A importãncia do amor e a lamentável prevalência do desamor”

24 de junho de 2011

Subtí­tulo de um livro sobre psicossomática, que me vem í  memória, ao escrever este artigo. í‰ notável a hostilidade ou, no mí­nimo, a ambivalência (sentimentos de amor e ódio, lado a lado, pela mesma pessoa) que permeia, muitas vezes, muito mais vezes que o desejável, as relaçíµes entre pais e filhos, ainda que, frequentemente, o que exista talvez não seja a falta de amor e sim a incapacidade de transmiti-lo. í‰ certo que, do ponto de vista da formação da criança, de sua instrumentação para a vida que, afinal, é o grande mister dos pais, não fará diferença se eles não a amam ou se, amando-a, não conseguem lhe transmitir a certeza deste amor. E, no entanto, as crianças necessitam desesperadamente da segurança deste amor, particularmente do amor da mãe, principalmente nos primeiros anos. Por isso, faz-se necessário que o bebê seja investido de um longo e ininterrupto perí­odo de cuidados maternos.    

Segundo pediatra e psicanalista Winnicott, faz-se necessário que a mãe se esqueça, investindo na emocionalidade do seu recém nascido. Se a mãe não estiver disponí­vel afetivamente, estes cuidados deveriam ser dispensados, preferencialmente, por uma única e exclusiva pessoa para o bebê. No entanto, esta não parece ser a realidade de muitos bebês entregues prematuramente a creches, escolinhas, onde muito cedo em suas vidinhas já precisam se adaptar, ou seja, dividir cuidados com muitas outras crianças, sendo cuidados por várias tias, para ele, pessoas estranhas.  

 O essencial í  saúde mental é que o bebê e a criança pequena tenham a vivência de uma relação calorosa, í­ntima, contí­nua e emocionalmente estável com a mãe (ou substituto materno), para sentir-se seguro e amparado, no qual ambos encontram satisfação e prazer. Isto, enriquecido de diversas maneiras pelas relaçíµes com os demais integrantes da constelação familiar, está na base da saúde mental, segundo o psicanalista inglês Bowlby, assim como a privação afetiva materna está na base de muitas psicopatologias da infância e vida adulta.  

Parece ser comum as mães que não são distorcidas por má saúde ou por tensíµes ambientais do dia a dia tendem em geral a serem exatamente o que seus bebês necessitam e, ainda mais, gostam de prover as necessidades fí­sicas e emocionais de seu bebê. Isto é a essência do cuidado materno amoroso. Do contrário, sabemos que aquela futura mãe que gesta seu filho e não o planejou, desejou, tende a levar a gestação sob muito stress a ansiedade. Desta maneira é lançado na corrente sanguí­nea do bebê o hormí´nios do stress (adrenalina e cortisol, p.ex), que a neurociência talvez ainda não domine em que ní­vel afeta o gestado. Difí­cil alguém que fosse submetido aos estresses intra-uterinos e neonatais, além da rejeição, privação afetiva, não guarde ní­veis de ansiedade que possam beirar o terror em face a situaçíµes novas, como são os quadros de pânico, ou medo paralisante, em que sabe-se que a origem pode ser o desamparo, ou abandono precoce. Forma-se, então, o abismo interno, o vazio afetivo, a angústia inominável do Ser.  

 Através de um cuidado adequado da mãe e de seu amor é que o bebê será capaz de ter uma existência pessoal, e assim começar a construir seu próprio Ser único, já que a personalidade começa a se desenvolver a partir desta primeira relação primitiva entre mãe-bebê, pois para ele a mãe é seu primeiro continente, porto seguro. Que aquelas crianças que talvez nunca tenham sentido ser amadas como precisavam ser, aprendam a amar!

 

PAULA BOROWSKY


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