Após um estudo feito por técnicos contratados pelo Ministério Público, os promotores da comarca de Torres oficiaram a prefeitura da cidade para que eliminem definitivamente o Caminho da Santinha, um lugar já folclórico de Torres, onde fiéis, turista, veranistas e moradores utilizam há décadas como um dos pontos turísticos da mais bela praia do RS, tanto para afazeres religiosos, quanto para simples programa de admiração da paisagem, pois a trilha, além de ser fisicamente construída em torno da imagem de Nossa Senhora Aparecida, é uma trilha organizada e pavimentada, que liga, pela beira da praia, a Prainha e a Praia da Cal. Além de ser utilizado por trabalhadores como corte de caminho entre as suas residências e a labuta, no centro da cidade.
Não existe saída juridicamente correta
A FOLHA conversou com o procurador do município de Torres, Marcelo Salvador. Ele confirmou que a municipalidade tem inclusive prazo para se manifestar sobre o assunto, que seria de 15 dias. A manifestação da prefeitura teria de ter duas vertentes: uma, a da aceitação do apontamento do MP e a devida ação de fechar o Caminho da Santinha e plantar em seu trajeto vegetação nativa para eliminar a possibilidade de pessoas chegarem próximas í parede do Morro do Farol. A outra vertente seria a de solicitar tempo para de certa forma eliminar os riscos apontados pelo MP. Mas o próprio procurador adiantou para A FOLHA que os laudos apresentados provam cabalmente os riscos de desabamentos de pedras do morro, na parte justamente do Caminho da Santinha. Isto leva a crer que a decisão já está praticamente tomada: O Caminho da Santinha vai virar história em Torres.
Os anais da municipalidade é que devem guardar em seus museus os legados religiosos e turísticos que o trajeto, organizado ou não, trouxe para o desenvolvimento da sociedade e do turismo locais. E para atravessar pela beira da praia o trajeto entre a Prainha e a Praia da Cal, as pessoas só poderão utilizar o caminho entre as pedras, isto quando a maré deixar.
Pequena história do Caminho da Santinha
A trilha originalmente foi construída pelos pés dos pescadores e turistas que utilizavam o local para cortar caminho entre o centro e a Praia da Cal. Com o tempo, a municipalidade mantinha a trilha. Ela foi estruturada com pedras e saibro, como se manteve por anos.
Em 1999, o então prefeito de Torres Cezar Cafrune, colocou cimento na trilha, quando a mesma foi definitivamente batizada pela cultura local como Caminho da Santinha, tal foi o prazer que a comunidade recebeu a melhoria feita pela prefeitura. A estrutura, mais limpa e menos hostil a pedestres, fez com que aumentasse, ano a ano, o número de visitas í gruta onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida está colocada. O local tem aumentado inclusive o número de placas de agradecimento í santa, colocadas por fiéis que realizam seus pedidos feitos aqui.
Com a pavimentação, o caminho da Santinha se tornou, também, local de caminhadas, em certa continuação do Calçadão da Praia Grande, que se emenda com o Calçadão da Praia da Cal. Corredores, caminhadores e bicicleteiros usam, então, a trilha como parte de um percurso pré-definido e demarcado. As bicicletas, inclusive, também acabaram dominando a trilha, agora cimentada, um conforto a mais para os trabalhadores da beira de praia que querem ir ao centro com suas locomoçíµes de duas rodas.
Tema de Música
A banda de Reegue torrense Aroeira, já dissolvida, gravou uma música que foi muito tocada em rádios locais e estaduais nos anos de 2003, 2004 e 2005. A letra da musica se referia í fonte de água que fluiu ao lado da imagem da santa, no Caminho da Santinha. A canção se referia a beber água da fonte / desde menino ou menina, uma homenagem í fonte da Santinha e seu poder espiritual de fazer o torrense amar sua cidade após beber a água da fonte.


