Torres recebeu no dia 04 de março o Fórum de Competitividade | Torres | Litoral Norte, que reuniu lideranças do setor público, empresarial e institucional para debater desafios e oportunidades de desenvolvimento da região.
O evento foi concorrido e contou com palestras e painéis, com foco em competitividade, infraestrutura, mercado imobiliário, turismo e parcerias público-privadas (PPPs) — temas centrais para o crescimento sustentável e a atração de investimentos no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
Aqui, uma primeira observação. Tornou-se corriqueiro o uso do qualificativo “sustentável” para o processo de desenvolvimento. Não obstante, tal expressão, que se consegrou na ECO-92, no Rio de Janeiro, quando cerca de 200 líderes mundiais lá se reuniram para consagrar a idéia de que já não bastava crescer, havia que se introduzir no desenvolvimento das nações as exigências de “sustentabilidade”, de forma a assegurar as futuras gerações o ambiente que recebemos de nossos antepassados. Ora, falar, portanto, em desenvolvimento sustentável estaria a exigir, senão um Lutzemberger, algumas autoridades da área ambiental que fizessem o contraponto do produtivismo desenfreado dos que ainda defendem, na verdade, o desenvolvimento (auto)sustentado…
Vejam os participantes:
Entre os participantes já confirmados estão Leandro Evaldt, Secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul; Rafael Prikladnicki, Presidente da Invest RS; Eduardo Fernandez, Embaixador do Centro de Liderança Pública (CLP); Humberto Busnello, Vice-Presidente do Transforma RS; Paulo Geremia, Sócio fundador do DiPaolo; e Eraclides Maggi, Representante da Actor e presidente do Fórum Empresarial de Torres.
Ninguém da área ambiental.
Mas há outros senões: Nenhuma presença de representantes da sociedade civil organizada, tais como ONGs, Sindicatos, Associações de Moradores, nem mesmo o Conselho de Desenvolvimento do Litoral Norte- COREDE – e a Associação dos Municípios do Litoral Norte. Pior, nenhuma presença acadêmica, como se a questão da promoção do desenvolvimento fosse apenas uma questão de Estado & Empresários, que dispensasse a inteligência. Ora, há inúmeros trabalhos sobre o desenvolvimento do Litoral Norte realizados sob a coordenação do Economista Dr. Carlos Paiva, no âmbito da FRACAT (Taquara), além de um considerável acervo sobre Economia Regional, acumulados em vários lugares, desde que Claudio Accurso, ainda nos anos 1950 – ele ainda está vivo, com 92 anos -, tratava das razões da crise econômica do Rio Grande do Sul, passando, desde aí, por nomes como Paulo Renato Souza, Geraldo Muller, e outros, aliás inúmeros, como se depreende das publicações da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul.
Como frisou a Apresentação do Forum: “O Fórum de Competitividade é uma oportunidade única para alinharmos estratégias e fortalecermos a integração entre o setor público e privado. O Litoral Norte do Estado possui um enorme potencial de crescimento, e este encontro nos permite discutir soluções práticas e inovadoras para transformar desafios em oportunidades. É por meio do diálogo e da cooperação que construiremos uma região mais competitiva, atrativa para investimentos e preparada para o futuro.”, disse o secretário Evaldt. A proposta do Fórum é criar um ambiente qualificado de diálogo, conexão e construção de soluções, fortalecendo a articulação entre setor público e iniciativa privada e contribuindo para uma agenda positiva de desenvolvimento regional, com visão de longo prazo, eficiência e competitividade.
Tudo muito bem escrito e bem intencionado. Trata-se mesmo de estabelecer um diálogo no Estado, com lideranças dos vários segmentos, com vistas “a construção de soluções” para o desenvolvimento da única região do Estado que vem apresentando incremento demográfico, graças à procura de trabalho ou busca de novos horizontes de vida numa área já marcada como propícia ao descanso de aposentados.
Penso que o marco, enfim, de nossa região é a qualidade do meio ambiente e de condições de vida. Somos neste sentido o selo verde do Estado, uma cidade que deveria se voltar cada vez mais, não para a Cultura da Economia, aliás tradicional, como de depreende dos nomes convidados, mas à Economia da Cultura e Criatividade, nome, aliás que o Município de Tramandaí já dá a sua instância de organização das atividades culturais.
*** A opinião dos colunistas de A FOLHA Torres é independente e não necessariamente representa o posicionamento do veículo de comunicação***
