Maria Helena Tomé Gonçalves
Os seres vivos de um ecossistema estão divididos basicamente em duas categorias distintas: a flora e a fauna. De flora nativa e exótica eu até já estou entendendo um pouquinho, mas tenho pensado na fauna, não só a fauna nativa dos bichos que andam soltos por aí, nem a fauna exótica dos bichos presos nos zoológicos, tenho pensado mais especificamente na fauna representada pelo bicho homem. Tanto tenho pensado que descobri que somos todos, ou melhor, quase todos, bichos racionais exóticos no território brasileiro. Descobri que exceto os indígenas de tribos isoladas lá pela imensidão da Amazí´nia, o restante do povo que se miscigenou a partir dos estrangeiros que vieram para cá de outros ecossistemas ninguém mais é nativo.
Vejamos: tudo começou com os espertos dos portugas que aqui chegando fincaram bandeira e já foram acasalando com as nativas (chamadas índias por eles, numa total confusão com o povo que eles pensavam encontrar na busca de um caminho mais curto para as índias, que eles já roubavam naquela época). Eles nem ficavam aqui, mas já deixavam no solo a cada viagem suas exóticas sementes de gente. Em seguida tentaram aportar aqui os seus vizinhos espanhóis que não lograram muito êxito e debandaram para o outro lado do continente e foram acasalar com as incas, as maias e as astecas que viviam por lá. Depois vieram os holandeses e os franceses. Não contentes, os portugas resolveram importar gente negra da ífrica, com os quais também acasalaram, isto é, com as negras e criaram mais um ser exótico, porém lindíssimo e do sexo feminino que é a … mulata brasileira. Os negros que vieram da ífrica gostaram das nativas daqui e também com elas acasalaram originando os cafuzos. Mais tarde vieram os colonos importados da Alemanha e da Itália para trabalharem nossa fértil terra. Vieram também alguns ingleses para industrializar esse país, vieram também os japoneses, os chineses, os polacos, os judeus que se espalharam pelo mundo afora e o Brasil foi virando uma verdadeira Torre de Babel. Gente exótica de todo tipo acasalando com mestiços de todo gênero.
Analiso rapidamente minha árvore genealógica: de um lado sou bisneta de portugueses e de espanhóis de onde veio meu aví´ paterno que casou com uma judia e originou meu pai. Do outro lado sou bisneta de italianos, neta de filhos de italianos e filha de uma brasileira descendente de italianos a qual casou com meu pai que era um brasileiro meio português, meio espanhol e meio judeu. Assim sendo, sou mesmo o quê? O quê? Um bicho exótico meio português, meio espanhol, meio judeu, meio italiano e quem sabe não tenho também um sanguinho negro ou nativo correndo em minhas veias??!! Estou preocupadíssima. Vamos que eu encontre por aí um daqueles biólogos torrenses adepto da pureza nativa dos ecossistemas e… Já pensou nisso?


