A cultura da imagem

2 de outubro de 2011

Umas das abordagens para analisar a moda enquanto manifestação simbólica diz respeito ao caráter revelador desta segunda pele. O apropriar-se de determinados trajes funciona, em vários casos, como "falsificação" do "eu". Não se deixa ver o que se é, mas sim o que se gostaria de ser. Fabrica-se, desse modo, através do vestuário, um ser ideal, objeto de desejo que supostamente vai ser bem acolhido por todos.  

 

O sujeito que se relaciona através de uma tela com outra pessoa, pode também esconder sua verdadeira face. Ele só irá expor o que lhe for interessante ou bonito para ser mostrado. A maioria das respostas define este sujeito como alguém que tenta ser o que não é, ou seja, alguém que se utilizando de uma máscara , interage com outras pessoas mostrando somente aquilo que lhe agrada,  e que por conseqí¼ência ele acha que agradará a outra pessoa. Essa relação se parece muito com uma relação de escopia: O sujeito procura pela visão de si mesmo, por seus iguais, só por aquilo que lhe dá prazer.

 

Desta forma podemos pensar numa fixação narcí­sica, tanto naquele indiví­duo adepto das tendências da moda quanto do sujeito num chat.   O indiví­duo então desinveste parcialmente seu interesse/libido do mundo externo, passando a tomar a si próprio como objeto de amor. Ele é sua tela, ele é sua roupa. A esteticidade de nossa sociedade é gritante se observarmos o boom das grandes marcas para que o sujeito possa cada vez mais possa blindar-se, mostrar“se , se expor. Assim como Andréa no filme O Diabo Veste Prada, o sujeito inserido num chat tem apenas uma falsa promessa de neutralidade e de autoria.

 

A internet vem tornando-se um lugar onde supostamente há leite e mel em abundância. Lá  se é amigo do rei, tem-se a ilusão de um lugar seguro,  onde há a possibilidade – mesmo que ilusória – de ser o que não se é na vida real. A tela é um espelho de identificaçíµes, é a tela que sofre as marcas de um sujeito senhor de si e dono de sua liberdade. A solidão na tela, a dor na tela, e um sujeito supostamente isento de tudo isso sentado atrás de um personal computer.

 

A indumentária (roupa) existe quase que desde o surgimento do homem. Surgiu por necessidade de proteção e com o tempo adquiriu o poder de diferenciar os nobres dos plebeus. Arrisco dizer que a necessidade de proteção criou não apenas as roupas, mas também castelos de marfim,  onde as pessoas se trancafiaram a fim de se defenderem de um mundo cada vez mais competitivo e hostil. A moda poderia dar ao indiví­duo maior singularidade e a internet pode promovê-lo a senhor de si. Supostamente livre na navegação,  o sujeito crê que está isento da influência de outras pessoas,  e a tela que se torna uma extensão de seu próprio corpo, entra e caminha por onde seu mouse e sua vontade o levam.

 

 Hoje em dia,  moda parece fundamental para as pessoas, pois através dela se passa uma mensagem,   diz-se quem é, qual   sua classe social e esta é a "senha" para entrar em alguns lugares. A moda pode ser tratada como um discurso além de estar associada í  estética.

   As formas discursivas acompanham as ideologias de cada cultura e época, por exemplo, a ditadura da magreza na moda institui novas formaçíµes e sintomas como os transtornos alimentares, assim como uma cultura que supervaloriza do externo, a imagem, o belo,   a embalagem, contribui para formaçíµes de patologias narcí­sicas, onde existe um prazer no exibir-se, mostrar-se, no enaltecimento da imagem em detrimento da essência do ser


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