Seráque o Prefeito lê?

26 de setembro de 2011

Certo dia um leitor assí­duo dos jornais torrenses cumprimentou-me por ter voltado a escrever e comentou as crí´nicas escritas sobre nossas praças, indagando-me se o Prefeito respondia aos questionamentos feitos. Disse-lhe que nunca recebi resposta alguma e ele fez a pergunta tí­tulo desse texto: – Será que o Prefeito lê?  

Segunda feira, após passar três vezes ao lado da Praça XV e observar a correria desvairada de uma turma de garotos em seus skates em cima do piso do coreto da Praça, atualmente semi destruí­do pelo vandalismo dessa mesma garotada, não segurei mais meu impulso e fui conversar com a turminha procurando manter a calma e ser persuasiva ao argumentar sobre o cuidado com os espaços públicos como dever de todo e qualquer cidadão, da necessidade de preservar o que é nosso, de como a praça fora construí­da pelos comerciantes do entorno e por aí­ afora, argumentação sempre rebatida com o maior desrespeito por parte da gurizada. Já cansada de ter que falar muito alto para ser ouvida, apelei para o fato de ter sido professora e orientadora educacional por muitos anos, talvez tendo sido professora de muitos dos seus pais ou mães, com os quais eu teria muito prazer em conversar. Somente a partir daí­ comecei a ser ouvida e a resposta deles a qualquer argumento meu era de que não tinham um lugar adequado para praticar skate, que a praça deles estava toda esburacada e que o Prefeito não fazia nada… tinham recolhido dinheiro em campanhas para a arrumação daquele espaço… tinham feito abaixo assinado… nada dera resultado positivo. Falei que escrevo para o jornal, que escreveria a respeito nessa semana, que ajudaria na elaboração de uma carta e marcaria com eles uma entrevista com o Prefeito… um baixinho me interrompeu e respondeu de forma direta e categórica í  questão levantada pelo meu leitor dias atrás: – Perda de tempo, dona, o Prefeito não lê o que a gente manda prá ele!    

E agora, eis aí­ a questão: – O Prefeito lê as mensagens, os comentários, as crí­ticas, os elogios, os anseios, as decepçíµes, as esperanças e desesperanças que o seu povo lhe envia através dos textos dos jornais? Porque se lê, poderia sinalizar que conhece nossos pedidos e até dizer por que não costuma atendê-los, agora se ele não lê… não saberemos jamais. Mas se ele lê, ou se algum assessor o faz e conta pra ele, poderia muito bem mandar uma respostinha pra essa gurizada a fim de que eles usem seus skates no lugar próprio para isso e parem de demolir nossa tão preciosa Praça XV, o Coração de Torres, cujo coreto está sendo utilizado como pista de skate, cujos bancos são usados como trampolins, cuja destruição e desolação em que se encontra é um péssimo cartão postal do centro da cidade para aqueles que nos visitam. Não esquecendo que o cerne da nossa economia depende dessas visitas e do seu retorno periódico. Se o Prefeito lê, poderia atender nossos pedidos tão simples e tão singelos: consertar a pista de skate e devolver í  Praça seu estado original.

     Maria Helena Tomé Gonçalves

 

 


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