OPINIÃO – ‘CULTURA DA CULTURA CRIMINOSA’ COMO DIFERENCIAL TURÍSTICO?

Nas Favelas do Rio de Janeiro, já existe até roteiros turísticos, onde guias registrados levam visitantes estrangeiros para conhecerem a cultura dos moradores das “comunidades"

2 de novembro de 2025
Fausto Araújo Santos Junior

Morreram mais de 120 pessoas quando da reação (negação) da ordem de prisão por membros de organizações criminosas nas comunidades do Rio de Janeiro (vulgarmente conhecidas como Favelas), em meio a uma operação do governo para capturar criminosos investigados. Há opiniões que defendem que tenha havido exagero da polícia, por atirar nos que supostamente apontavam uma arma para eles (policiais) quando a voz de prisão não foi atendida. E há os que acham que a polícia estava certa, ao insistir em prender membros de facções que estavam crescendo, mostrando poderes perigosos na sociedade, espraiados pelo país e pelo mundo, mantendo a empreitada mesmo tendo de responder com armamento fatal .

Nas Favelas do Rio de Janeiro, já existe até roteiros turísticos, onde guias registrados levam visitantes estrangeiros para conhecerem a cultura dos moradores das “comunidades”, como chamam atualmente as favelas. Pessoalmente, acho que não é uma forma amigável de conviver com o crime. Deixar que criminosos atuem vendendo drogas para consumidores pode ser até uma forma que, mesmo que também seja criminosa, faz com que gangues não fiquem agressivas contra as autoridades – ao incendiarem ônibus e etc. como protesto, por exemplo, como acontece sistematicamente no mesmo Rio de Janeiro e tem se repetido em outras capitais do Brasil. Mas ‘glamourizar’ o crime, mostrando favelas que dentre outras situações apresentam guardas das gangues portando (ostensivamente) armas com sofisticação de guerra, que divulgam e ‘glamourizam’ festas chamadas de “Baile Funk” ocupadas por adolescentes com rifles expostos ( polidos para festa) e até oferecem hospedagem em hotéis dentro das favelas para o turista ter a vivencia de morar ao lado de lugares dominados pelo crime ( ou comprar droga como guaraná nas ruas), não me parece uma boa forma de trabalhar contra o tráfico de drogas e armas.

Parece-me que a ‘vontade de expor’ a cultura desta parcela do Rio de Janeiro passou o sinal: de excêntrica se tornou ridiculamente perigosa. Mas é uma opinião. Democraticamente.

 

 




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