OPINIíO – Avaliação dos governos do Brasil, do RS e de Torres.

20 de dezembro de 2011

                                                Fausto Araújo Santos Júnior

 

Primeiro ano do governo Dilma

 

       

Após um ano   de governo, a presidente Dilma mostra outro jeito de governar, muito diferente de seu antecessor Lula.   Ela se comporta com alto grau republicano perante tudo: Comporta-se como uma executiva no governo e como uma diplomata qualificada na polí­tica internacional.

 

Perante os sete incidentes envolvendo na maioria deles provas cabais de ministros de sua administração no centro de fatos de  mal feitos graves, a presidente teve a mesma atitude: esperou o caso amadurecer, esperou  que os partidos envolvidos se posicionassem, brigassem, reclamassem e, só após, mandou os ministros se demitirem, é claro,  diplomaticamente,  fazendo com que a opção fosse deles, para não gerar dissabores maiores nas agremiaçíµes.   Com isto, aprende mais um pouco sobre os partidos, sua força, sua vontade de efetivamente se colocar ao lado da coligação e suas divisíµes internas. E mais: ela frita bem o caso todo,  antes de deixar o bife sair da chapa sem estar totalmente cosido.

 

A presidente conta com um álibi só para de certa forma justificar as confusíµes e a corrupção em seu governo: a própria midia tratou de chamar de herança maldita este alibi, o que ela não repete para não entrar em rota de conflito com o ex-presidente Lula e seus súditos de plantão. Mas após a sua esperada reforma ministerial, ela terá muito cuidado em contratar novos nomes imagino eu e torço…

 

O governo mantém uma polí­tica econí´mica conservadora e liberal, mantendo a alta taxa de impostos por um lado, mas não se metendo muito na cozinha do setor empresarial para compensar. Continua mostrando que acredita em um governo grande, gordo e inchado para poder tocar seus projetos sociais e a máquina pública, dando espaço para crí­tica da sociedade sobre os exageros de CCs e as mordomias deixando-se rolar nos outros poderes. Mais uma vez ela faz uma troca: não ataca as cúpulas dos poderes legislativo e judiciário, mas não recebe ataques dos mesmos.

 

Estamos passando por um método de governar, portanto, altamente imperial e de jogos de favores. Continuamos, como no governo Lula, com um Estado emperrado, caro, burocrático e centralizador. Parece que a mudança disto só ocorrerá com as reformas estruturais no setor de tributos, no setor polí­tico, no setor administrativo e no setor das leis básicas, com uma ampla reforma constitucional. Mas parece que nenhum partido no Brasil tem interesse nisto.

 

A presidente Dilma por sua vez se mostra uma bela gestora de um projeto de governo que de um lado mostra avanços na área social, mas que continua sendo pí­fio quando se enfoca gestão e modernidade. Parece, então, que 2012 será um ano onde a presidente deverá mostrar í  que veio: ou ela muda e enfrenta o setor conservador do PT e dos partidos aliados, ou ela se mantém uma gerente do PT.

 

 

   

Primeiro ano do governo Tarso

         

O primeiro ano do governo Tarso Genro do PT mostrou claramente uma radical mudança da forma idealizada de governar. Ele virou literalmente do avesso o governo de sua antecessora Yeda Crusius, provando de forma cabal as diferenças polarizadas de estilo de gestão entre o PSDB e o PT . Os problemas enfrentados são os mesmos: falta de dinheiro em caixa, pressão exagerada e sistêmica de todos os setores corporativos e muito mais demanda por obras básicas de reformas em estradas, nas escolas, nas delegacias, de aparelhamento e armamento da segurança pública etc o que é possí­vel executar com o orçamento. Yeda, em nome do PSDB,  tratou de passar o primeiro ano economizando moedas e enfrentando as corporaçíµes; já Tarso inverteu o processo: inchou mais ainda o Estado e espera, agora, receber carta branca de dinheiro de fora.

 

O governo Tarso no primeiro ano mostrou também seu estilo, um pouco mais para imperial do que para conciliador. As atitudes da maioria das secretarias têm sido implacáveis, firmes e contundentes, sem muito espaço para negociação.   Se olharmos para resolutividade, nada foi proposto ou mostrado, somente projetos e projetos, a maioria deles sem prazo, ficando muito mais no discurso e na confiança do gaúcho ao governador, que se elegeu com mais de 50% dos votos no Estado,  do que efetivamente o apresentado.

 

Na Saúde, burocratizou os procedimentos em nome da automação, correndo o risco de emperrar ainda mais o sistema de interação entre as cidades e o governo nas marcaçíµes de consultas com especialistas, por exemplo, e no sistema SAMU. Na Educação,  o governo acena com mudanças que na base são boas, mas parece que a comunidade escolar não acreditou ainda, talvez por pura falta de uma estratégia de comunicação social.

 

Na Segurança Pública nada foi mostrado ainda. Os investimentos em estradas estão dando continuidade í  obras iniciadas no governo Yeda, em ritmo precário, por pura falta de recursos. Falta de recursos, inclusive, que é o fantasma desta administração, acima das outras, pois Tarso bancou inchar o Estado de executivos caros e CCs de ní­veis intermediários caros também,  para dar respaldo í s suas idéias.  E o resultado já foi a necessidade de retirar dinheiro do caixa único, um ano após o governo Yeda estar em dia com os pagamentos de curto prazo.

 

 

   

Terceiro ano do 2 º governo João Alberto

       

O terceiro ano da administração atual  ( a 2 ª ) do governo de João Alberto Cardoso em Torres se caracterizou por um ano de altos investimentos na cidade, principalmente na infraestrutura turí­stica e na Educação.   Houve erros de planejamento nas obras que, por não contar com cortes de repasses de verbas do governo federal, acabaram abrindo frentes de trabalho que permaneceram abertas, mesmo sem ter trabalho, o que gerou crí­ticas da sociedade, e com razão.

 

Mas é muito melhor o cidadão receber obras várias de reformas em sua cidade, mesmo com transtornos, do que não receber quase nada, postura das administraçíµes anteriores em Torres. Pelo menos eu acho assim, e o senhor a senhora, o que acham? Não tem como comer omelete sem quebrar ovos, não tem como ter captação de esgoto sem uma buraqueira e uma barulheira danada; não tem como ver a beira de praia totalmente revitalizada sem ter quebradeira; não tem como mudar a configuração de praças sem obras, não tem como construir escolas sem obras.

 

Foi mais de 50 salas de aula novas, muito asfalto, inclusive com várias novas ruas recebendo este tipo de calçamento, etc., etc. e etc. A construção do museu no Parque da Guarita está pronta, só falta a compra dos equipamentos, o que tira a cidade daquela situação ridí­cula de ter escombros no parque que é o seu cartão postal.   Além do novo paradigma implementado no Calçadão, deixando-o muito mais moderno, bonito e arejado.

 

A saúde vai muito melhor que a do RS; a Educação melhor do que a media gaúcha e a melhor da região;  a segurança sob controle;  a empregabilidade alta, mesmo que seja mais para a área da construção civil, mas é emprego, ninguém fica sem trabalhar se quiser ir para o mercado. No turismo a organização e a formatação mais profissionalizada dos eventos é a marca do governo, falta um plano mais estratégico, que não depende só da secretaria: depende de uma açíµes genérica da sociedade e do setor público. Mesmo assim, a cidade recebe prêmios atrás de prêmios por aí­, se mantendo como o segundo lugar turí­stico de todo o RS, perdendo só para Gramado, ganhando inclusive de Canela.    

 Como um ano de eleição, 2012 promete mostrar um embate bastante bonito na cidade. A oposição deve fazer ginástica para mostrar algo de ruim do governo atual, além de ataques de estilo, normal e saudável em qualquer embate. Já a situação possui o maior desafio dentro da própria base aliada. Primeiro, tem de manter calma na concorrência entre os vários candidatos do PMDB que querem ser os nomes escolhidos para concorrer í  prefeitura; segundo,  manter coligaçíµes, pois a maioria dos partidos, com rarí­ssimas exceçíµes, busca estar junto a quem projeta ser vencedor, e o barulho será grande. As pesquisas é que definirão, afinal, as coligaçíµes, como sempre, diga-se de passagem.      


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