DO PASSADO: Muita história e curiosidades de 1911 em Torres (parte 1)

"O livreto 'Memória histórica, estatística e geográfica do Município de Torres', é uma preciosidade publicada pela Intendência Municipal em 1911, recheada de informações sobre a região naquele recorte do tempo.

1 de dezembro de 2025

Esta coluna só foi possível graças ao trabalho incansável do amigo Tommaso Mottironi, dedicado à busca e preservação da cultura e dos documentos históricos de nossa cidade e região. Foi ele quem teve a iniciativa de digitalizar um livreto raro, guardado na Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), e disponibilizá-lo ao público com um simples clique.

A história de uma cidade é feita de camadas: datas, fatos, personagens e, sobretudo, memórias. Este texto busca resgatar as origens da vila de Torres, no litoral norte do Rio Grande do Sul, oferecendo uma leitura acessível, moderna e fiel aos registros históricos originais. Através da modernização linguística e da reorganização temática, apresentamos um retrato da formação e evolução de Torres, desde os tempos de povoamento até os costumes e tradições que moldaram sua identidade. É um convite à redescoberta do passado que ainda ecoa nas ruas, nas festas e nas paisagens da cidade.

O livreto em questão, Memória histórica, estatística e geográfica do Município de Torres, é uma preciosidade publicada pela Intendência Municipal em 1911, recheada de informações sobre a região naquele recorte do tempo. Entre dados históricos, estatísticas e descrições geográficas, há também um punhado de curiosidades que pincei e compartilho a seguir.

 

Início de tudo: A vila de Torres, um dos municípios do estado do Rio Grande do Sul, teve a seguinte origem: Diogo de Souza, ao assumir o governo da Capitania de São Pedro em 9 de outubro de 1809, criou uma guarnição militar próxima à divisa com Santa Catarina, no Norte, servindo como presídio. Estabeleceu-a na chamada “torre do norte”, onde atualmente se encontra a vila. Em 1814, essa guarnição estava sob o comando de Manoel Ferreira Porto, alferes da Legião da Capitania, que logo iniciou o povoamento da região.

 

Elevação à Vila: Pela Lei Provincial nº 13 de 20 de dezembro de 1837, a povoação de São Domingos das Torres foi elevada à categoria de freguesia, com um único distrito pertencente ao município de Santo Antônio da Patrulha, desligando-se da freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Arroio. Mais tarde, pela Lei nº 401 de 16 de dezembro de 1857, a freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Arroio foi elevada à categoria de vila, passando Torres a pertencer a esse novo município. Em 21 de maio de 1878, pela Lei nº 1152, a freguesia de São Domingos das Torres foi elevada à vila, sendo instalada em 22 de fevereiro de 1879. Contudo, foi desfeita e anexada novamente ao município de Conceição do Arroio pela Lei nº 1610 de 16 de dezembro de 1887. Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, a vila foi restaurada por ato de 23 de janeiro de 1890, sendo reinstalada em 3 de fevereiro do mesmo ano.

 

Povoamento Alemão: Em 1825 chegaram os primeiros colonos alemães, estabelecendo-se nos núcleos de São Pedro de Alcântara e Três Forquilhas, sob os auspícios do governo geral, conforme o “Quadro Estatístico e Geográfico de 1868 da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul”, organizado pelo engenheiro bacharel Antônio Eleutério de Camargo.

 

Segurança Pública: A delegacia de polícia foi criada por ato de 8 de maio de 1879, sendo nomeado delegado o tenente-coronel Manoel Fortunato de Souza em 8 de abril de 1880.

 

Iluminação pública: Em 12 de outubro de 1903, foi inaugurada a iluminação pública à petróleo na vila de São Domingos das Torres. Um avanço para a época, certamente motivo de festa entre os moradores.

 

Morte do Presidente: O intendente João Pacheco de Freitas decretou luto oficial por oito dias no município pelo falecimento do patriarca republicano e “incomparável patriota” Júlio Prates de Castilhos no dia 24 de outubro de 1903.

 

População: À época, o município contava com exatos 6.975 habitantes: 3.850 no primeiro distrito e 1.742 no segundo. Mais de mil famílias eram de origem portuguesa e alemã, com algumas italianas entre elas.

 

Logradouros: Na vila existiam duas praças, a Júlio de Castilhos e a Marechal Floriano Peixoto; dez ruas e (o mais curioso) logradouros de pastagem/matos e de aguadas.

 

O Porto das Torres: A ideia do porto ainda rondava o imaginário local. Em sessão da câmara municipal, em 15 de março de 1879, o presidente da casa, vereador tenente-coronel Manoel Fortunato de Souza, propôs enviar à Assembleia Geral um memorial solicitando a abertura de um canal do rio Mampituba até o oceano Atlântico, entre as duas torres. A proposta foi aprovada por unanimidade. Dizia o memorial:

“Impõe-se com uma necessidade imprescindível e inadiável, sob pena, se não fizermos o quanto antes, de sofrermos as piores consequências, como não ignoram aqueles que conhecem o nosso movimento evolutivo.”

Felizmente, o canal nunca saiu do papel. E as piores consequências, profetizadas com tanto ardor, não se concretizaram.

 

Clima: O clima da região é úmido e variável. Durante os meses de inverno, as chuvas são frequentes, especialmente em junho e julho. Em dezembro, predominam os ventos do sul e do sudoeste, enquanto em julho e agosto, sopram ventos do nordeste.

 

Educação: As primeiras escolas públicas foram criadas em 1861, mas já antes disso existiam professores particulares. As escolas públicas lecionavam apenas as primeiras letras e estavam instaladas no prédio da Câmara Municipal. A educação era ministrada de forma simples, e os livros utilizados incluíam a Cartilha do ABC, a Gramática de Feliciano Nunes Pires e o Catecismo de São Roberto Belarmino. O exame final era presidido por uma comissão formada por membros da comunidade.

 

Agricultura: Além da cana-de-açúcar, cultivavam-se banana, mandioca, videira, feijão, milho, arroz, batata, amendoim, café, fumo e algodão. Um retrato da diversidade agrícola do município.

 

Fonte: https://redeculturatorres.org/2023/09/05/memoria-historica-estatistica-e-geographica-do-muncipio-de-torres-1911/#memoria-historica-estatistica-e-geographica-do-muncipio-de-torres/46/.




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