OPINIÃO – TERCEIRIZANDO CULPAS

A obrigação de oferecer água e serviços de saneamento à população é da prefeitura das cidades. A responsabilidade é dela...

FOTO - Imagens da obra em Arroio do Sal, antes de concluída
8 de novembro de 2025
Fausto Araújo Santos Junior

O vereador Luciano Raupp (PSDB) em seu depoimento na Câmara de Torres, reclamou acerca das recorrentes reclamações de outros vereadores, quando pedem que a Corsan Aegea deixe bem refeitas as vias (nas ocasiões em que fazem buracos para arrumar um cano embaixo da terra, em várias intervenções na cidade), o que faz parte do dia-a-dia na empresa que cuida da manutenção e de novos investimentos no sistema de entrega de água potável e de captação e tratamento do esgotamento sanitário. Só que os vereadores trabalham para fiscalizar o trabalho do Poder Executivo – e não de empresas que fazem trabalhos terceirizados.

Certa vez, há algum tempo, os vereadores de Torres em outra legislaturas chegaram a citar uma empresa terceirizada pela Corsan (quando ainda era estatal) por problemas em obras de reparos e de implantação de rede na cidade. Ou seja, os vereadores reclamavam formalmente, através de seus gabinetes – conseguidos através de votos, mas pagos pela população de Torres – da empresa que havia sido contratada pela Corsan para trabalhar em uma empreitada qualquer na cidade, em alguns casos citando que ouviram de representantes destas mesmas empresas terceirizadas que o problema estaria em alguns funcionários, que não estavam respondendo bem às ordens de seus ofícios contratados.

Mas penso que, na verdade, deveriam cobrar da prefeitura de Torres sobre o problema, já que a prefeitura terceirizou o trabalho porque quis. E o contrato da terceirização (neste caso da arrumação dos buracos) pode não estar sendo cumprido pela Corsan, o que pode gerar multas e até a rescisão. Assim como a Corsan (no passado) resolveu terceirizar (o que ‘quaterniza’ o serviço?) para uma empresa, a tal empreitada protagonista das reclamações, também foi esta empresa ‘quaternizada’ que contratou o funcionário culpado pelo chefe. Ou seja, neste caso: Não foi nem a Corsan quem contratou a pessoa, nem a prefeitura, muito menos o vereador que foi eleito (muito menos ainda o povo que o elegeu.

A obrigação de oferecer água e serviços de saneamento à população é da prefeitura das cidades. A responsabilidade é dela. Pode ser que o sistema esteja com problemas, colapsando por falta de organização ou recursos financeiros, o que pode ser respondido pela prefeitura. Mas ‘terceirizar a culpa’ não se trata de uma forma correta de atuar na prestação de contas para o cidadão, que paga compulsoriamente os impostos para que o serviço seja feito, ou pelo menos para receber uma explicação responsável (e não a terceirização da responsabilidade).

 




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