jurí­dica e institucional como está sendo hoje.   Enquanto não houver mais responsabilização pública de agremiaçíµes e de pessoas que atuam na polí­tica, os acordos irão continuar comandando as açíµes práticas da administração no poder.    


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