Com a alta dos juros, inflação persistente amentaram o custo de itens essenciais. A alta dos preços do diesel e de combustíveis em geral agravaram o cenário, ao encarecer o transporte de mercadorias, pressionando os preços no supermercado e reduzindo o poder de compra. Consequentemente, o crédito se tornou peça essencial do orçamento doméstico, e qualquer novo choque inflacionário ou fiscal pode transformar endividamento em inadimplência em larga escala.
O endividamento das famílias em Torres está sendo impulsionado por uma combinação de fatores locais, como a sazonalidade econômica do turismo e a tendências de alto comprometimento de renda, por exemplo. Isso reflete um cenário regional de alta dependência de crédito, com dados indicando 15 mil pessoas inadimplentes na cidade, impulsionado por juros altos e pelo uso de modalidades de crédito rotativo.
O cartão de crédito é o maior vilão, representando a principal fonte de dívida para a maioria, seguido pelos carnês de loja. Paradoxalmente, o crescimento do endividamento está ligado a um maior número de pessoas com carteira assinada, o que facilita a liberação de crédito, que acaba sendo utilizado para consumo.
A pressão da inflação sobre itens básicos e o custo de vida elevado, típicos de cidades turísticas, levam as famílias a usar o crédito como “salva-vidas” para quitar dívidas anteriores ou manter o consumo. A desorganização do orçamento familiar (sem acompanhamento estruturado de receitas e despesas) pode ser também uma das causas estruturais do endividamento. Muitas famílias utilizam novas modalidades de crédito (como o crédito pessoal) para tentar quitar dívidas acumuladas do cartão, gerando um ciclo de juros compostos ( Juros sobre juros). Portanto, a busca por soluções para superar as discrepâncias sociais é urgente e requer apoio social.
A construção de agendas científicas em uma práxis territorial pode promover diagnósticos e instrumentalizar grupos coletivos em ações de combate à erradicação da pobreza e suas dimensões associadas, como a fome e os problemas de saneamento.
PERIFERIA E CUSTO DE VIDA ELEVADO – A periferia é um espaço geográfico e social que enfrenta desafios impostos pela pobreza e exclusão social. E a construção de um futuro mais justo e igualitário para todos os torrenses é um desafio que envolve a implementação de políticas públicas efetivas para reduzir as desigualdades sociais e promover o desenvolvimento das regiões periféricas. A prefeitura de Torres tem atuado com programas de auxílio a famílias de baixa renda, com a construção de novas moradias (loteamento Nova Esperança) para quem está em situação de alta vulnerabilidade social. A economia de Torres é fortemente baseada em serviços e turismo. Isso gera uma renda instável para muitos moradores, que enfrentam queda de faturamento fora da temporada de verão, dificultando o pagamento de contas fixas ao longo do ano.
Embora alguns o considerem acessível, moradores relatam que o custo de moradia em Torres é elevado devido à valorização imobiliária e à dificuldade de encontrar aluguéis fixos anuais, já que muitos proprietários preferem aluguéis de temporada. Os Juros elevados e a falta de planejamento financeiro estruturado contribuem para que imprevistos se tornem dívidas de longo prazo, o que sinaliza para necessidade de ajuda aos atingidos para que consigam encontrar programas de renegociação de dívidas ou locais de apoio ao consumidor em Torres. Famílias declararam que dívida os deixam mais pobres
Embora Torres apresente indicadores econômicos positivos em nível municipal, suas periferias enfrentam desafios estruturais significativos, exigindo atenção contínua de políticas públicas e iniciativas comunitárias para reduzir a pobreza e promover qualidade de vida.
O aumento da pobreza na periferia de Torres é um fenômeno complexo e preocupante que envolve diversos fatores que refletem desigualdades socioeconômicas, incluindo a falta de políticas públicas eficazes. A periferia é marcada por uma infraestrutura precária, falta de serviços básicos e de violência, o que contribui para a marginalização e exclusão social. A desigualdade socioeconômica é um dos principais fatores que perpetuam essa realidade, com a concentração de renda e a ausência de políticas públicas que reduzam as desigualdades sociais.
Moradores de bairros periféricos relatam dificuldades diárias com transporte público, que não atende adequadamente essas regiões em Torres, obrigando deslocamentos longos e complicados para chegar ao trabalho ou escolas. Além disso, boa parte das residências ( da periferia) não possui tratamento de esgoto, e muitas residências dependem de sistemas improvisados de abastecimento de água. A falta de infraestrutura básica aumenta a vulnerabilidade a doenças e limita o desenvolvimento social.
O empobrecimento das famílias é um tema de grande preocupação, onde dados indicam que boa parte delas possui algum tipo de dívida além de renda familiar mensal comprometida com pagamentos financeiros. Essa situação projeta uma pressão financeira crescente e um ambiente econômico desafiador, que compromete diretamente a estabilidade da população. O endividamento elevado e a falta de clareza sobre como o dinheiro circula ao longo do mês são os principais entraves à organização financeira das famílias.
*** A opinião dos colunistas de A FOLHA Torres é independente e não necessariamente representa o posicionamento do veículo de comunicação***

