OPINIíO – Um Olhar Psicanalí­tico para Agressividade

9 de outubro de 2011

A Agressividade como normalidade é constitucional e necessária para auto conservação e conservação da espécie, porque possibilita nos posicionarmos nas situaçíµes como, por exemplo,   a defesa diante dos perigos enfrentados. Propicia sermos proativos, dinâmicos, está relacionada í  ação, í  iniciativa, a competitividade construtiva, ambição, coragem, entusiasmo e garra.  

 

 Todos seres humanos  trazem consigo um impulso agressivo. A agressividade é um comportamento emocional que faz parte da afetividade das pessoas e das relaçíµes. Portanto, é algo natural.   Já dizia Winnicott (1939) que: "Amor e ódio constituem os dois principais elementos a partir dos quais se constroem as relaçíµes humanas. Mas amor e ódio envolvem agressividade. Por outro lado, a agressão pode ser um sintoma de medo. De todas as tendências humanas, a agressividade, em especial, é escondida, disfarçada, desviada, atribuí­da a agentes externos, e quando se manifesta é sempre uma tarefa difí­cil identificar suas origens. Portanto, a agressividade não é siní´nima de falta de amor. Desta forma, casais que se amam podem ter momentos de agressividade, sentir raiva, ódio e vontade de ficar longe por alguns instantes,  sem que isso signifique que não se gostem.    

 

Mas, por outro lado, existem,  sim,   formas patológicas de agressividade, e quando ela se torna patológica?Por exemplo, a auto-agressão ou  auto-destruição, quando a pessoa desloca a agressão para si próprio. Ex: Suicí­dio, auto- mutilação, condutas de risco, auto-sabotagens, auto-recriminaçíµes, auto-puniçíµes, em que encobrem sentimento de culpa   inconsciente. Como o próprio nome indica, o sujeito não manifesta agressão para com o outro, mas dirige-se a si próprio. O sentimento de rancor é um exemplo desta forma de expressão da agressão. Apresenta-se como   forma   inibida, levando   diversas doenças psicossomáticas (sintomas fí­sicos),  í  apatia, desânimo, falta de vitalidade, depressão. Da mesma forma, é patológica quando ela toma uma finalidade destrutiva, delinqí¼ente, sem objetivo construtivo como citado acima.  

 

 A conduta anti-social é um exemplo do fim perverso que adota a agressão, depredando, prejudicando, lesando, usurpando do outro. As possí­veis causas de ordem ambientais, familiares para a conduta anti-social são: privação afetiva no lar, autoridade ambí­gua entre o casal parental para com os filhos (por exemplo quando um dos pais desautoriza o outro), além de situaçíµes de abuso fí­sico e psicológico, ou seja maltrato vivenciado pela criança, podendo tornar-se um adulto agressor em potencial no futuro.

 

   Além dos aspectos do meio familiar, podemos entender a violência como resultado de uma desordem social em que valores éticos, humanos estão sendo deteriorados, até mesmo pelas camadas superiores, como nosso governantes em que a lei é branda   e tendenciosa para punição da corrupção. Desta maneira, faltam modelos positivos de conduta e atitude, para que o jovem possa se identificar e se referenciar em sua vida.      

Paula Borowsky – Psicóloga

 


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