OPINIíO – De bandeja

12 de dezembro de 2011

Fausto Araújo Santos Jr.  

 

 

 

O PMDB entregou de bandeja mais uma vez a presidência da Câmara por divergências internas. Desta vez foi na verdade a disputa interna entre Gimi e Zé Ivan. Como nenhum deles queria que o outro fosse o escolhido para   presidir a chapa, cada um com seu motivo, acabou o partido perdendo mais uma vez a presidência da casa para o PP. Agora o partido deverá enfrentar o ano eleitoral de 2012 com a principal oposição unida com o PT para atrapalhar as açíµes governamentais, e atrapalhar com o poder que um presidente de mesa possui. Pode engavetar projetos importantes, pode brecar açíµes de promoção de feitos da municipalidade, etc.

 

Esta história passional é parecida com a de casais que se separam e se preocupam mais em ver a desgraça do outro do que se preocuparem com seus futuros.   Quem sofre são os filhos, que não entendem nada e acabam ficando com os dois lados destruí­dos.

   

De bandeja II

   

E a confusão formada dentro do PMDB acabou fornecendo um prato cheio para as oposiçíµes, com muitos ingredientes alimentares, de todas as correntes vitamí­nicas. As cúpulas do PP e do PT estiveram na sessão para comemorar ao assistir ao mesmo tempo a vitória da oposição para presidir a casa em ano eleitoral, e assistir de cadeira cativa e ar-condicionado a briga dos opositores feita em público, sem pudor.

   

Temperamento e caracterí­sticas expostas

   

Esta divisão do PMDB, saudável enquanto for dentro do partido, mas insalubre se feita em público, tem um lado positivo para a própria agremiação.   Os militantes, diretores e eleitores do partido acabam conhecendo um pouco mais as caracterí­sticas dos candidatos que irão se apresentar para a pré-campanha na definição interna de quem será o candidato í  prefeitura de Torres. Desta vez se viu que os vereadores José Ivan, Gimi e Tiago são capazes, sim, de jogarem contra seus próprios interesses partidários em nome de motivaçíµes pessoais, na maioria que dizem respeito í s competiçíµes de egos.

 

Em 2009, na eleição para a presidência de 2010, Zé Ivan e Tiago votaram contra Gimi, que é do PMDB,  e ajudaram a eleger Rogerinho, do PP. Tudo porque a sigla não definiu antecipadamente bem quem seria o candidato oficial. Até lí­deres do PMDB de fora da Câmara apoiaram isto.

 

Já na eleição da semana passada, Tiago chegou a assinar para fazer parte da chapa do PP, liderada por Brocca.  Acho eu que tudo porque ele não foi aceito por Gimi para ser o representante da sigla. Gimi mais uma vez queria a presidência, acho, muito mais para não deixar seu concorrente interno do PMDB, José Ivan, se salientar presidindo a mesa em ano eleitoral, e acabou não aceitado Tiago, acho que para não mudar o discurso.

 

Portanto, os três peemedebistas de certa forma agiram contra a sigla em nome de seus egos e projetos pessoais, e prejudicaram a sigla também em nome de projetos pessoais. Olho no lance!

   

 Foi Pardal que ganhou pontos, afinal

   

Na disputa interna pela vaga para disputar a vaga í  candidatura dentro do PMDB, quem acabou somando pontos a seu favor foi o vice-prefeito Pardal. Ele até agora somente brigou pela sua posição dentro do partido. Não expí´s a sigla em nome de suas vontades.

 

Na eleição do diretório neste ano,  o vice montou uma chapa que desagradou a maioria, ameaçou sair do partido, e no final acabou dando uma recuada na disputa interna.   A briga saudável, mas contundente abriu divisíµes no PMDB, o que é saudável também,  e Pardal criou antecipadamente correntes de apoio e desapoio a ele. Mas dentro do partido…

 

Já os outros dois concorrentes expuseram a agremiação ao não conseguirem ceder í  ponto de, afinal, ao menos apresentarem uma chapa para concorrer com Brocca na eleição í  presidência da Câmara Municipal.   O desgaste neste caso é em TODO O PARTIDO e o desgaste acaba sendo pessoal para eles, o que deixa Pardal na frente no campeonato de passionalidades, que recém iniciou e deve ter outros capí­tulos em 2012.

   

Tenora deu show… e colocou a pulgas atrás da orelha de muitos

   

Aproveitando a forte presença de autoridades do PP e do PT na sessão passada da Câmara, o vereador Tenora (PP) anunciou que também é candidato í  candidato í  vaga para ser o nome do partido que irá concorrer para ser o candidato oficial do PP na eleição do ano que vem. Agora os três vereadores, Brocca, Rogerinho e Tenora são pré-candidatos.

 

Mas após o anúncio oficial, o candidato partiu para encher de elogios a administração do governo João Alberto. Tenora elogiou as açíµes na Saúde, Educação e as obras da administração, afirmado que não quer ver mais pessoas serem eleitas para nada fazerem e colocarem a culpa na falta de verba, como a maioria dos prefeitos anteriores, conforme disse.

 

A platéia pepista e petista ficou sem saber o que achar ou fazer, deu show o vereador…

 

Deu show porque ele de certa forma abriu uma possibilidade bem coerente de seu Partido Progressista vir a optar por coligar com o PMDB na eleição do ano que vem, ao contrário da coligação com o PP desenhada hoje e já pré-festejada pelos Petistas torrenses.   De certa forma foi um recado que no mí­nimo deixa várias pulgas atrás de várias orelhas. Olho no lance!

   

Uma boa gestão

   

Mas a impressão que se tem é que o vereador Brocca deva fazer uma boa gestão como presidente da Mesa Diretora da casa. O experiente edil já teve várias outras experiências no passado e deverá manter a sobriedade para tocar o dia-a-dia da casa legislativa, mesmo em ano eleitoral.

 

Em seu discurso, Brocca afirmou que a Câmara Municipal é, para ele,  mais importante que o próprio executivo, pois representa a sociedade de forma plural e coerente conforme a votação.   Ele lembrou que a prefeitura ganha sempre com no máximo 40 % dos votos, portanto 60% não escolheram aquele administrador; já na Câmara, os eleitos são o resultado matemático da votação, e é consequentemente o resultado matemático da escolha do povo.

 Portanto, Brocca deverá manter seu conceito de polí­tico sério e coerente, embora tenha a chance de deixar seu lado de oposicionista incondicional influenciar nas suas decisíµes da casa. Boa gestão e que seja um bom ano para a democracia.            


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