A FOLHA publica nesta edição uma profícua matéria sobre a questão da Educação do Ensino Público Estadual em Torres e outras analises nacionais e mundiais. A matéria escrita pelo jornalista Guilherme Rocha coloca estampado dois pontos: o primeiro, que o professor está muito mal remunerado perante qualquer comparativo, nacional ou internacional, e que os governos vêm empurrando com a barriga a verdadeira assunção do problema. O segundo ponto estampa também a falta de vontade de ambas as partes: a falta de vontade da sociedade e dos professores de efetivamente colaborarem para que, juntos, consigam desenhar uma solução completa, que inclua remuneração e avaliação. í‰ claro que um professor de carreira do Estado provavelmente não está preparado para negociar em tal nível, pois sua própria vida pretérita, por falta de bons salários, reconhecimento e apoio ao desenvolvimento, acaba deixando a maioria da categoria com desvantagem intelectual para participar de tão complexo tema. E mais, os professores já estão vacinados contra enrolaçao. Portanto, trata-se de uma atitude previsível a sua insistente desconfiança e sua intransigência.
O Estado, que foi criado para nestes casos influenciar em decisíµes difíceis e que contam com o envolvimento de muitas partes da população, se mostra hipócrita, tanto no Poder Executivo quanto no Poder Legislativo. O governo não cumpre o que está acordado e acaba utilizando os professores como massa de manobra para ganhar eleiçíµes e depois dar uma desculpai. A alegação é sempre a mesma: não têm orçamento para pagar reajustes merecidos, atualmente sequer os obrigados por lei.
O legislativo é pior ainda. No ano de 2009, não foi aprovado na Assembléia Legislativa do RS uma proposta do governo Yeda de pagar o piso salarial em forma de abono. Como também existia uma proposta de plano de carreira por meritocracia no projeto de lei, o sindicato pressionou e conseguiu que até a bancada dos partidos aliados ao governo í época derrotassem o que propunha o projeto do governo. í‰ importante lembrar que o PT e o PDT foram os protagonistas da derrota. As bancadas destes partidos foram unânimes no veto e acabaram envolvendo alguns parlamentares do PMDB, que votaram contra o projeto também, mesmo sendo ele feito pelo governo que apoiavam na época. í‰ claro que os parlamentares, um ano antes do pleito para a reeleição para uma vaga na Assembléia, não quiseram se indispor para enfrentar o sindicato. O confronto poderia ser vital para as candidaturas, portanto foram todos egoístas e hipócritas (os que votaram contra e eram da base do governo).
Atualmente o governo Tarso repete o que foi proposto pelo governo Yeda, embora com outra farda. No fundo, pensantes dentro do PT ( como outros de outros governos) sabem que a meritocracia deve caminhar junto com qualquer proposta formal de aumento dos salários. í‰ que a educação no Brasil como um todo, mas principalmente no RS, têm se mostrado com indicadores vexatórios perante a nação, e patéticos perante o mundo. ígua colocada em esponja seca é consumida rapidamente, e a esponja logo irá querer mais água…, deve ser este o pensamento das autoridades que estão em cima do problema.
Felizmente, parece que a oposição ao governo Tarso não fará o papel de boiada guiada como o PT e alinhados fizeram para rejeitar o projeto, quando do envio de uma proposta do governo Yeda sobre um plano que propunha aumento salarial, meritocracia e propunha também o enfrentamento ao CPRGS. Imagino, portanto, que o governo Tarso tenha respaldo para aprovar uma reforma no ensino do RS. Os professores mostraram que estão dispostos a colaborar, embora a cúpula do CPERG mais pareça que está no jogo se propondo a governar todo o Estado, quando mais uma vez não quer sequer conversar sobre meritocracia, e conseguiu decretar uma greve da categoria por isto, estampando seu poder de barganha em um jogo de disputas mis, estampando também mais um reflexo da falta de firmeza dos governantes e deputados, que transformaram o sindicato dos professores em praticamente um governo paralelo. Mas não há espaço para não pagar no mínimo o que está legalizado, formalizado: o pagamento do piso nacional salarial, nem que seja mais uma vez por abonos como propí´s o governo anterior.
Um Estado que aumenta o número de secretarias, contrata executivos com salários-teto de servidores públicos do Brasil, de R$ 24 mil, contrata 500 CCs caros no início do governo e que joga longe em um mês toda a austeridade fiscal conseguida í duras penas pelo governo antecessor, não tem moral para negar o que está estabelecido em lei. Portanto, o pagamento do piso é vital para a recuperação da moral dos governantes perante a sociedade.


