A Praça XV

3 de setembro de 2011

 

 

 

Maria Helena Tomé Gonçalves

 

 

                      De tanto ver insanidades feitas na Praça, um dia o povo do seu redor enlouqueceu também e resolveu ser chegada a hora de arregaçar as mangas e trabalhar. Primeiro passo: tornar-se uma instituição legal “ Associação Comercial, Industrial e de Serviços Praça XV “ Torres/RS, com o objetivo maior e especí­fico de cuidar da Praça XV “ adotá-la legalmente, projetar sua reforma, captar recursos, investir recursos dos associados, transformá-la. Criar mecanismos para mantê-la sempre limpa e bonita, contratar legalmente um jardineiro, pagar seu salário, vistoriar seu trabalho. Planejar, promover e supervisionar as atividades realizadas na Praça e divulgá-las no painel próprio para isso. Impedir a ocupação do seu espaço como mais um ponto comercial privado em espaço público.  

                      Planos e metas que foram realidade apenas durante duas gestíµes administrativas municipais. Depois o Prefeito eleito agradeceu o trabalho e dispensou a participação da Associação. Os associados ficaram de lado, mãos e vontades amarradas pela dispensa oficial. Ao cabo da primeira gestão do atual Prefeito a Praça estava um caos. Sob pressão da Presidência da Associação, foi recuperada. Mas, o tempo passa, o tempo voa como prega o marqueteiro de um conhecido banco brasileiro, novamente a Praça está um caos.  

                      Façamos uma rápida visitinha: vemos bancos quebrados e falta de encostos, o coreto com as balaustradas quebradas e a falta de várias peças de ferro fundido, pontos de ferrugem e pintura gasta nos postes e demais peças de ferro, luminárias apagadas porque as lâmpadas queimaram e foram quebrados os globos de vidro, jovens baderneiros andando de skates e rollers no piso do quiosque e jogando-se sobre as balaustradas que vão cedendo e quebrando, lixeiras transbordantes, a vegetação de arbustos ao redor do coreto tornando-se árvores que já estão prejudicando seus alicerces, a inclusão de novo tipo de lixeiras que destoam da temática da Praça e estão colocadas ali sem método e sem mérito, já que o lixo é jogado aleatoriamente em qualquer lugar. Há um descaso por tudo, de todos.  

                        Descaso da população que não zela pelo que é seu. Descaso da Prefeitura e da atual gestão que não cumpre com sua obrigação mí­nima de zelar e manter a Praça, já que por orgulho e presunção de seu dirigente maior afastou a Associação e quebrou unilateralmente o contrato de adoção. Descaso dos usuários que apenas ocupam seu espaço e nada fazem para mantê-la. Descaso da nossa Associação que se encolheu ante a decisão do gestor municipal, baixou a cabeça e cerrou os lábios. Descaso do meu próprio coração que aprendeu a fingir de não ver e proibiu minha boca de falar e minha mão de escrever. Resta imitar Drummond e clamar: – E agora, José?      


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