O que eu responderia se alguém me perguntasse: o que é arte visual?
Eu diria, bem rápido: deixe-me pensar…
A resposta é, sim, bastante complexa e, pelo que penso, está em constante mutação — ou seria mudança?
Tenho um conceito, baseado nas minhas vivências. Claro que não dá para dizer que ele é só meu. Foi sendo forjado ao longo dos anos, adaptado ao tempo em que vivo. E sei que, passadas já algumas décadas, esse conceito pode estar defasado — assim como eu.
Enfim, para mim, o conceito é simples: arte é o encontro entre intenção e interpretação.
Pensar o que é arte é como olhar o mar: cada época o enxerga com uma cor diferente — e nenhuma está exatamente errada.
O que se percebe é que o conceito de arte foi se transformando ao longo dos anos, conforme pensadores — e os próprios artistas — a compreendiam. E o mais interessante é notar que cada definição revela mais sobre o tempo em que foi criada do que sobre a arte em si.
Penso, então, a arte como uma maneira de dar forma ao invisível. Transformar emoção, memória, ideia ou inquietação em algo que pode ser visto, ouvido ou sentido por outro.
E a arte visual usa a visão como principal meio para provocar sentido, emoção ou reflexão. Mas, como quase tudo na arte hoje, isso não é uma caixa fechada — é mais como um território em constante expansão.
Trabalhando há décadas com arte, vejo que ela vive de ciclos. Ciclos de artistas, de formas, de apreciadores, de mercado — todos em permanente transformação.
Aqui em Torres também é assim.
Já tivemos alguns ciclos. Principalmente na década de 80, quando a arte na cidade era intensa, presente, quase pulsante. Havia um grande grupo de artistas locais e outros que escolheram Torres para viver. Ateliês abertos, encontros, trocas — a arte circulava.
Como todo ciclo, aquele também se fechou.
Restaram alguns nomes ainda na ativa — outros ficaram pelo caminho, como acontece com o tempo e com a própria vida.
Mas a arte, essa não desaparece. Ela apenas aguarda.
E, às vezes, recomeça.
No último dia 28 de março, eu e um grupo de artistas e convidados assistimos ao início de um novo ciclo.
A Galeria Ten Caten, da artista plástica Celina Ten Caten, abriu suas portas — quase como quem acende uma luz — para receber as obras de onze artistas radicados em Torres.

São aquarelas, obras têxteis, esculturas cerâmicas, colagens digitais, desenhos, fotografias e pinturas. Linguagens diferentes, olhares distintos, mas um mesmo movimento: o de trazer a arte de volta ao encontro das pessoas.
Participam desta exposição: Beto Castro (colagem digital), Dhai Maus (pintura), Dario Tavares (escultura), David Garcia (aquarela), Dirci Verdum (desenho), Gisane Valenzuela (obra têxtil), Jorge Herrmann (pintura), Lika Dalmaso (pintura), Márcia Sawitzki (escultura cerâmica), Monique Vargas (fotografia) e Roni Dalpiaz (pintura).
Mais do que uma mostra, talvez este seja um sinal.
Um sinal de que a arte, mesmo quando parece silenciosa, continua acontecendo — nos ateliês, nas ideias, nos gestos quase invisíveis.
E que, em algum momento, ela volta a ocupar seu espaço.
Talvez seja isso a arte.
Não algo que se define de forma definitiva, mas algo que insiste em reaparecer.
Que muda, que escapa, que se transforma —mas nunca desaparece.
A exposição permanece em cartaz até o final de abril. A Galeria Ten Caten localiza-se no centro de Torres, no Shopping Itália (Rua Júlio de Castilhos, 447). Durante a semana, pode ser visitada das 14h às 18h. Nos finais de semana, mediante agendamento pelo contato (51) 99240-7038, com Jorge Herrmann.

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