EDITORIAL – Falta de respeito de Palocci

3 de junho de 2011

 

 

 

A questão que está no ar sobre o enriquecimento do Ministro Antí´nio Palocci já passou de todas as medidas. A denúncia veio í  tona já faz três semanas e o noticiário dos jornais e TVs da nação não passam uma edição sem citar mais um capí­tulo desta novela tragicí´mica. Na última semana, mais polí­ticos se expuseram, de ambos os lados, por conta de mais tentativas de fazer com que o principal ministro da equipe de Dilma se obrigasse a explicar seus feitos de forma pública. Cenas praticamente de circo são protagonizadas no horário nobre dos noticiários deixando os brasileiros como ví­timas de uma história onde a falta de respeito ao eleitor dado por Palocci e pela presidente Dilma acaba sendo a principal protagonista.  

A primeira resposta dada por Palocci ao fato já bastaria para sua demissão. Ele disse que estava enriquecendo como enriqueceram ex-ministros da fazenda de governos anteriores, citando inclusive os nomes dos ex- ministros. Ora, esta afirmação pública ja estampa a atitude antiética  de Palocci,  muito aquém daquela que é obrigatória para estadistas do primeiro escalão de um governo eleito por mais de 60% do eleitorado nacional.  A resposta dada   por ele não se trata de uma resposta de um empregado do povo, o que ele o é, definitivamente: se  trataria talvez da resposta de um empresário, de um cidadão comum, até de um polí­tico com mandato, mas não de um executivo contratado, que recebe da presidente do paí­s autonomia para decisíµes vitais para  os brasileiros.  

Para o partido do ministro, a questão é mais séria ainda. O Partido dos Trabalhadores entrou na polí­tica abrigado pelo guarda-chuva da retidão, da transparência, da simplicidade, da Igualdade entre todos como mote de ideal.   Nas eleiçíµes de 1989, de 1994, de 1998 e de 2002, este foi o mote de campanha dos petistas, mote este que elegeu Lula em 2002, afinal, dando a primeira chance do Partido dos Trabalhadores usufruí­rem da caneta e do poder dados í  Cadeira Maior do paí­s. Com o passar do tempo, o PT mostrou que não se difere em nada dos outros partidos com força numérica e representatividade do Brasil. O Mensalão foi o final da virgindade do PT, e de lá para cá a sigla aparece proporcionalmente aos outros principais partidos nos escândalos espalhados pela nação, o que mostra que a corrupção e a esperteza não possuem sigla. Mas a base tradicional dos petistas ainda possui históricos seguidores da retidão e da ética. Em alguns Estados como no RS, por exemplo, o PT ainda funciona como funcionava em 1989, com seus ranços, suas tendências comunistas, mas acima de tudo colocando a ética como bandeira de suas plataformas.  Com certeza estes entes partidários não devem estar nada felizes por verem um ministro que enriqueceu não querer falar sobre o assunto, não pedir demissão por puro respeito ao cargo, nem de ver a candidata que representa a sigla como presidente da República ficar quieta perante todas as denúncias, mesmo que muitas delas sejam exageros, tática normal das oposiçíµes, inclusive especialidade do PT.  

Infelizmente a nação perde como um todo. Mais uma vez parece que a sociedade irá assistir nos noticiário uma avalanche de denúncias de corrupção, enriquecimento artificial, prevaricação, dentre outras. Ao invés de vermos a saudável disputa entre ideais socialistas contra ideais mais progressistas, acabaremos assistindo o Congresso Nacional votando MPs de afogadilho, utilizando votos como moeda de emprego e outras coisas mais, impublicáveis, e gastando tempo e dinheiro recolhido com 40% do trabalho do povo do Brasil com motivos superficiais.

   A presidente Dilma deve entrar no jogo e demitir Palocci. Que ele vá fazer consultorias fora do governo. Com este trabalho ele pode enriquecer, se quiser, assim como pode ser estúpido com suas respostas í  opinião pública.  .  


Publicado em:






Veja Também





Links Patrocinados