Nesta semana inicia as sessíµes da Câmara de Vereadores de Torres após recesso parlamentar do mês de janeiro. Estamos em ano eleitoral. Em 2012, os cidadãos que possuem título de eleitor em dia registrados na cidade irão escolher seus candidatos í prefeito da cidade, assim como seus candidatos preferidos para assumir uma cadeira da Câmara Municipal. Muitos irão votar e eleger seus escolhidos, muitos outros irão votar e perder o jogo democrático, mas isto não quer dizer que a luta termina aí e só inicia no outro pleito em 2016. Ao contrário, qualquer cidadão pode utilizar os meios estruturados da democracia para buscar seus desejos e utopias ideológicos, mesmo se os candidatos de sua preferência não estão disponíveis para tais demandas.
Inclusive neste ano, um ano pré- mudança de cenário da estrutura política, os mesmos cidadãos possuem os mesmos direitos. Os que votaram na administração atual têm os mesmos direitos e armas dos que não votaram. E mais: em ano eleitoral, as demandas diferenciadas podem se tornar moeda eleitoral do bem: nada melhor do que cobrar dos políticos atuais suas posiçíµes sobre determinado assunto, sobre determinada lei, sobre as posturas do executivo referente a estes ou í queles temas, polêmicos ou não.
Com o advento ultramoderno da proliferação das redes sociais, a sociedade pode comemorar a possibilidade de literalmente colocar a boca no trombone quando vê algo que a desagrada, assim como tem o mesmo poder para elogiar as coisas que são feitas em suas cidades, em seus Estados, enfim, em seu país. Pode colocar a boca no trombone inclusive com ofensas, desabafos, correntes de compartilhamento, dentre outras possibilidade que as redes de relacionamentos ligadas pela internet em tempo real possibilitam. Mas a velha e estruturada forma de conseguir as buscas coletivas, de sugerir mudanças de paradigmas, de modificar ou até de embargar coisas já feitas, ainda é factível através do poder legislativo, judiciário e executivo. E com o poder legislativo é a mais factível ainda. í‰ lá que estão os legisladores escolhidos pelo povo para que, através de seus gabinetes, de suas bancadas e de sua capacidade ou não de mobilização de seus pares de casa do povo, que as coisas podem vir a acontecer, ao pelo menos sofrerem mobilização mais objetiva, real, visível. Não adianta ficar digitando ofensas no computador, mesmo que elas sejam compartilhadas, se isto ficar por ali, permanecer fechado em um grupo de opinião similar, permanecer confinado í s várias paredes das residências dos rebeldes. Há de se organizar as demandas e, após, utilizar os vereadores que estão no poder para tentar conseguir feitos coletivos. Muitos deles até agradecerão a sociedade quando receberem demandas para serem os arautos da mudança: é este seu trabalho, é para isto que eles (vereadores) são eleitos. Não adianta, também, justificar a falta de ação afirmando que o perfil dos vereadores não se enquadra em nosso perfil de cidadãos; Bons, ruins, ativos, acomodados ou não, são eles que estão lá representando seus partidos e representando ao menos parte da população da cidade. Foi com os votos da sociedade que eles conseguiram seus lugares no parlamento.
As modificaçíµes no Plano Diretor Urbano de Torres são uma chance exemplar para que cidadãos comuns oportunizem para si mesmo uma forma de buscar o que querem através da Câmara Municipal. Muitos inclusive não gostam de política; muitos outros, mais radicais ainda, abominam os políticos, como se têm visto em manifestaçíµes públicas e através das redes sociais. í‰ legítimo que alguém não queira que haja obras de edifícios altos na cidade. í‰ comum, ao contrário, que muitos prefiram edifícios í s edificaçíµes menos bonitas, embora baixas. Isto faz parte da sociedade, é o âmago do sistema democrático.
Mas para que estas discussíµes venham í tona, há de se utilizar os vereadores, os partidos, as associaçíµes locais, etc. í‰ bom que a sociedade aposte, milite e ganhe ou perca as buscas pessoais individuais, normal em qualquer grupo. Faz parte da democracia, conviver com a vitória e com a derrota, pois o mundo não é feito de iguais, graças a Deus. E é interessante para a sociedade e para a democracia, que os vereadores se obriguem a se posicionar sobre os assuntos. Através de suas posiçíµes, podemos reelegê-los ou buscar outros nomes que tenham posiçíµes similares í s nossas


