A normalidade da imperfeição humana

1 de julho de 2011

Todos nós humanos somos imperfeitos por natureza, o que nos torna gente, pessoas falí­veis, muitas vezes contraditórias, confusas, atrapalhadas, mas também extraordinárias e singulares em nossa essência. Em todos estes anos de profissão, pude me comover, emocionar e aprender muito com cada jornada de vida que compartilhei de forma única com cada paciente que veio me procurar, ou mais precisamente buscar-se a si mesmo, através do instrumento terapeuta, como um veí­culo, em sua função mediadora deste processo. Como boa amante da música popular brasileira, lembro-me de Caetano Veloso que nos levou a refletir sobre o conceito de normalidade quando, em sua música Vaca profana, disse que, de perto, ninguém é normal. Digamos que é necessária uma dose de ousadia, irreverência e uma certa loucura sã (saudável) para criar, viver, reinventar a vida, caso contrário nos restará uma vida super adaptada, engessada, rí­gida, falsa, sendo o preço alto que se paga em nome do socialmente ou politicamente correto.  

 No iní­cio do século passado, Freud, pai da Psicanálise, afirmou a mesma idéia com as seguintes palavras: Toda pessoa só é normal na média. Parece uma grande loucura, no entanto Freud, Caetano e todas as pessoas do planeta temos algo em comum: nenhum de nós é perfeito. Se olharmos bem ao redor, constataremos facilmente essa realidade. Quem não conhece alguém genial na criação de complexos programas de computador, ou projetos inovadores de engenharia, que, por outro lado, apresenta profunda dificuldade em seus relacionamentos sociais, principalmente sociais e afetivos? Todos nós temos pontos fortes, talentos, aptidíµes ou dons e pontos limitantes, fraquezas, que, com o tempo e com empenho, podemos aprender a administrá-los em nosso próprio benefí­cio.  

 No entanto, esta constatação não é bem vista, e facilmente aceitável para uma pessoa perfeccionista, ou com uma personalidade obsessiva, já que se detector mental de erros funciona mais do que deveria, ou seja ela passa ser hiper vigilante e exigente com suas falhas a ponto de desconsiderar ou anular os acertos, restando-lhe apenas o sentimento de frustração, insuficiência   e fracasso. Ela sente-se quase que permanentemente inadequada, incapaz, compelida a corrigir ou a censurar seus erros (reais ou imaginários).  

 Assim, os erros, ou gafes, por mais banais que possam ser, se tornam motivos de ruminação mental, gerando as idéias obsessivas desencadeadoras de grande ansiedade, resultando no aprisionamento emocional da pessoa, pois ela torna-se escrava das próprias idéias e açíµes, quando se envergonham e julgam   como absurda e ridí­cula, seus pensamentos e atitudes, mesmo quando aceitos pelo social como ser humano.  


Publicado em:







Veja Também





Links Patrocinados