EDITORIAL – Muita bandeirada para pouca comemoração

1 de novembro de 2011

                  í‰ visí­vel o descontrole das prioridades públicas no Brasil. O Sistema de Saúde Pública, chamado de SUS (Sistema Universalizado de Saúde), que foi idealizado para todos, embora somente seja utilizado por quem não têm dinheiro para pagar Plano de Saúde, se trata de uma prova cabal. O disparate neste caso é tão grande, que o governo federal já trata de regular Plano de Saúde privados, tal é o í­ndice de utilização deste sistema pela classe média e alta, o que faz com que corramos mais riscos ainda com isto, pois o que é privado e é regulado por governos geralmente não dá certo.  

A Educação nos coloca em posiçíµes vergonhosas no ranking mundial. Não existe sequer perspectiva de melhora sem antes haver uma reforma geral no Sistema Público que mexa principalmente na forma de  ensinar,  treinar e remunerar os professores.   Na Segurança Pública, nosso paí­s convive diariamente com uma verdadeira guerra urbana. Mesmo não tendo temas passionais nas esteiras das idéias dos assassinatos e da violência social, como acontece em vários paí­ses ainda dominados pelo radicalismo religioso, o Brasil mata gente como formiga; a sociedade se obriga a se trancar atrás de grades, os seguros de automóveis são verdadeiros assaltos aos consumidores justamente pela alta periculosidade do prêmio; as vilas pobres vivem como refém do governo por um lado e do traficante e bandido do outro, enfim: Nossa segurança pública é pí­fia.

Na infraestrutura produtiva nosso Brasil também dá show de incompetência. Um levantamento feito pelo setor de transporte divulgou estes dias que a rede de estradas do Brasil possui 30% de sua malha em situação de alta periculosidade, e que seriam necessários vários bilhíµes de reais para simplesmente re-pavimentar os trechos crí­ticos. Ou seja: os principais itens que o governo deveria dominar:  Saúde, Educação, Segurança e Infraestrutura,  estão deploráveis no Brasil.

Mesmo assim entra governo e sai governo e assistimos o lançamento de vários Planos estratégicos pelo governo federal. Antes disto, é claro, se faz necessário criar um ministério para estas polí­ticas públicas.  E os ministérios, também, é claro, servem para acomodação de companheiros de partidos aliados ao governo central.  E o resultado de tudo isto é um caos social. Mesmo tendo Saúde, Segurança, Educação e Infraestrutura com quilí´metros de tarefas na fila para que simplesmente a nação se apresente ao menos de forma coerente com sua posição atual de protagonismo da economia mundial, assistimos o aparelhamento do Estado para, afinal, gerar bandeiras sociais, muitas delas hipócritas, que são os sustentáculos das votaçíµes de agremiaçíµes no poder ou de futuros polí­ticos de indiví­duos unos em suas buscas.

A questão do projeto Segundo Tempo, fato gerador do último escândalo no Governo Federal, se trata de um exemplo emblemático disto. O objetivo cidadão do programa é o de gerar atividades esportivas para crianças e adolescentes no segundo turno, qual seja, no turno inverso nas aulas. Ora: já existe uma rede de escolas públicas municipais e estaduais, onde o que mais elas necessitam são verbas para justamente implementar atividades nas próprias escolas em turno inverso. Mas isto não dá bandeira para partido polí­tico, muito menos gera necessidade de um ministério, muito menos ainda gera empregos para companheiros ou dinheiro para companheiros dirigentes de ONGs, portanto não serve. Outras várias frentes em outros vários ministérios com a mesma insistência da criação de retrabalhos pagos pela sociedade nós podemos assistir em vários outros setores da Coisa Pública da nação e em muitos casos se repetindo em Estados Federativos e Municí­pios, através de secretarias especiais também criadas para o mesmo fim.  í‰ Ministério dos Direitos Humanos, é Ministério da Igualdade Racial, são ministérios e ministérios feitos para tarefas que, além de poderem ser tocadas por outras pastas, se tratam de assuntos altamente complexos, dignos de pendências de altos debates, que poderiam ser resolvidos através de projetos de lei feitos pelos legisladores, ou eles não trabalham?

Tem um ditado que sugere que o Ser Humano é movido por desafios, independente de sua situação, que diz que devemos dar a vara de pescar ao invés de darmos o peixe já pescado. Podemos até dar o peixe já pescado, mas não deveremos nunca deixar que não sejam dadas varas de pescar. A Saúde, A Educação, A Segurança Pública e a Infraestrutura, neste caso, se tratam das varas de pescar. E elas estão precárias no Brasil, quando são formados ministérios inteiros para dar peixe de graça.  


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